Tiago Fernandes - Foto: SPORTING CP
Tiago Fernandes - Foto: SPORTING CP

Tiago Fernandes justifica 'revolução' no onze do Sporting

«Não mudei porque estava mal»: treinador interino destacou a aposta numa linha de três defesas e na dupla de ataque formada por Ioannidis e Luis Suárez para enfrentar o Shakhtar

Tiago Fernandes promoveu profundas alterações no onze do Sporting para o duelo com o Shakhtar Donetsk, incluindo a decisão de jogar com três centrais, mas garante que as escolhas foram pensadas em função das características do adversário e da condição física de alguns jogadores, e não por entender que tudo estava mal.

Em declarações à Sport TV, antes do encontro da UEFA Champions League, o treinador interino explicou a aposta numa linha de três defesas, a presença de Fotis Ioannidis e Luis Suárez juntos na frente e a função específica de Issa Doumbia no meio-campo.

«Preparámos a equipa para surpreender e aproveitar as debilidades do Shakhtar. Como temos dois grandes avançados, os dois melhores de Portugal, é um prazer tê-los juntos a ajudar a equipa. Falei com eles, sentem-se bem a jogar um com o outro e, para a estratégia, foi importante conversar com o plantel e explicar o que queria. Foram muito recetivos», começou por explicar.

«Vamos tentar surpreender no momento de transição defensiva deles. Não são uma equipa que controle muito bem a profundidade, e ter os dois a procurar esses espaços, com o Doumbia por trás, pode ajudar-nos. E também nas bolas paradas, ofensivas e defensivas, podem ser importantes», acrescentou.

A escolha de Rui Silva para a baliza também está relacionada com a estratégia definida para o encontro. «Vamos jogar com uma linha de três defesas e o Rui é importante na saída de bola, para desgastar os avançados do Shakhtar. Pretendo tirar força e energia aos melhores jogadores do Shakhtar, porque, quando estão frescos, têm uma qualidade técnica acima da média», justificou.

Sobre a composição do meio-campo, Tiago Fernandes explicou a intenção de criar superioridade numérica e dar espaço aos avançados para explorarem as costas da defesa adversária. «O losango no meio-campo, com o Fotis incluído, é para aproveitar situações de quatro para três e variar o jogo. Assim, sabemos também que o Suárez terá espaço na frente para explorar a profundidade. Depois, vamos jogar com jogadores que já têm uma experiência e uma cultura tática», afirmou.

Doumbia terá ainda uma tarefa específica na zona central: «Vai marcar o seis [Nazaryna], que é um jogador de referência do Shakhtar, e para ele é importante ter uma referência posicional no meio-campo.»

O treinador interino deixou também um aviso para a qualidade da equipa ucraniana, sublinhando a importância de uma pressão bem coordenada. «O Shakhtar é uma equipa que joga muito bem. Se os deixarmos jogar, vamos cansar-nos bastante e vamos saber pressionar melhor se formos assertivos e estivermos em igualdade numérica no momento da pressão. Se eles tiverem vantagem de um homem, procuram muito as tabelas e é uma equipa preparada para isso», analisou.

Questionado sobre as muitas mudanças no onze, Tiago Fernandes afastou a ideia de que tenha procurado corrigir algo que estava a correr mal. «Eu sou treinador para tomar decisões. Quero o melhor para o Sporting. Não mudei porque estava mal, mas penso que é o melhor para o jogo de hoje, em função de não ter alguns jogadores disponíveis a 100%. A linha de três tem a ver com isso», esclareceu.

O técnico confirmou ainda que Fresneda e Ibrahima Ba estão limitados fisicamente, mas garantiu que a equipa teve tempo para assimilar as novas ideias. «Tivemos tempo para treinar todos os momentos do jogo, não com tanta repetição, mas conseguimos passar a mensagem e eles estiveram recetivos. Acho que vai correr bem», concluiu.

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