FC Porto: Pereira da Costa explica ganhos dos investidores do empréstimo obrigacionista
A FC Porto - Futebol SAD prepara-se para colocar no mercado, a partir da próxima segunda-feira, um novo empréstimo obrigacionista a quatro anos (2026-2030), cuja remuneração estará associada ao rendimento da equipa dentro das quatro linhas. Com uma taxa fixa base garantida de 5,25%, o juro anual pode atingir um teto de 6% mediante a concretização de objetivos desportivos.
Classificada como pioneira, a operação prevê que a remuneração seja revista em alta anualmente a partir de 2027, mantendo-se o acréscimo até à maturidade do título. O apuramento para a Liga dos Campeões garantirá uma subida de 0,15% na taxa, enquanto a conquista do título de Campeão Nacional representará um acréscimo adicional de 0,1%. No melhor dos cenários, o ganho cumulativo anual poderá chegar aos 0,25%.
José Pedro Pereira da Costa, CFO da SAD portista, explicou a premissa subjacente à emissão: «É uma emissão inovadora, uma vez que é a primeira emissão a ser feita com obrigações ligadas ao sucesso desportivo. Na génese deste conceito, está a ideia de partilharmos com os investidores os resultados financeiros que decorrem do sucesso desportivo. Se o FC Porto tiver sucesso desportivo, seja por via da participação na Liga dos Campeões ou por via da conquista do Campeonato Nacional, terá receitas acrescidas e mais capacidade de remunerar melhor os investidores.»
O responsável financeiro detalhou a mecânica dos juros: «O investidor tem uma taxa fixa de 5,25% - independentemente do que aconteça, essa taxa é garantida - e depois, anualmente, poderá haver uma revisão em alta da taxa. Uma vez que haja revisão em alta, mantém-se para o resto do período. Falamos de um empréstimo de 2026 a 2030, é uma emissão a quatro anos. A primeira revisão de taxa ocorrerá em 2027. Se o FC Porto estiver qualificado para a Liga dos Campeões, haverá um incremento de taxa de 0,15%. Se for Campeão Nacional, haverá mais um incremento de 0,1%. No melhor cenário desportivo, pode haver um incremento de 0,25% por ano. Se conseguíssemos juntar estes dois fatores todos os anos, poderíamos chegar ao último ano com uma taxa de 6%, que pensamos ser bastante interessante para os investidores e que o FC Porto terá capacidade e todo o gosto em pagar, porque é sinal de que as coisas correram bem. É uma inovação, a primeira emissão deste género a ser feita, uma emissão em que partilhamos com o investidor fora do campo os ganhos que esperamos vir a ter dentro de campo.»
A operação insere-se no quadro global de financiamento da sociedade azul e branca, que assenta em dois eixos fundamentais: a dívida de retalho e a emissão Dragon Notes, concretizada através da Porto StadCo no final de 2024. Este novo empréstimo destina-se a refinanciar a dívida obrigacionista de 2023, com maturidade prevista para o início de dezembro, integrando um volume global emitido no segmento de retalho na ordem dos 125 milhões de euros.