Rui Borges, 45 anos, chegou ao Sporting 
em dezembro de 2024 e tem contrato com os verdes e brancos válido até junho de 2028 - Foto: MIGUEL NUNES
Rui Borges, 45 anos, chegou ao Sporting em dezembro de 2024 e tem contrato com os verdes e brancos válido até junho de 2028 - Foto: MIGUEL NUNES

Rui Borges a prazo… com os dias cada vez mais contados no Sporting

Derrota esta terça-feira com Marítimo pode mesmo ser o ponto final do treinador em Alvalade. Vitórias devem apenas adiar um cenário de saída cada vez mais vincado no horizonte. Alternativas no imediato ainda na expectativa, Abel Ferreira e Leonardo Jardim, muito apreciados, talvez só em dezembro...

Rui Borges está com os dias cada vez mais contados no Sporting, depois de mais um desaire em Alvalade, 1-2 com o Ac. Viseu, que deixou os verdes e brancos a nove pontos do líder FC Porto. Esta terça-feira, menos de 48 horas depois da derrota de domingo, os leões voltam a jogo na Taça da Liga e com o transmontano a orientar a equipa, mas é nesta altura um treinador a prazo. Derrota com os madeirenses pode assinalar mesmo o ponto final, vitórias vão adiando um cenário cada vez mais no horizonte…

O apito de Miguel Nogueira não indicou apenas o final do jogo com o Ac. Viseu, autorizou o tribunal de Alvalade a ditar uma sentença em alto e bom som: uma monumental assobiadela vinda das bancadas, com o alvo bem definido. A frustração dos adeptos do Sporting concentrou-se na figura de Rui Borges, brindado com a exibição de lenços brancos — o clássico pedido de demissão por parte das massas. O técnico leonino num autêntico furacão.

Mas o clima em Alvalade já estava pesado desde o empate (2-2) na 7.ª jornada com o Arouca, ainda em setembro, em vésperas da paragem para os jogos das seleções nacionais. As vitórias em Braga (3-1) e Lens (2-0), no campeonato e na Liga dos Campeões, ainda serviram de balão de oxigénio, deitando água na fervura da insatisfação verde e branca, mas pura ilusão de bonança... A tempestade regressou na quarta-feira, depois da derrota caseira (2-3) com o LASK Linz, que caiu como um balde de água gelada nas bancadas.

Foi então já sobre brasas que caiu o pano do jogo de domingo. Num volume de contestação bem superior ao que tinha acontecido como Arouca, adeptos acenaram com lenços brancos, num clamor ruidoso a exigir a saída do treinador.

Lenços brancos em Alvalade no final do jogo com o Ac. Viseu . Foto; MIGUEL NUNES

Rui Borges não se escondeu: deu a cara, esteve no relvado a saudar os jogadores e enfrentou o coro de assobios. Mais tarde, na sala de imprensa, recusou atirar a toalha ao chão e deixou uma garantia taxativa: na manhã seguinte era ele a orientar o treino.

Treino em Alcochete

Assim aconteceu. Manhã de segunda-feira na Academia Cristiano Ronaldo, treino às 11h30 sob as ordens de Rui Borges. A posição do treinador leonino por um fio depois da derrota caseira da véspera mas a preparação do jogo com o Marítimo sob as suas ordens, como o próprio garantira na conferência de imprensa após o jogo.

Também em Alcochete estava Frederico Varandas. O presidente dos verdes e brancos, que na parte da tarde tinha a assembleia geral da SAD na agenda, não tinha qualquer reunião formal marcada com o treinador mas ambos conversaram sobre o momento difícil…

Esta terça-feira, a partir das 20h15, nova sessão no tribunal de Alvalade que pode ser definitiva. Nova derrota pode precipitar uma sentença, vitória, ou vitórias, podem aguentar Rui Borges, adiando um cenário de saída que está no horizonte.

Rui Borges, já deu a entender, não sairá pelo próprio pé, acredita ainda numa reviravolta mediante respostas em campo, já com o Marítimo, na sexta-feira com o Casa Pia (fora) na Liga, na terça com o Shakhtar Donetsk em Londres na UEFA Champions League e no dia 7 outra vez em casa com Moreirense, antes de nova paragem competitiva para os jogos das seleções. Mas em Alvalade já paira sinal de alternativas.

Alternativas

No imediato não se vislumbra nome que possa ser consensual. Para dezembro, os de Abel Ferreira e Leonardo Jardim são a considerar, assim os treinadores de Palmeiras e Flamengo, ambos com mais um ano de ligação aos clubes brasileiros, fiquem disponíveis.

O prazo de Rui Borges em Alvalade está assim condicionado, mesmo vitórias nesta altura deverão apenas adiar um desfecho que parece anunciado desde domingo à noite. Resta saber até quando e se algum milagre pode ainda devolver inesperado crédito ao treinador.

Rui Borges, recorde-se, chegou ao Sporting no dia 26 de dezembro de 2024, para o lugar de João Pereira, herdeiro direto da herança de Ruben Amorim, que partira para o Manchester United. Nessa época de 2024/2025 conduziu a equipa leonina ao bicampeonato e à dobradinha.

Na temporada passada o treinador de 45 anos mereceu voto de confiança de Varandas com a renovação do contrato por duas épocas, até junho de 2028, com opção por mais um ano. Mas desde a derrota com o Torreense, na final da Taça de Portugal que o treinador, pelo menos para franja considerável de adeptos, ficou em xeque. A boa pré-temporada amenizou o ambiente, a competição oficial voltou a complicá-lo, mediante as duas derrotas e três empates em 12 jogos, nove pontos perdidos no campeonato e o título a ser cada vez mais uma miragem.

Nesta altura a contagem decrescente aponta para uma saída antecipada e o jogo desta terça com o Marítimo será prova de fogo para Rui Borges que pode ser o derradeiro jogo do treinador no leão ou um pouco de ar para um balão já com muito pouco oxigénio...

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