Tensão entre colegas na Ferrari marca final da época
Tensão entre colegas na Ferrari marca final da época - Foto: IMAGO

Tensão máxima na Ferrari: Hamilton acusa Leclerc e Vasseur de «falta de respeito»

Desastre da equipa de Maranello no México após desentedimento entre colegas

O Grande Prémio do México, marcado pela conquista do título histórico de Kimi Antonelli, transformou-se num autêntico pesadelo para a Ferrari. Um desentendimento logo no arranque entre Charles Leclerc e Lewis Hamilton acabou por arruinar a corrida de ambos e abrir caminho para a vitória incontestada de Max Verstappen, gerando fortes queixas e um ambiente de crispação dentro da estrutura italiana.

A equipa de Maranello tinha condições para garantir as duas primeiras posições num traçado onde as ultrapassagens são quase impossíveis, mas o ataque inicial do piloto monegasco culminou numa penalização de cinco segundos e forçou o britânico a seguir em frente na curva para se defender. Como consequência direta, Verstappen aproveitou para ultrapassar os dois monolugares da scuderia rumo ao triunfo.

Visivelmente agastado, Lewis Hamilton não poupou críticas ao colega de equipa no final da prova, após já ter alertado via rádio de que tinham «grandes problemas».

«Uma luta entre colegas de equipa é aceitável, desde que não impeça a equipa de obter o melhor resultado possível. Acredito que o interesse da equipa deve estar em primeiro lugar. Perdi uma vitória e a Ferrari perdeu pontos na luta pelo segundo lugar no campeonato de construtores. Isto é uma falta de respeito para com todas as pessoas que trabalham na fábrica. Ele já tem 29 anos, pelo que não creio que seja uma questão de idade, mas sim de mentalidade: 'ou venço eu ou não ganha nenhum dos dois', e não deveria ser assim», disparou o britânico, recordando outro episódio da época.

«Em Silverstone, eu podia ter feito de kamikaze, atirá-lo para fora e fazer-nos perder a vitória. Em vez disso, fiquei feliz pela equipa naquele momento. Estávamos em primeiro e segundo na curva 4, bastava manter as posições. Numa corrida pode acontecer tudo, mas quando o teu colega de equipa trabalha contra ti e perdes posições desta forma, a situação torna-se difícil. Falaremos olhos nos olhos, veremos se isso muda alguma coisa, mas certamente algo terá de mudar», completou o piloto de 39 anos.

Leclerc admite erro

Por seu turno, Leclerc procurou conter a controvérsia, ainda que tenha admitido o erro e a sanção imposta pelos comissários.

«A penalização foi claramente merecida. Para perceber se deveria ter sido de cinco ou dez segundos é preciso analisar a situação e as circunstâncias atenuantes. Falhámos a curva os dois, é evidente que ambos travámos tarde de mais. Não consegui fazer a curva, por isso cortei-a. O meu objetivo inicial era devolver a posição ao Lewis, mas infelizmente o Max meteu-se entre nós. Perguntei pelo rádio o que fazer e considerámos que o episódio não era suficientemente claro para me fazer cair para terceiro. Falaremos sobre isso», explicou o monegasco.

O diretor da equipa, Frederic Vasseur, reagiu com extrema dureza perante o desfecho da prova mexicana, não escondendo o desagrado pelo resultado que viu escapar por entre os dedos.

«Penso que é uma enorme falta de respeito pela marca, por todas as pessoas que trabalham em Maranello e pelos esforços que estamos a fazer. Demos um verdadeiro passo em frente em termos de desempenho e deitar fora uma vitória desta forma é difícil de aceitar. Não aponto o dedo a ninguém, quero falar com ambos. Quando largas de primeiro e terceiro no México, onde não se ultrapassa há 72 anos, não estás à espera de terminar em segundo e quarto», sublinhou o responsável.

Em termos pontuais, Lewis Hamilton segura o terceiro lugar da tabela com 259 pontos, ao passo que Charles Leclerc surge na quinta posição com 245. O calendário não dá tréguas e o pelotão regressa já este domingo à ação no Brasil, onde a Ferrari procurará recuperar a estabilidade e a união entre os seus dois pilotos.

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