Liga prepara o concurso internacional de produção audiovisual, um dos pilares da centralização - Foto: Imago
Liga prepara o concurso internacional de produção audiovisual, um dos pilares da centralização - Foto: Imago

90 minutos já não chegam

'Liga para Todos' é o espaço de opinião em A BOLA de André Mosqueira do Amaral, Diretor Executivo da Liga Portugal

A Liga Portugal esteve presente na SPORTEL, no Mónaco, um encontro internacional da indústria dos direitos audiovisuais desportivos. Entre reuniões com compradores de direitos e empresas tecnológicas, duas mensagens repetiram-se: a importância da qualidade do produto audiovisual e a capacidade de contar histórias.

Longe de constituírem novidades, confirmaram a pertinência do caminho que temos vindo a percorrer. Faz hoje exatamente 565 dias que iniciámos o nosso mandato à frente da Liga Portugal. Um número que se lê da mesma forma nos dois sentidos, mas um percurso que só faz sentido para a frente. Desde o início, assumimos que valorizar o futebol português exigia ir além da organização das competições e da comercialização dos seus direitos.

Durante décadas, o valor dos direitos audiovisuais esteve associado à atratividade das competições, à dimensão dos clubes e às audiências potenciais. Esses fatores continuam fundamentais. Mas já não chegam.

Hoje, não basta ter um bom jogo de futebol. É preciso transformá-lo num excelente produto audiovisual. A qualidade da imagem, a realização, os grafismos, os dados em tempo real, as opções linguísticas e a produção são determinantes para quem compra e distribui os nossos direitos.

É nesta perspetiva que a Liga Portugal prepara o concurso internacional de produção audiovisual, um dos pilares da centralização. Não se trata apenas de escolher quem produzirá os jogos, mas de definir o nível de qualidade, inovação e ambição com que queremos apresentar o futebol português ao mundo.

A produção audiovisual não é apenas um custo operacional. É um investimento na valorização do produto. Mas existe uma segunda dimensão, importante. O futebol não começa no apito inicial nem termina no apito final. Os adeptos apaixonam-se por jogadores, rivalidades, histórias, identidades e emoções. Querem conhecer os protagonistas, entrar nos bastidores, descobrir as cidades e comunidades que dão vida às competições. É aqui que entra o storytelling. Não como complemento de comunicação, mas como instrumento de criação de valor económico.

Esta convicção está na origem de uma aposta da atual Presidência e Direção da Liga Portugal. Desde o início do mandato, desenvolvemos uma estratégia de conteúdos assente na criatividade, na qualidade audiovisual e na proximidade aos protagonistas, com bons resultados. Há uma distinção económica fundamental entre estas duas dimensões: uma melhor produção permite valorizar o produto que já temos. Melhores histórias permitem aumentar o número de pessoas que o querem consumir. Um jogo entre duas equipas portuguesas pode despertar interesse limitado a milhares de quilómetros. Mas, se o espectador conhecer a história de um jogador, uma rivalidade ou a identidade de um clube, o mesmo jogo adquire outro significado. O conteúdo deixa de ser apenas promoção. Passa a criar procura, essencial para a expansão internacional dos nossos direitos.

Portugal reúne ativos: talento, clubes históricos, rivalidades apaixonantes, cidades com identidade e a capacidade de formar protagonistas do futebol mundial. A centralização oferece a oportunidade de transformar esses ativos num produto. Mas o seu sucesso não dependerá apenas dos resultados de um leilão. Dependerá também da nossa capacidade de melhorar a produção, contar histórias, construir audiências e combater a pirataria digital, protegendo o valor da emissão em direto.

Ao fim destes 565 dias, a SPORTEL confirmou que a estratégia escolhida está alinhada com aquilo que o mercado internacional valoriza. Porque o verdadeiro desafio não é apenas conseguir que o mundo veja os nossos jogos. É fazer com que o mundo queira acompanhar o nosso futebol.

Nota de rodapé: 565 é um número palíndromo — lê-se da mesma forma nos dois sentidos. Este artigo tem, também ele, exatamente 565 palavras.

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