Mau tempo na Europa nas duas últimas temporadas tem deixado as equipas descontentes          Fotografia Imago
Mau tempo na Europa nas duas últimas temporadas tem deixado as equipas descontentes Fotografia Imago

Superbikes: mau tempo em Portimão deixa no ar fim dos testes de inverno na Europa

Prejuízos derivados de não ter sido possível testar motas, tecnologia e pneus em Espanha e Portugal têm afetado as equipas, sobretudo as independentes, com menos recursos, por isso muitos querem um modelo semelhante ao utilizado no MotoGP e levar tudo para paragens mais quentes e secas, sobretudo se a Tailândia ou do Qatar passarem a integrar o Mundial

O mau tempo que se fez sentir em Portimão voltou a condicionar os testes do Mundial de Superbike, gerando um sentimento de frustração generalizado no paddock e, segundo o jornalista Riccardo Guglielmetti, do site GPOne, isso levou os construtores a ponderar o fim dos ensaios de inverno no continente europeu já a partir de 2027, pois as equipas independentes enfrentam prejuízos que ultrapassam os 50 mil euros.

Este foi considerado o pior inverno de sempre para o campeonato. Com exceção de dois dias de sol em Phillip Island, na Austrália, na semana que antecedeu a corrida que, entre 21 e 22 de fevereiro abriu o 39.º Mundial, as motos derivadas de produção praticamente não rodaram em solo europeu. A chuva e o vento, que já tinham complicado os testes de janeiro em Jerez e Portimão, voltaram a ser protagonistas na mais recente sessão em Portugal, arruinando planos de equipas e pilotos.

Entre os quais o português Miguel Oliveira, que depois de ter deixado o MotoGP, onde competiu ao longo de sete temporadas e somou cinco vitórias em sete pódios, esta época ingressou na BMW, detentor do título de construtores, estado em 7.º lugar (17 pts) após a abertura do Mundial e antes do campeonato se mudar para Portimão (28 e 29 de março). Primeira das duas provas que se disputam em solo nacional, sendo a segunda no Estoril (10 e 11 de outubro), penúltima corrida das 12 que compõem o calendário.

Recorde-se que o mau tempo já havia comprometido os trabalhos no ano passado, o que intensifica o debate sobre as medidas a tomar para o futuro. Uma certeza parece emergir no paddock: ninguém quer voltar a realizar testes na Europa em janeiro, tanto pelo elevado risco meteorológico como pelos avultados custos financeiros desperdiçados.

A título de exemplo, cada teste de inverno representa para uma equipa satélite um encargo de aproximadamente 25 mil euros, cobrindo despesas com equipamento, logística e voos. Com duas sessões canceladas ou fortemente condicionadas, o prejuízo ascende facilmente aos 50 mil euros.

Neste contexto, e com vista à temporada de 2027, os construtores decidiram reunir-se e propor à Dorna uma solução semelhante à já adotada no MotoGP. A ideia passa por a Dorna ou a Michelin organizarem diretamente duas sessões de testes fora da Europa durante o inverno.

Uma das hipóteses em cima da mesa é que, caso circuitos como os da Tailândia ou do Catar venham a integrar o calendário, possam acolher dois dias de testes na semana anterior à respetiva prova, à semelhança do que já acontece em Phillip Island. Esta abordagem permitiria não só reduzir significativamente o risco de chuva, mas também conter os custos, uma vez que o material já se encontraria fora da Europa, absorvendo assim o impacto económico das deslocações.

Resta agora aguardar para ver qual será o caminho a seguir para 2027, depois de dois invernos consecutivos que se revelaram, para equipas e pilotos, manifestamente para esquecer.