André Ceitil está de volta à primeira - Foto: Académico de Viseu
André Ceitil está de volta à primeira - Foto: Académico de Viseu

Subiu de divisão de manhã e... à tarde desceu com quem já tinha subido

O 'Elevador Ceitil' só tem um botão de paragem: na Liga. Pelo segundo ano consecutivo, o trinco ascendeu à primeira divisão, mas, desta vez, de forma mais mais caricata: no dia em que subiu... também desceu. Tem uma empresa pioneira e já prepara o pós-carreira com... um adjunto do Sporting

De manhã subir, à tarde descer. Só o André Ceitil faz acontecer. Fica uma sugestão de música para os aficionados do Académico de Viseu (inspirada, naturalmente, em Bad Bunny). Até porque nas Beiras, neste momento, os únicos adeptos com motivos para cantar são mesmo os viriatos.

André Ceitil viveu um sábado invulgar, no passado fim-de-semana. De manhã, subiu à Liga. De tarde, desceu à Liga 2. No final, feitas as contas, a paragem que conta é a da primeira divisão. Simples: o médio começou a temporada no Tondela, que viu a despromoção confirmada, depois de ter sido derrotado pelo Arouca (1-3). Em janeiro, transferiu-se para os viseenses, que fizeram o percurso inverso e estão de volta ao principal escalão do futebol português, 37 anos depois.

«É um sentimento agridoce. Fico muito feliz por ajudar o Académico a subir, mas também fico triste porque o clube que tanto trabalho deu a subir não tenha conseguido a permanência», começa por dizer o médio, em entrevista a A BOLA.

«Apesar de eu já não estar lá com eles [companheiros do Tondela], acabei por fazer parte e conviver com eles metade da época. Sei que não mereciam, por toda a qualidade, por todo o empenho, por toda a dedicação que têm», lamenta o jogador, de 31 anos, que há um ano ajudava os auriverdes a subir.

Nas Beiras, o centrocampista dos academistas, natural da Costa da Caparica (Almada), encontrou conforto, tanto a nível desportivo - tendo promovido Tondela e Académico de Viseu em épocas seguidas - como pessoal: «Comprei casa cá e estou a viver cá com a minha mulher. Gostamos muito, sentimo-nos muito bem, graças às pessoas desta região que nos acolheram e trataram sempre bem. São pessoas afáveis, acolhedoras, muito dadas, o que torna as coisas mais fáceis na adaptação.»

Não querendo «individualizar», André Ceitil fala em «duas subidas especiais». Uma coisa, todavia, é certa: naquele distrito há muito amor ao futebol. «Viseu é uma cidade que estava há muitos anos à espera disto e, por isso, as pessoas aderiram em massa aos festejos. O Tondela, apesar de ter menos gente, é um clube mais familiar, em que as pessoas são mais próximas. Foi diferente. Teve menos pessoas, mas foi igualmente caloroso e festejado. Tanto em Tondela como em Viseu, sentiu-se que as pessoas queriam muito o seu clube do coração de volta à Liga.» , compara

O jogador, que chegou à região beirã em 2023, fala de uma transferência pacífica entre dois grandes rivais: «Há sempre uma outra pessoa que não aceita muito bem, porque, lá está, trata-se do dérbi da Beira, como se fosse um Benfica-Sporting. Contudo, no geral, fiquei extremamente contente porque, apesar da mudança, a maioria, digo quase 90% dos adeptos e das pessoas de Tondela, aceitou muito bem. Toda a gente me desejou sorte, porque eu estava no plantel, mas não estava a ser opção, não estava a conseguir contribuir para ajudar o clube. Além disso, o Tondela não meteu entraves à saída.»

«Abracei o projeto do Académico, porque, apesar de ser de Liga 2, tinha uma estrutura de Liga e a ideia era subir de divisão», explica André Ceitil, vangloriando, agora, uma mudança certeira. «Joguei mais tempo, tive mais minutos de jogo e senti-me útil para a equipa. Ter duas subidas em dois anos é um feito marcante», afirma.

Luís Pinto e Rui Borges marcaram

Ainda sobre a ascensão do ano passado, com os auriverdes, André Ceitil destaca o trabalho de Luís Pinto: «Com ele, evoluí muito enquanto jogador. Apesar de ser jovem, aquela equipa técnica tem muito conhecimento do jogo e tem uma boa relação humana com os jogadores. Acho que merecia ter continuado no Vitória de Guimarães, pelo menos até ao fim, porque ganhar uma Taça da Liga é um feito inédito, ainda por cima naquele clube.»

Outro treinador que também o «marcou bastante» foi Rui Borges, no Vilafranquense (2022/23): «Eu vinha de uma lesão no joelho difícil, onde os médicos diziam que se calhar não iria conseguir voltar a jogar. O mister Rui e a equipa técnica dele acreditaram em mim e ajudaram-me a recuperar e a fazer uma grande época. Tenho de lhe agradecer por me terem feito chegar até aqui.»

Tem empresa pioneira em Portugal

É, precisamente, com Fernando Morato (adjunto de Rui Borges desde os tempos do Mirandela) que André Ceitil está a preparar o pós-carreira: «Dava-me tão bem com a equipa técnica do Rui Borges, que criei uma empresa com o Fernando Morato. É a Eyeskill - uma empresa de análise individual de jogadores. Ajuda-os no pré e pós-jogo, para ver como podem melhorar.»

«Vimos que não havia nenhuma empresa destas em Portugal. Somos a primeira. Trabalhamos com jogadores de várias ligas: da Liga portuguesa, da Liga 2 e Liga 3, escalões de formação, mas também no estrangeiro. Mas, como eu sou jogador e o Fernando é treinador, temos um sigilo profissional. Fundámos a empresa, mas não temos acesso ao conteúdo das sessões. Por exemplo, eu joguei contra o Marítimo, mas não tenho acesso a nada do que o analista trabalha com o Danilovic

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