Real Madrid, Celta, Valladolid e Barcelona? Jogou em todos, mas brilha em Portugal
Um dos segundos jogadores com mais partidas (32) realizadas esta época no Vizela — registo idêntico ao de Heinz Morschel e de Damien Loppy — e o terceiro do plantel com mais minutos (2604) somados — apenas atrás de Heinz Morschel (2684) e de Antonio Gomís (2970). Estes registos já dizem muito sobre Mohamed Moukhliss, mais conhecido por Moha.
O médio hispano-marroquino, de 26 anos, foi uma das grandes figuras dos minhotos... e de toda a edição da Liga 2 que agora termina.
Formado no Real Madrid — durante esse percurso tornou-se internacional sub-17 (esteve presente no Europeu e também no Mundial da referida categoria, competições que se realizaram em 2017) e sub-19 (participou também no Europeu do escalão, em 2019) por Espanha, Moha passou, depois, pelas equipas B de Celta de Vigo, Valladolid e Barcelona, sendo que na temporada passada vestiu a camisola do Murcia, no terceiro escalão do futebol do país vizinho.
O Vizela recrutou-o no início desta campanha e... foi o melhor que fez. Afinal, o camisola 5 comprovou no Minho que tinha, realmente, muita qualidade e o meio-campo dos vizelenses ganhou um autêntico patrão. Porque Moha...med(e) tudo aquilo que faz. E tudo aquilo que faz... faz muito bem. Dotado de um sentido posicional de excelência, o hispano-marroquino é mestre em antecipar as iniciativas contrárias para recuperar a posse, mas quando o tem de fazer na sequência de duelos individuais também ganha muitos mais lances do que aqueles que perde. Porque sabe utilizar o físico para se colocar em posição de vantagem sobre os adversários. Depois disso, e já com bola, Moha revela qualidade e inteligência na primeira fase de construção, dando início ao jogo ofensivo do coletivo com movimentos em progressão ou com passes que colocam os companheiros em plenas condições de darem andamento ao ataque.
O médio é também presença assídua no último terço ofensivo, na chamada zona das decisões, pelo que não é de estranhar que tenha concluído a época 2025/26 com os melhores registos da carreira: 32 jogos, dois golos marcados e cinco assistências.
É certo que o Vizela acabou por não conseguir a promoção ao principal escalão nacional — apesar de ter estado na luta até bem perto do final do campeonato —, mas também não é menos verdade que no conjunto minhoto emergiram vários jogadores que fizeram por merecer a aposta na elite lusa. Moha é, claramente, um desses casos. Porque além de ter (muita e boa) escola, o médio, atualmente com 26 anos, está num interessantíssimo ponto de maturidade para pisar os principais palcos do contexto português.
BONS VENTOS E BONS... CASAMENTOS
Chegou ao futebol português no início desta época, com 29 anos, mas ainda muito a tempo de deixar uma marca interessante na UD Leiria: 39 jogos, sete golos e seis assistências. Falamos de Pablo Fernández, um ponta de lança espanhol que nunca tinha alinhado fora do país vizinho.
No percurso conta com passagens por Gijon, Cornellà e Nàstic, e ao longo destes anos foi sempre tendo no golo um dos seus nomes do meio. Forte fisicamente e astuto no jogo aéreo, o camisola 19 dos leirienses possui também passada larga para o ataque à profundidade. Ainda pode dar mais.
DANY JEAN DIZ HAI(DE)TI
«Estou atento, já vou cair em cima dele». Esta podia ser a interação entre dois jogadores da mesma equipa sobre a marcação a Dany Jean. Mas o melhor mesmo é não ser Jean: é agora! Porque a velocidade do internacional haitiano do Torreense é de tal ordem que um milésimo de segundo perdido pode ser... fatal.
Depois dos 14 jogos, dois golos e duas assistências na segunda metade da temporada passada (quando chegou ao Oeste, proveniente dos franceses do Rodez), o veloz extremo rebentou este ano: 36 partidas, quatro tentos e três passes certeiros. Como voa... E vai ao Mundial.
KUSSO(U)... FEZ FERIDA
Um regresso em grande. David Kusso concluiu o seu processo de formação no Chaves, chegou à equipa principal na época passada, mas na segunda metade foi cedido à Sanjoanense. Voltou, esta época, a Trás-os-Montes e fixou-se em definitivo no emblema flaviense: 30 jogos, cinco golos e três assistências.
O jovem lateral/ala esquerdo angolano, de apenas 22 anos, dá conta do recado no referido flanco, sendo bastante competente nas tarefas defensivas e extremamente acutilante nas dinâmicas atacantes. É também forte na bola parada e tem um pontapé que não é brincadeira...