Letra inspirada em música cantada pelos fãs do Nápoles

«Feliz» em Milão, Modric lamenta não ter tido mais tempo com Mourinho

«Madrid é a minha casa e gostava de voltar», refere

Luka Modric está feliz na sua nova etapa com o Milan, mas depois de anos no Real, revela saudades da capital espanhola e o desejo de regressar... após terminar a carreira. Apesar de estar a desfrutar de Milão, Madrid continua a ser uma presença constante na sua vida, após 13 anos que o marcaram profundamente, a si e à sua família. O jogador não esconde, em entrevista ao jornal Marca, que o futuro, depois de pendurar as chuteiras, passa por fixar residência na capital espanhola, que já considera a sua casa.

Questionado sobre as saudades que Madrid sente dele, Modric admite que o sentimento é mútuo. «Eu também sinto falta de Madrid, da cidade, do clube e de tudo. Mas posso dizer que me sinto bem e feliz aqui em Milão, receberam-me de braços abertos desde o primeiro dia», afirmou, acrescentando que, embora sinta muitas saudades, está contente em Itália.

A mudança foi particularmente difícil para a família, especialmente para os filhos, que cresceram e se sentem madrilenos. «Quando eles me perguntam 'quando voltamos para casa?', referem-se a Madrid», partilhou o jogador. Para Modric, foi mais difícil dizer adeus do que adaptar-se a uma nova realidade. «Quando sabes que deste tudo, que fizeste tudo o que estava ao teu alcance por este clube, sais de cabeça erguida. Eu saí de cabeça erguida», sublinhou.

Apesar da enorme exigência do futebol de elite, o croata garante que se divertiu no Real Madrid, explicando que funciona melhor sob pressão. «No Madrid, por exemplo, ganhas a Champions, começa uma nova temporada, chega a pré-época, perdes um jogo e já há crise. Isto diz-te qual é a verdadeira exigência que existe», observou, acrescentando que o clube «nunca está satisfeito com o que fizeste, tens de olhar para o próximo».

Cultura de exigência no Milan

A sua escolha pelo Milan, clube com sete Ligas dos Campeões, foi motivada por essa mesma cultura de exigência. «O Milan é um dos melhores clubes do mundo, um clube histórico», afirmou. Modric reconheceu que o clube italiano não tem tido os resultados habituais nos últimos anos, mas isso «não invalida que continue a ser um clube grande e um dos mais queridos do mundo».

Luka Modric e Ruben Amorim

Para a nova temporada, agora com Ruben Amorim ao leme, o objetivo é claro: «Fazer melhor do que no ano passado». Modric recordou a desilusão da época anterior, em que a equipa esteve na luta pelo Scudetto até perto do fim, mas acabou por falhar o apuramento para a Liga dos Campeões. «Foi um golpe duro, porque o Milan, no mínimo, tem de jogar a Champions todos os anos pela sua história. Agora estou entusiasmado com o novo projeto, novo treinador e vários jogadores novos», comentou, entre eles Gonçalo Ramos.

A questão da idade «já cansa»

Prestes a fazer 41 anos, Modric abordou a sua longevidade no futebol de alta competição, desvalorizando a importância da idade e até confessou que as constantes referências à sua idade - desde os 33 anos, notou - já o cansam, mas que também servem de motivação.

«Não é que me incomode ou que me zangue, mas já cansa. Cansa ouvi-lo», afirmou Modric sobre o debate em torno da sua idade. O jogador recorda que esta conversa não é recente. «Este discurso começou em 2019, depois do Mundial, quando tinha 33 anos. Nessa altura já se dizia: 'Vamos ver quanto tempo dura, já tem 33, já tem 34, já não aguenta mais...'». Desde então, o palmarés e o rendimento falam por si. «Depois disso ganhei mais duas Ligas dos Campeões, fui terceiro noutro Mundial com a Croácia, cheguei à final da Liga das Nações, ganhei outros títulos e, não gosto de falar de mim, mas creio que em algumas épocas joguei o melhor futebol da minha vida», sublinhou.

A chave para a sua notável condição física, segundo o próprio, não reside apenas na genética. «Sinto-me muito bem fisicamente. Muitos dirão que é genético, e pode ter algo a ver, mas não é só isso. Se não trabalhas, se não te dedicas a cem por cento todos os dias, em cada período de férias, é difícil aguentar a este nível tanto tempo. É quase impossível. Nas férias, não passo uma semana sem fazer nada. Treino todos os dias. Ou jogo ténis, ou basquetebol, ou vou correr. Está dentro de mim»», explicou.

O desejo de competir continua a ser o motor. «Quero competir, dar tudo e tentar que o Milan volte a ganhar. Todos juntos. Um jogador não o pode fazer sozinho, mas todos juntos temos de fazer um esforço para tentar que o Milan volte, pouco a pouco, para onde deve estar», concluiu.

A importância de Mourinho

Luka Modric revelou que a sua transferência para o Real Madrid em 2012 se deveu, em grande parte, à insistência de José Mourinho. O médio croata destacou o papel fundamental do treinador português, que fez «tudo o que estava ao seu alcance» para garantir a sua contratação junto do Tottenham.

José Mourinho juntamente com Luka Modric (HNS @HNS_CFF)

Segundo Modric, a negociação com o clube londrino foi «dura e longa», e a determinação de Mourinho foi decisiva. «Se ele não tivesse sido tão insistente, talvez o Real Madrid se tivesse retirado da negociação. Mas ele foi insistente e queria-me», afirmou, acrescentando que o clube contratou apenas Essien por empréstimo e a si como aquisição definitiva nesse verão.

Apesar de reconhecer a importância de todos os envolvidos, incluindo o presidente, por quem nutre um «carinho especial», Modric sublinha que Mourinho foi o primeiro a apostar em si. «Estarei sempre grato por esse tratamento, por esse carinho desde o primeiro dia», confessou. O único lamento do jogador é não ter trabalhado com o técnico português por mais de um ano. «Aprendi muito nesse ano com ele, mas teria gostado de treinar mais tempo com ele», admitiu.

Sobre o regresso de Mourinho ao clube, Modric considera que «já é tarde» para voltarem a trabalhar juntos, mas não poupa elogios. «O clube acertou muito com a sua contratação, porque ele é um vencedor, um grande vencedor, e conhece a casa. Sabe o que é preciso para ganhar», comentou, desejando sucesso tanto ao treinador como ao Real Madrid.

Olhando para o futuro, Modric não esconde o desejo de regressar a Madrid, cidade que considera a sua casa. No entanto, impõe uma condição: «Não quero voltar só por voltar e estar lá por estar. Quero ser útil, quero ajudar o Real Madrid. Só voltaria para fazer algo útil, fazer as coisas bem e trabalhar não no Real Madrid, mas para o clube. Como disse o Mourinho há pouco tempo, temos de trabalhar para o Real Madrid, para o ajudar em todos os sentidos, para o tornar cada vez maior. Só assim é que eu gostaria de voltar.»

Apesar de o futuro ser incerto, Luka não escondeu a sua vontade, tanto a nível profissional como pessoal. «Vamos ver. É a minha casa, sou madridista agora e sê-lo-ei sempre. Se for honesto, claro que gostaria», confessou, acrescentando que a sua intenção é voltar a viver em Madrid. «Mas vamos ver o que a vida nos traz, nunca se sabe. Nunca se pode dizer nada com segurança. Mas oxalá, oxalá que aconteça».

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