Sporting: a falta de controlo nos jogos, Ioannidis e Suárez mas também o mercado e até Palhinha, tudo o que disse Rui Borges
O Sporting recebe este sábado, às 20h30 em Alvalade, o Alverca, segundo jogo seguido dos verdes e brancos em casa, depois do 3-2 ao Vitória de Guimarães na 2.ª jornada do campeonato. Antes disso, 2-2 com o Estrela da Amadora na Reboleira, na ronda inaugural da Liga 2026/2027.
Em comum, estes dois jogos tiveram as entradas em grande dos leões, as vantagens (2-0 e 3-0) conseguidas mas logo a quebra nas segundas partes, uma a permitir o empate e a outra a colocar Alvalade numa pilha de nervos até ao apito final. Rui Borges abordou o tema. Mas também a situação de Ioannidis, de Suárez; o mercado com Geny Catamos e o lateral-esquerdo à cabeça. Eis tudo o que disse o treinador do Sporting, na Academia Cristiano Ronaldo em Alcochete, onde fez a antevisão do encontro com os ribatejanos.
— O que se pode esperar deste Alverca?
— Manteve estrutura base de jogadores. Conhecem-se minimamente, o entrosamento já lá está. Há sempre nuances com a mudança de treinador, maneiras de pensar diferentes, mas é uma equipa muito competitiva. Os homens da frente são muito fortes, a linha defensiva também e muito alta. Jogam num 4x4x2, por vezes num 5x4x1 ou num 3x5x2 híbrido... Sabemos disso, identificámos as melhores maneiras de aproveitar os espaços, de estarmos preparados para as transições. Eles têm jogadores fortes no um para um, rápidos, intensos e competitivos. Foi das equipas que mais rematou à baliza adversária nos dois primeiros jogos. Chutam muito e temos de estar preparados para os equilíbrios nos momentos de perda, em que estamos em organização ofensiva e com o bloco mais alto. Acredito que estaremos preparados.
— O que será preciso fazer para conquistar a confiança dos adeptos, uma vez que a equipa tem perdido o controlo dos jogos nas segundas partes?
— Acima de tudo é preciso crescer e ganhar. Enquanto treinadores, equipa técnica e equipa, percebermos como sofremos os golos... E se analisarmos é simples: temos de melhorar muito nos equilíbrios, nas abordagens, até individuais, e crescer. Mas crescer é ganhar. A exigência é a do Sporting: não chega ganhar, temos de jogar bem. Mas acontece com os adeptos e connosco. Que seja um jogo bonito, com bom futebol. Queremos muito isso e os adeptos também. Mas é importante crescer a ganhar, o resto ganha-se com o tempo.
— Mas faltou criar oportunidades nessas fases mais críticas e controlar?
— A equipa mudou muitíssimo. Os jogadores são diferentes e é preciso haver adaptações individuais e coletivas. A minha preocupação no último jogo até teve mais a ver com a nossa incapacidade de criar situações de finalização, mais do que sofrer os golos. Porque depois, se formos analisar a 2.ª parte, o controlo do jogo é um bocadinho subjetivo... O V. Guimarães teve três remates à baliza e de resto não conseguiu criar assim tanto como fizeram crer. Temos de conseguir gerir com bola e sermos capazes de criar algum desconforto no adversário. Perceber o porquê disso. Mas faz parte do crescimento da equipa, enquanto nós, treinadores, tentamos perceber como podemos crescer coletivamente enquanto equipa. Mostrar que, apesar de sermos uma equipa jovem, estamos no Sporting e temos obrigação e exigência de fazer mais durante os 90’, termos mais consistência… Não temos sido capazes mas não tenho dúvidas de que vamos ser.
— Ba está pronto para ser titular?
— Ele e o Zeno [Debast] têm treinador bem e estão a 100 por cento, podem dar contributo à equipa.
— Pedro Gonçalves e Daniel Bragança estão a treinar à parte? Não seria benéfico continuarem a ajudar nesta fase?
— Têm treinado com a equipa. Estão com o grupo e são jogadores do Sporting, é a única coisa que vou dizer.
O mercado
— Geny Catamo está na mira do Sunderland, até o selecionador de Moçambique já falou sobre isso… Já falou com o jogador?
— Falei do Geny como falei com todos os outros. Em relação ao selecionador, não vou dar resposta. Estamos no Sporting, os jogadores são pretendidos por várias equipas, temos de saber lidar com isso, como treinador também tenho de ajudar neste equilíbrio emocional. Esta semana, já tinham entrado mais 10 jogadores no Sporting, já tinham saído mais quatro ou cinco. É o mercado a funcionar, o vosso trabalho também. Estou focado no dia a dia, na resposta do Geny e de todos os outros. Ele tem feito um trabalho fantástico, tem jogado e bem, e está completamente focado no Sporting.
— Ioannidis sentiu alguns problemas físicos, já sabe quem vai jogar, Suárez pode entrar e dar boa resposta?
— O Fotis [Ioannidis] estará em dúvida até à hora do jogo, está ali com um problema entre a grade costal e a parte lombar e estará em dúvida até à hora do jogo. É o máximo que posso dizer em relação a isso, depois tomarei a decisão de quem jogará. O Luis Suárez tem treinado bem, à espera que o treinador o escolha para jogar de início. Seja para jogar de início ou 20', tem de dar resposta, porque tem trabalhado para isso. Está triste? Não havia melão no balneário e ficou triste, deu dura no nutricionista, deixem-se disso... Está a treinar-se bem, à procura da melhor forma.
— Olhando para o mercado, que acha que se reforçou melhor dos três grandes? E como vê a ida de Palhinha para o Benfica? O Sporting fica mais bem servido com Altimira?
— O Sporting está feliz com o Altimira, tão simples quanto isso. Em relação aos jogadores dos outros clubes, não comento. Não estou preocupado com a casa do vizinho, estou sim com o meu plantel e com o que fomos capazes de fazer com o mercado. Procurámos alguns antecipadamente, outros fomos lendo o mercado e estamos felizes com o plantel e acreditamos que com o passar do tempo vamos crescer. Houve mudanças grandes de jogadores, mas estamos confiantes. Houve mudanças grandes em termos de jogadores e posições importantes e isso vai requerer algum tempo e paciência mas já sabíamos disso.
— O que falta é um lateral-esquerdo. Tem-se falado de Zekri: é esse o perfil, de um jovem, ou está a ver-se ainda alguém mais experiente?
— Já ouvi falar de tantos defesas-esquerdos… Não vou estar a comentar o Moncef [Zekri]. Já se falou de tantos... Tem a ver com o que o mercado poderá dar: queremos um defesa-esquerdo e perceber o que o mercado pode dar. Por um lado, às vezes, queremos um jovem, depois até podemos querer outro perfil… É perceber, dentro do que o mercado oferece, qual a melhor opção: se é um jogador mais jovem ou maduro...
— Kochorashvili já é oficial no Sevilha, o que falhou no Sporting?
— O futebol é isso. Chegou num ano em que criámos expectativas e trabalhou imenso mas teve um ou outro problema físico que o condicionou. Apesar de tudo foi um jogador que sempre respeitou as nossas opções e deu o máximo. É desejar-lhe a maior sorte do mundo.
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