Doué corre atrás de Olise depois de combinarem o golo do 4-1 - Foto: IMAGO
Doué corre atrás de Olise depois de combinarem o golo do 4-1 - Foto: IMAGO
Adicione A BOLA às suas preferências do Google

Zidane tinha o ouro no banco e só teve de abrir o cofre (crónica)

Selecionador francês fez poupanças e até estreou um guarda-redes. Lukebakio gelou o Stade de France com um bom golo, mas a partir do momento em que entrou a cavalaria liderada por Olise, tudo mudou: jogam muito estes rapazes de azul

A França goleou a Bélgica, por 4-1, esta noite, no Stade de France, em jogo do Grupo A1 da Liga das Nações, numa espetacular reviravolta conduzida no último quarto de hora pelos jogadores que saíram do banco de suplentes, que só por causa da gestão física tinham começado a partida fora do onze titular.

Zinedine Zidane mexeu na equipa inicial em nome da saúde física dos craques, incluindo na baliza, deixando Maignan no banco e apostando em Guillaume Restes, estreia absoluta do guardião do Toulouse pela França. Mbappé, já se sabe, está de fora por lesão.

Algumas estrelas estavam de fora, mas outras estavam dentro: Dembelé, Barcola, Akliouche, por exemplo, o suficiente para encostar a Bélgica às cordas. Com Lukebakio e Diego Moreira nos corredores direito e esquerdo, respetivamente, a formação dirigida por Van Bommel apostou num jogo de contra-ataques e de lançamentos para Lukaku aguentar a bola a esperar a chegada dos médios.

A estratégia do treinador neerlandês deu certo durante muito tempo: aos 37', Lukebakio fez uma diagonal fugindo ao fora de jogo, aproveitando que a defesa francesa estava demasiado atenta ao movimento do ponta de lança do Fenerbahçe, surgiu isolado pelo passe longo de Lavia e teve um remate colocadíssimo que só parou no fundo das redes. Estava feito o 1-0, resultado que não sofreu alterações até ao intervalo e até ao momento em que Zidane fez o óbvio - virou-se para trás, mandou aquecer a cavalaria e um bruá ecoou nas bancadas: primeiro, com a entrada do trio Da Cunha, Cherki e Olise (este último o mais acarinhado) e um pouco mais tarde Doué.

Todos os suplentes, que valem o peso em ouro, à sua maneira, mudaram o jogo. Lucas da Cunha a fazer circular a bola de forma mais rápida, mas fundamentalmente Olise a provocar danos estruturais nos belgas, ainda por cima jogando muito próximo de Cherki em tabelas constantes.

O jogador do Man. City ainda obrigou Vandevoordt a uma enorme defesa (67'), mas dez minutos depois abriu-se a comporta: Doué assinou o empate num remate cruzado de pé esquerdo à entrada da área, aos 81' Cherki respondeu à jogada individual de Olise pela direita (em bom rigor foi autogolo do guardião belga, pois defendeu o remate e viu ressaltar a bola no braço antes de entrar na baliza), aos 88' Olise fez o 3-1 em nova jogada de combinação e aos 90' o jogador do Bayern fechou a contagem após uma fantástica combinação com Doué, jogada que teve arte, velocidade e imprevisibilidade, sacando um sorriso de orelha a orelha a Zidane.

Ao 80.º jogo entre as duas seleções, finalmente houve o desequilíbrio - 31 vitórias, para os franceses, 30 para os belgas, 19 empates. Com um banco assim, não há história que resista.

A iniciar sessão com Google...