Alverca: Sérgio Ferreira rejeita início «para despachar» e dá novidade para Alvalade
O Alverca entra na 3.ª jornada da Liga ainda em busca da primeira vitória na competição. Depois da derrota no Dragão (2-0), na ronda inaugural, os ribatejanos empataram na receção ao Estrela da Amadora (2-2) e, este sábado (20h30), têm nova prova de fogo, em casa do Sporting.
Na antevisão do embate com os leões, Sérgio Ferreira assegurou que o modelo de jogo ousado que colocou em prática frente ao FC Porto é para manter, mas realçou, também, a importância de manter a «humildade» e, acima de tudo, a equipa estar pronta para abdicar de fazer aquilo que mais gosta dentro de campo.
«Foi algo a que nos propusemos quando viemos para cá. O nosso objetivo e o nosso espírito de missão são exatamente esses: ser o mais competitivos possível. E acreditamos que ser o mais competitivos possível é ser ousado quanto baste e ser humilde quanto baste também. Ousado na proposta e na iniciativa do jogo e procurar propor a nossa ideia, com e sem bola. Já percebemos que tipo de ideia é que queremos propor, apesar de não estar fechada. Agora, temos de ser também humildes para perceber que há momentos em que temos de ter paixão por aquilo que não nos dá tanto conforto e que nos dá desconforto, até, como por exemplo termos de defender até à morte, seja mais à frente, mais a meio ou mais baixo. Temos de começar a ser brilhantes nisso também, mas, acima de tudo, picar essa paixão tanto num plano mais individual como num plano coletivo. Se queremos olhar para qualquer equipa nos olhos, temos de ter essa capacidade de ser ousados para impor, para propor, mas temos também de ser humildes para, quando tivermos de estar por baixo ou quando tivermos de passar mais tempo sem bola, fazê-lo também», começou por referir o técnico do Alverca.
Nas primeiras três jornadas, a equipa ribatejana arruma já duas das visitas mais difíceis do campeonato (Dragão e Alvalade), mas Sérgio Ferreira rejeita que a ideia que guia o plantel não consiste em «despachar» o arranque.
«Vamos sempre em busca de pontos e procurar ser competitivos. A partir do momento em que, desde muito pequeno, ambicionava estar nestes palcos dos ditos grandes, logicamente ficamos preenchidos. Não há ansiedade nenhuma. Temos é de desfrutar, e só é possível fazê-lo quando sabemos perfeitamente aquilo que temos de fazer, o plano que temos e ter esse plano suportado por uma crença inabalável. Portanto, este início de campeonato não é para despachar. Apanhar FC Porto e Sporting nas primeiras três jornadas significa que temos de estar ao mais alto nível. Foi essa a exigência que começámos a impor desde o dia 6 de julho, assim como a nossa ideia e o nosso estilo. O Estrela também é uma equipa extremamente competente, que nos fez ter de encontrar diferentes soluções, mas, acima de tudo, temos de nos preparar ao mais alto nível. Foi isso que fizemos e é isso que vamos continuar a fazer, seja contra o Sporting, seja contra o Santa Clara, seja depois contra o SC Braga. Esta liga pede que estejamos sempre preparados ao mais alto nível», vincou o técnico de 38 anos, em conferência de Imprensa.
Em Alvalade, Sérgio Ferreira espera encontrar um Sporting «forte», com «boas ideias» e «variabilidade no plano individual». «FC Porto e Sporting são equipas diferentes. De um lado, temos uma equipa que é mais organizada e mais fechada, do outro há uma equipa que alterou alguma coisa no seu registo de uma época para a outra, tendo em conta os jogadores que também contratou. São duas equipas que requerem abordagens diferentes, sem nunca perdermos o nosso foco e a nossa linha orientadora, que é a nossa forma de jogar», reiterou o homem do leme do Alverca, desvalorizando a mais do que provável troca no ataque leonino: Ioannidis, lesionado, deve ceder o lugar no onze a Luis Suárez.
«São jogadores diferentes e, logicamente, trazem necessidades e preocupações diferentes. Agora, jogue o Ioannidis ou o Suárez, é exatamente igual, porque são jogadores de muita qualidade. A equipa do Sporting também vale por um todo. O individual também traz mais qualidade e a variabilidade de que temos vindo a falar, mas, acima de tudo, estamos muito preocupados com aquilo em que estamos focados: nós», acrescentou.
André Vidigal já vai ao covil do leão
Desafiado a falar sobre as mais recentes contratações — o central inglês Mofe Jemide e o extremo luso-angolano André Vidigal —, Sérgio Ferreira revelou que o segundo já vai integrar a convocatória para o encontro deste sábado, frente ao Sporting, até porque Chiquinho, uma das grandes figuras da equipa, é baixa, por estar a cumprir castigo.
«Sabemos perfeitamente aquilo que o Chiquinho pode trazer ao jogo, mas, acima de tudo, aquilo que nos tem de fazer valer é o nosso coletivo, a nossa ideia, o nosso estilo. André Vidigal? Vai a Alvalade. O André traz-nos experiência, traz-nos bagagem pelo passado que tem no nosso campeonato e noutros. Para além disso, é um jogador com golo, muito agressivo em termos ofensivos, que nos traz algum engano e simulação no último terço. Mas, acima de tudo, vale por aquilo que é o entendimento dele da lógica coletiva. Já deu sinais disso no pouco tempo que teve connosco. Com isto quero dizer que ele quer fazer valer-se por aquilo que o diferencia, que é a parte ofensiva, mas também tem um grande compromisso com a parte defensiva. É dentro desse espírito que procuramos jogadores, com esse perfil, que possam aportar nos dois lados do jogo. Mas, acima de tudo, que nos tragam competência, competitividade e que nos tragam também um desejo e uma ambição enorme de conquistar pontos», afiançou Sérgio Ferreira, «plenamente satisfeito» com a constituição do plantel.
«Estou muito satisfeito com o plantel que temos. Sei perfeitamente que o Pedro [Alves], o Fernando [Malta] e o Dominique [Castro], que são excelentes profissionais, estão sempre à procura de melhorar, de trazer mais competitividade, trazer mais qualidade ao plantel do Alverca. Portanto, aqueles jogadores que estão connosco neste momento têm sido fantásticos no que toca ao compromisso, à entrega perante a nossa ideia e a nossa forma de treinar. Estamos muito satisfeitos e acho que têm deixado excelentes indicações — aliás, tenho a certeza — e que têm crescido enquanto jogadores e enquanto equipa também», rematou o treinador.