Sporting: a falta de competência, o Gil e também José Mourinho… tudo o que disse Rui Borges
Chegou a hora da verdade. O Sporting joga com o Gil Vicente este sábado às 20h30 em Alvalade, na última jornada do campeonato. Mas os verdes e brancos não jogam apenas o encontro com os gilistas, jogam também com o Benfica, que à mesma hora defronta o Estoril na Amoreira, o 2.º lugar e com ele o acesso à UEFA Champions League e aos milhões que ela possibilita. A vitória leonina (4-1) com o Rio Ave na ronda 33 e o empate das águias (2-2) com o SC Braga permitiu a ultrapassagem dos verdes e brancos que partem para esta última dança com dois pontos de avanço nesta particular luta (79 contra 77).
Mas na Academia Cristiano Ronaldo, esta sexta-feira, não se falou apenas da Liga, também de mercado, da Seleção e das despedidas de Alvalade. Ainda assim, abordou-se as declarações de José Mourinho e falou-se de competência. Eis tudo o que disse o treinador Rui Borges na conferência de antevisão do encontro da 34.ª jornada com a equipa de Barcelos:
— Que simbolismo tem este último jogo em Alvalade e o que espera do Gil Vicente?
— Deixe-me primeiro enaltecer a casa cheia para amanhã, sinal de que os adeptos estão connosco e querem passar essa força extra e isso vai ser muito importante para vencer o Gil, uma boa equipa, que está a fazer um excelente campeonato e está na luta pelas competições europeias... Isso dita bem a dificuldade do jogo. Uma equipa muito bem organizada, com bloco muito coeso, médio/alto e com bons gatilhos de pressão. É equipa que permite pouco aos adversários, é fortíssima nas bolas paradas ofensivas. Mais uma vez, isso dita bem as dificuldades para amanhã. Daí ter começado a dizer que é importante ter casa cheia para o grupo sentir essa boa energia. Tem sido um final de época bastante intenso e precisamos disso para nos ajuda.
— Referiu o que o Gil está a fazer esta época mas todos se lembram do jogo de Alvalade da temporada passada. Espera um Gil tão forte também? Esse jogo foi motivo de conversa com os jogadores?
— A vontade do Gil Vicente tem sido demonstrada ao longo da época, mérito de jogadores e treinador. Amanhã não deixará de ser o Gil que tem sido: gostam de ter bola, têm um processo bem definido, são muito fortes no um para um e nos corredores, são também das mais eficazes nos cruzamentos, têm vários golos fora de área. Estão a fazer uma grande época e acredito que será um grande Gil Vicente, até porque tudo fará para conseguir o objetivo das competições europeias. Sabemos da dificuldade que vai ser, daí ter dito que é importante Alvalade estar lotado. A energia no ano passado foi boa para ganharmos nos últimos minutos mas esta semana analisámos o jogo desta época.
— Taticamente onde pode estar a chave do jogo e quais as maiores forças das duas equipas?
— O Gil é uma equipa fortíssima em bloco médio. Se não for a melhor do campeonato, é das melhores. É muito competente e coesa, dá pouco espaço, é competitiva... Tem muito bem definidos os timings de pressão e eu identifico isso porque me identifico em algumas coisas. No Sporting... a qualidade coletiva e individual. Qualquer equipa sabe que se der espaço a esta equipa, será difícil contrariar a nossa qualidade. O Gil pode ter essa capacidade por ser muito competente e com bola também tem o processo bem definido. Cruzamentos, bolas paradas ofensivas, um para um nos corredores... Sabem que o Sporting por vezes se expõe e há algum espaço.
— Vai haver despedidas de Alvalade por parte de alguns jogadores…
— É normal que haja a do Morita, todos sabem que termina contrato e será a despedida de um jogador que marcou a história do Sporting, bem como a mim pessoalmente também. E do Quenda, que voltará ao Chelsea, agora a sua casa mãe. É um miúdo, um jogador mais maduro. Deram muito ao Sporting. Ganharam esse direito de se despedirem a bem, de serem muito aplaudidos. Ganharam esse respeito pelo caráter, personalidade e qualidade individual. Mas, acima de tudo, por tudo o que deram sempre em prol do Sporting. Esses dois são os únicos de que posso falar.
— Como está o boletim clínico? Vagiannidis está apto?
— Vagiannidis está em dúvida para amanhã, é a única coisa que posso dizer. O Zeno [Debast] está fora, o Morten [Hjulmand] começou a fazer trabalho de campo.
As declarações de José Mourinho
— Na conferência do Benfica, Jose´Mourinho recordou a Taça de Portugal do ano passado e jogos mais recentes, falou de milagres. Vê estas palavras como tentativa de condicionar a arbitragem?
— O mister deve ser tão devoto como eu a Nossa Senhora de Fátima. Não vou entrar nessa luta, quero ser 2.º classificado e levar de vencida uma boa equipa, que está a fazer um grande campeonato. Vai ser um jogo competitivo e intenso, que vai exigir o nosso melhor.
— Mas ele falou várias vezes em milagres e insinuou que o Sporting acaba por ser beneficiado e o Benfica prejudicado. Que interpretação faz?
— Têm de lhe perguntar a ele. Estou focado em ser competente. Sei que não fui em alguns jogos e não fui campeão por causa disso. Tem a ver muito com as soluções que possa arranjar para a minha equipa para me tornar melhor. Estou focado nisso, em ser cada vez melhor e mais competente para ser campeão, que é o meu objetivo. Não conseguimos ser porque em alguns momentos não fomos tão competentes como queríamos.
— Assume essa responsabilidade? E qual o maior ensinamento que retirou desta época?
— Sou exigente comigo, quero ganhar sempre e não consegui. É porque tenho de ser mais competente. Eu e a minha equipa técnica. Já disse que vou sempre dar a cara pela minha equipa, porque eles dão tudo, são um grupo extraordinário. Quando as coisas não correm tão bem é porque eu tinha de ajudar melhor, ser mais determinado. Isso faz parte do crescimento de um treinador. Oxalá que aconteça um ano em que ganhamos sempre mas é difícil. Tem a ver com a exigência diária e com o crescimento enquanto treinador.
— Mas essas declarações de José Mourinho beliscam o mérito do Sporting de chegar ao 2.º lugar?
— Não beliscam nada, só belisca o facto de não termos sido capazes de ser campeões. Na próxima época queremos ser melhores. Queremos muito conquistar a Taça de Portugal, que ainda é um troféu nosso e queremos muito continuar com ele. Estou mais preocupado com o que fomos e não fomos capazes de fazer em alguns momentos…
— Então, em que jogo acha que mais errou e que jogo mais prazer lhe deu?
— Tinha de pensar bem e analisar da melhor forma, não é num minuto que farei isso... Podemos sempre ser melhores. Não perdemos pontos só num jogo, portanto podia ter sido melhor em qualquer jogo que não ganhei. Se não ganhámos é porque não fomos tão bons e temos de fazer o nosso trabalho e analisar da melhor forma, crescendo enquanto treinadores e equipa.
— É este jogo com o Gil e o possível 2.º lugar que define uma boa época ou a Taça de Portugal também?
— Não olho nessa perspetiva, são dois jogos importantes e que ainda ditam muita coisa. Mas temos de ter essa responsabilidade e noção. A diferença de jogar Champions ou Liga Europa e o facto de ainda podermos ganhar um troféu que conquistámos o ano passado... Mais do que pensar se dita a época... Já disse que não tinham sido aqueles 15 dias menos bons que ditaram o que os jogadores fizeram esta temporada e não posso dizer que, por um jogo, não fizeram boa época. Foram competentes, eu é que tenho de ajudar de forma melhor. Eles querem sempre o melhor, às vezes não vão conseguir e eu darei sempre a cara. Não é isso que vai ditar a boa ou má época.
O mercado
— Já se fala muito de mercado, há contratações internas… O Sporting vai privilegiar esse mercado interno?
— Não vou comentar o mercado… já tínhamos duas equipas para a próxima época! Temos de estar focados no jogo de amanhã, que poderá dar a presença na Liga dos Campeões. Esse tem de ser o único foco.
— Mas a chegada de Zalazar encaixa nas necessidades da equipa?
— Em relação ao mercado, é o que acontece todos os anos. Saem uns e entram outros. Estou muito focado no jogo de amanhã porque dita muito. Apesar de não termos conseguido o grande objetivo que queríamos, agora queremos terminar em 2.º para estarmos na Champions. Vão sair jogadores, vão entrar jogadores como em qualquer equipa do mundo e em qualquer época. E nós temos isso bem identificado [na altura da conferência de imprensa ainda não tinha sido oficializada a contratação do uruguaio].
Seleção e Pizzi
— Chegou a ser companheiro de Pizzi, que se despede amanhã dos relvados.
— Sim, deixo-lhe uma palavra. Acima de tudo é um amigo que fez arreira fantástica e lindíssima. Marcou o futebol português, a nossa Seleção, o meu distrito… é transmontano, muito humilde. Sou muito amigo dele. Era um miúdo e eu era um bocadinho mais maduro mas ficámos sempre amigos. Existiu sempre muito respeito, mesmo quando ele estava no topo. Foi sempre a mesma pessoa e isso tem muito a ver comigo também. Se calhar é por isso que somos amigos até hoje. Desejo-lhe um futuro tão risonho quanto o seu passado. Um abração grande para ele e o desejo da maior sorte do mundo.
— Que jogadores deste Sporting que merecem ser convocados por Roberto Martínez para o Mundial
—Todos fazíamos uma convocatória diferente, ninguém aqui fazia uma igual. Os meus jogadores merecem sempre, são sempre os melhores... Não vou entrar nessa perspetiva de fazer convocatórias. Sei que quem tem sido chamado tem feito um grande campeonato e acredito que continue a fazer parte.