Iaquinta esteve presente no último título mundial dos transalpinos - Foto: IMAGO
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«Sou campeão do Mundo e as pessoas associam-me à Máfia»

Vicenzo Iaquinta falou do processo relacionado com o pai, Giuseppe, envolvido na Operação Aemilia, investigação que deu origem ao maior julgamento relacionado com a 'Ndrangheta na Emília-Romanha

Vincenzo Iaquinta viveu o sonho máximo de qualquer futebolista, mas os últimos dez anos foram marcados por uma realidade muito diferente. Campeão do mundo pela Itália em 2006 e antigo jogador de Udinese e Juventus, o ex-avançado diz estar há uma década mergulhado num processo judicial que afetou toda a sua família.

Em entrevista à Gazzetta dello Sport, Iaquinta falou sobretudo do processo relacionado com o pai, Giuseppe, envolvido na Operação Aemilia, investigação que deu origem ao maior julgamento relacionado com a 'Ndrangheta na Emília-Romanha. O antigo internacional italiano rejeita qualquer ligação da família à organização criminosa e lamenta o impacto das acusações.

«Costumavam chamar-me campeão do mundo, hoje sou considerado um mafioso. É uma perseguição inacreditável. Pagámos pelo apelido, nada mais», desabafou.

O antigo avançado também falou da situação do pai, detido desde 2015. «Vão acabar por matá-lo lá mesmo na prisão. Atiraram muita lama para cima de nós. Quando se afunda na areia movediça, é difícil sair. Tenho fé na justiça, mas é difícil assim. Vou lutar para provar a sua inocência. É a batalha da minha vida», afirmou.

Iaquinta acabou também condenado a uma pena suspensa no processo, relacionada com armas que estavam na sua posse e que, segundo a sua versão, foram posteriormente levadas pelo pai sem o seu conhecimento.

«Foi ingenuidade minha, mas isso não faz de mim um criminoso. As armas estavam regularmente declaradas, o meu pai levou-as sem me informar. Fui acusado de, alegadamente, ajudar os clãs com armas legalmente registadas. É uma loucura. Estas coisas arruínam a tua vida. Vivo um pesadelo há dez anos que parece não ter fim», explicou.

Iaquinta fez parte da seleção italiana que conquistou o Mundial 2006. Foto: IMAGO

«Joguei 15 anos ao mais alto nível, marquei um hat-trick na Liga dos Campeões e ganhei um Mundial... e, mesmo assim, o meu nome está associado à 'Ndrangheta por causa de uma acusação que considero injusta», lamentou.

E é precisamente ao Mundial 2006 que Iaquinta regressa quando procura uma das poucas memórias capazes de se sobrepor ao momento difícil que atravessa. A final frente à França permanece como o ponto mais alto da sua carreira. «A sensação que senti quando o Cannavaro levantou a taça é indescritível. Ainda hoje me arrepio. Em 30 segundos, passaram diante dos meus olhos 20 anos de sacrifícios.»

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