Pierre Gasly e a namorada Francisca Cerqueira Gomes em Suzuka (IMAGO)
Pierre Gasly e a namorada Francisca Cerqueira Gomes em Suzuka (IMAGO)

Sobe e desce: Gasly perde pódio no Mónaco após recursos da McLaren e Red Bull

Prova envolta em polémica

Nova reviravolta nos resultados do Grande Prémio do Mónaco. Pierre Gasly, da Alpine, perdeu o pódio que havia conquistado na corrida, caindo para o sétimo lugar, na sequência de recursos apresentados pela McLaren e pela Red Bull. A decisão reverteu uma deliberação anterior que tinha anulado duas penalizações de cinco segundos ao piloto francês, dando-lhe o terceiro lugar.

A controvérsia teve origem numa série de penalizações por excesso de velocidade na via das boxes, que afetaram vários pilotos. A Alpine, ao contrário de outras equipas, não cumpriu as penalizações durante a corrida por considerar que tinham sido aplicadas incorretamente. Um recurso inicial da equipa francesa deu-lhes razão, promovendo Gasly ao pódio.

Com esta reviravolta, a classificação oficial foi alterada. Isack Hadjar, da Red Bull, recupera o terceiro lugar, e Oscar Piastri, da McLaren, sobe para quarto. Liam Lawson e Arvid Lindblad, da Racing Bulls, ascendem à quinta e sexta posições, respetivamente.

O cerne da questão reside numa discrepância de 77 centímetros entre a distância oficialmente medida da via das boxes e o trajeto mais curto que um piloto poderia efetivamente percorrer. No primeiro recurso da Alpine, ficou provado que, usando esta nova medição mais curta, Gasly não tinha excedido o limite de velocidade. Foi com base nisto que a sua penalização foi anulada.

No entanto, a McLaren recorreu da decisão, invocando a justiça desportiva e os seus próprios interesses competitivos, uma vez que Piastri tinha perdido pontos devido à situação. O piloto australiano foi um dos vários que cumpriram uma penalização de cinco segundos por excesso de velocidade na via das boxes.

O Tribunal de Recurso Internacional fundamentou a sua decisão final no princípio de que os parâmetros de medição não podem ser alterados a meio de um fim de semana de Grande Prémio, depois de os competidores já terem sido informados. O tribunal considerou que «a justiça desportiva impede absolutamente a substituição retrospetiva» de um parâmetro de calibração estabelecido.

A decisão sublinha que, embora se tenha concluído que era possível uma trajetória mais curta, a medição oficial utilizada durante a prova não estava incorreta. O parâmetro foi medido, verificado, utilizado nos treinos e na corrida, e reconfirmado quando surgiram dúvidas. A F1 nunca informou as equipas ou a direção de corrida de que um parâmetro diferente deveria ser aplicado.

Em comunicado, a Alpine manifestou desacordo, afirmando sentir-se «injustamente punida», mas reconheceu a decisão do painel. «Embora discordemos da decisão e mantenhamos totalmente que o carro 10 (Gasly) não excedeu o limite de velocidade na via das boxes em nenhum momento durante a corrida, a equipa reconhece a decisão do painel de juízes», pode ler-se na nota.

A Alpine confirmou ter enviado o troféu do terceiro lugar para a base da Red Bull em Milton Keynes e está agora a ponderar os próximos passos, que poderão incluir um recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto.

Por sua vez, a McLaren saudou a deliberação do tribunal. «Saudamos a decisão do Tribunal de Recurso Internacional da FIA, uma decisão que proporciona uma clareza importante para as equipas e todas as partes interessadas do desporto e ajuda a proteger a integridade do desporto e a confiança no seu quadro regulamentar», declarou a equipa.

Recorde-se que o Tribunal de Recurso não se pronunciou sobre a correção das penalizações por excesso de velocidade na via das boxes aplicadas a Lewis Hamilton, da Ferrari, a Russell e a Piastri, nem se os seus carros excederam fisicamente o limite de 60 km/h. Esta questão não era relevante para o âmbito da audiência, que se focava no protesto da McLaren e da Red Bull contra a decisão de anular a penalização de Gasly.

Por sua vez, a Mercedes também argumenta que Russell nunca ultrapassou os 60 km/h. O piloto britânico seguia à frente de Hadjar e Gasly antes de receber a sua primeira penalização. No entanto, Russell foi relegado para fora dos pontos após a Mercedes não ter cumprido corretamente a penalização numa paragem nas boxes subsequente, o que resultou numa penalização de «drive-through» que o fez cair para o 12.º lugar.

Caso a Alpine decida prosseguir com o caso, o recurso ao Tribunal Arbitral do Desporto parece ser a única via provável que resta.

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