Ex-Marítimo vive na rua consumido pelo vício em crack: «Se acharem que estou morto, é melhor»
Aos 49 anos, Régis Fernandes da Silva, antigo jogador de clubes como o Corinthians, Ponte Preta e Vasco, e com passagem por Portugal, no Marítimo, em 1996/1997, enfrenta o mais duro adversário: a dependência de crack. Conhecido nos relvados como Régis Pitbull, o ex-atleta vive há dois meses como sem-abrigo em São Paulo, já não conseguindo manter-se nas equipa de futebol amador que lhe davam alguns rendimentos.
Vício em crack faz ex-jogador Régis Pitbull viver nas ruas: "Se achar que estou morto, é melhor"
— Emilio Botta (@emiliobotta) September 2, 2026
Prestes a completar 50 anos, ele já foi preso por agredir síndico e agora se abriga debaixo de lona em uma praça de São Paulohttps://t.co/NpCRaagyyl
O Globoesporte encontrou o antigo jogador a viver agora debaixo de lonas e cobertores numa praça, entre entulho, depois de o vício o ter levado a perder a casa - enfrenta uma ação judicial por dívidas de condomínio e impostos num apartamento que teve de abandonar em 2025, depois de ter sido preso por agredir o administrador do prédio.
A rotina é marcada pela ajuda que alguns amigos ainda vão dando de forma voluntária: um restaurante local oferece algumas refeições e permite-lhe carregar o telemóvel, que utiliza para pagar as drogas que consome. Uma funcionária do restaurante garante que são raros os dias em que está sóbrio, corta a barba e o cabelo através da ajuda de um amigo.
A dependência de drogas começou quando ainda jogava. Durante a carreira, foi suspenso por duas vezes após testar positivo para o uso de canábis em controlos antidoping. Conseguiu regressar aos relvados, mas acabou por ser consumido por substâncias mais pesadas.
Apesar de admitir o problema, Régis rejeita qualquer tipo de internamento. «Não quero que ninguém saiba que eu existo. Se acharem que estou morto, é melhor. Não sou um coitadinho», diz ao GE. Familiares e amigos são unânimes em afirmar que a falta de vontade em aceitar ajuda é o principal obstáculo à recuperação.
Depois de regressar de Portugal, atuou no Ceará e representou ainda clubes como Coritiba, Ponte Preta, Corinthians, Vasco, Bahia e Portuguesa. Teve também passagens pelo futebol do Japão, Coreia do Sul, Turquia e Kuwait, antes de terminar a carreira em 2012, aos 34 anos. Foi após o abandono do futebol que a sua dependência se agravou.
Em 2022, chegou a ser internado numa clínica de reabilitação, mas sofreu uma recaída menos de um mês após a alta, culminando na situação precária em que se encontra atualmente. Régis, que tem dois filhos, pai e irmãos.
À reportagem, recordou os tempos de glória: «Andava de BMW, tive uma Dakota. Um dia fui a uma churrascaria comer uma costela daquelas de topo e nem paguei, tiraram fotos e não deixaram pagar a conta. Imagina isso hoje? Está louco.»