A mensagem para Pote e Bragança, o mercado e Suárez: tudo o que disse Rui Borges
— Tendo em conta a mudança de treinador no Nacional, é mais complicado preparar a partida?
Essa indefinição deixa-nos mais focados naquilo que somos enquanto equipa, no nosso processo e crescimento, do que propriamente do adversário. Claro que esta indefinição do treinador leva-nos a não ter certezas, mas acaba sempre por ser algo que não é certo. Focamo-nos muito mais naquilo que é o adversário em termos de características individuais e pequenas coisas que, independentemente do treinador, podem acontecer. É uma equipa muito forte em bolas paradas, em esquemas táticos ofensivos e defensivos, por isso focamo-nos aí. Nas primeiras quatro jornadas, foram uma das equipas que mais bolas longas tentou, à procura da referência e mesmo no espaço. Acreditamos que, apesar de tudo, com uma mudança de treinador há sempre uma mudança de estímulo, que será uma equipa bastante competitiva, seja em que estrutura for, num bloco médio e, às vezes num bloco baixo — acreditamos nós, até porque jogamos em casa e assim desejamos que o seja. Não deixará de ser um jogo complicado, com muita gente a defender a baliza e temos que arranjar soluções. Estaremos preparados para o desafio.
O Iván é importante, como todos os outros. Tem contrato até 2028. Em relação à importância, tem mais a ver com o próprio jogador e o mérito dele pelo crescimento que tem tido ao longo deste tempo. É mérito dele, do foco, do rigor que tem no dia a dia. Esou muito feliz com aquilo que o Iván tem feito e que vai continuar a fazer. E se acontecer essa renovação, fico feliz, porque tem trabalhado imenso para isso. É um jogador que tem sido bastante importante no Sporting, que, apesar da sua tenra idade, já tem uma maturidade muito acima da média e acaba por ser uma voz muito ativa dentro do grupo.
— Houve uma última conversa com Pedro Gonçalves, antes de ele sair?
Resta-me, acima de tudo, desejar-lhe as maiores felicidades ao Pedro e ao Daniel Bragança também. Independentemente de tudo, são dois grandes jogadores, que irão ter sucesso com toda a certeza, por tudo o que são enquanto atletas e pessoas. Dois jogadores que marcaram uma era e marcarão a história do Sporting. O Daniel será um exemplo no futuro para a formação do Sporting, que toda a gente vai olhar pela persistência, para além da qualidade técnica e individual, que é muito acima da média. O Pedro marca uma era no Sporting, marca uma era no futebol português por tudo o que foi capaz, pelos seus números. São dois grandes jogadores que ficarão na história do Sporting e a quem desejamos as maiores felicidades.
— Há alguma previsão para os regressos de João Simões e do Nuno Santos?
O Nuno Santos tem um trabalho mais específico, que tem a ver propriamente com a lesão dele. Não foi uma lesão fácil, como é lógico, e não podemos fugir a isso. Ainda está nesse processo, com muita paciência, e acreditamos que voltará muito rapidamente. O João Simões, a partir da próxima semana poderá fazer parte do treino, com alguns constrangimentos, mas acredito que já voltará.
— O Sporting está mais forte do que na época passada? Este plantel lhe dá garantias para ser campeão?
Garantias dá. Foi um grande trabalho de todos no mercado. Muito felizes com o nosso plantel. Mais forte ou não, é relativo. É diferente. Mas, acima de tudo, muito confiante na a capacidade individual e coletiva do Sporting no futuro. Prevemos que terá um futuro risonho.
— Pode-se dizer que este é, definitivamente, um Sporting à imagem de Rui Borges?
A imagem do Rui Borges está desde o primeiro dia, não tem a ver com os jogadores. Qualquer treinador que chega a um clube apanha jogadores de outros treinadores atrás, por isso não tem a ver com eras, tem a ver com os momentos. É a naturalidade do futebol, uns que saem, outros que entram, uns porque jogam menos, outros porque jogam mais e mostram-se. Essas mudanças não me preocupam em nada. O mercado foi o que nós quisemos e estamos com muita expectativa em relação a todos os jogadores que chegaram.
— No ano passado, o Sporting fez uma Liga dos Campeões muito boa, mas acabou por ser vítima dessa atuação com muitas lesões. O que se aprendeu do ano passado que possa utilizar este ano para ter um maior equilíbrio e que possa estar bem nas duas competições?
Tem a ver um pouco também com aquilo que foi o condicionamento da época, foram jogos decisivos uns atrás dos outros, com alguma malta de fora e que nos levou a sobrecarregar outros. Esperemos que não aconteça esta época. Em termos da aprendizagem, percebemos e sabemos disso, só que estávamos um pouco atados àquilo que tínhamos naquele momento. Esta época, acredito que possamos ter outro rendimento e dar uma resposta mais consistente até final. Mas Não dá para antecipar nada. Temos um plantel equilibrado e acreditamos muito que, dentro desse equilíbrio que perspetivámos e criámos dentro do grupo, possamos dar resposta em todas as competições.
— Esta revolução no mercado de verão foi algo que foi pedido pelo Rui ou foi uma exigência do presidente?
Não se trata de revolução, trata-se de mudanças naquilo que ditou o mercado. Dentro do mercado, das nossas possibilidades, do grande trabalho que fizemos, em termos de scouting também, quisemos e trouxemos os jogadores que perspetivámos. Não conseguimos ir buscar um jogador igual ao Morten, um jogador igual ao Trincão, um jogador igual ao Pote, um jogador igual... não há, não vou procurar gémeos. Procurámos, sim, dentro das posições que sabíamos que íamos ter que meter jogadores, as melhores soluções possíveis dentro de uma ideia de jogo.
— O verão fica inevitavelmente marcado pela novela Suárez. Vamos voltar a ver o Suárez a sorrir no Sporting e pode garantir que ele está a 100%?
Ele tem dado a resposta. Em relação ao sorrir, eu vejo-o sorrir, vejo-o todos os dias, por isso para mim é subjetivo. Ele não é obrigado a estar sempre a sorrir. Vejo o jogador completamente focado, não é 100, é a 200%, e a resposta em jogo dele diz-me isso. Vejo-o super motivado naquilo que são os comportamentos individuais e coletivos da equipa, a ajudar os colegas e com a ambição que lhe é característica para fazer a diferença.