Juan Martín del Potro retirou-se da competição em 2024      Fotografia Imago
Juan Martín del Potro retirou-se da competição em 2024 Fotografia Imago

«Sinner é parecido com Djokovic, mas Alcaraz é o melhor!», diz Del Potro

Retirado oficialmente da competição há quase dois anos, antigo vencedor do US Open e nº 3 mundial veste agora o fato de comentador da modalidade que ama e da qual foi forçado a retirar-se devido às lesões. Já não anda deprimido e furioso com a vida e aprendeu a suportar as dores no joelho para jogar padel

Finalistas do US Open em 2025, Jannik Sinner, líder do ranking mundial, e Carlos Alcaraz (3,º) não disputam o mesmo Grand Slam desde o Open da Austrália. Primeiro, o espanhol falhou Roland Garros e Wimbledon devido a lesão, e agora o italiano teve o mesmo contratempo para o US Open.

Não há dúvida de que o mundo do ténis aguarda ansiosamente o Open da Austrália em janeiro de 2027 para os ver novamente em ação. Juan Martín del Potro, campeão do Grand Slam americano em 2009 e agora comentador televisivo partilha o mesmo desejo.

«Para mim, Alcaraz é o melhor do mundo. É o mais completo. Jannik e ele vão voltar a lutar pelo número um», disse del Potro ao jornal espanhol As.

E justificou a sua opinião. «Jannik Sinner joga de forma semelhante a Novak Djokovic, é muito bom fisicamente e muito rápido, mas Alcaraz tem uma frescura no seu jogo e por isso é capaz de fazer o que Jannik não consegue. É muito talentoso e pode variar tudo o que é possível no ténis. Tem todos os golpes. Por isso, sou um grande fã do Carlos», referiu Delpo, que está muito satisfeito com o desempenho dos compatriotas em Nova Iorque. Francisco Cerúndolo conseguiu uma reviravolta fenomenal contra Taylor Fritz, Mariano Navone eliminou Djokovic, mas cedeu a Tomás Martín Etcheverry na terceira ronda.

«Etcheverry e Cerúndolo são os líderes do ténis argentino, e temos um bom grupo de jogadores. Têm por vezes oscilações, mas ambos são excelentes tenistas», considerou o Gaucho.

Descobrir a vida fora dos 'courts'

Retirado dos courts desde 2024, quando não conseguiu regressar aos Open dos Estados Unidos de 2023 devido a não ter conseguido recuperar fisicamente e no ano seguinte, a dezembro, fez a despedida do profissionalismo num jogo de exibição em Buenos Aires, The Last Challenge, frente a Novak Djokovic, que ganhou frente a 15 mil espectadores, dias antes de começar no novo emprego de comentador para a ESPN, o antigo n.º 3 do ATP contou ao diário LN como tem sido a nova etapa na vida.

O ex-tenista confessou ter atravessado um período conturbado, com momentos de «raiva, depressão, tristeza, angústia e resignação», até finalmente aceitar que a sua vida poderia continuar longe dos courts. «Nunca quis deixar de jogar ténis, não estava nos planos, mas a lesão levou-me a isso», recordou, referindo-se às múltiplas operações ao joelho que o forçaram a retirar-se.

Segundo o argentino, o ponto de viragem foi o evento de despedida que protagonizou com Novak Djokovic em dezembro de 2024. «A partir daí, pus um ponto final na carreira desportiva e comecei a percorrer uma nova etapa a partir de outro lugar», explicou. Hoje, Del Potro afirma que já consegue desfrutar de atividades que antes evitava por estarem associadas à dor física. «Permito-me ir se me convidam para jogar padel. Já conheço a minha limitação física, sei da minha dor no joelho, mas digo: ‘Vamos, eu jogo’».

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A sua definição de vitória mudou radicalmente desde que abandonou o desporto profissional. «Hoje ganho quando me levanto e não penso no joelho. Ganho quando saio à rua e mostro uma cara feliz», revelou. Para o argentino natural de Tandil, uma vitória pode ser tão simples como não se sentir amargurado quando alguém lhe pergunta pelo estado do joelho. «Hoje saio e permito-me desfrutar; isso é ganhar», acrescentou, sublinhando a importância de simplificar a vida e aceitar o passado.

O regresso a Flushing Meadows, palco da sua maior conquista — a vitória sobre Roger Federer na final de 2009 —, tem sido na cabine de transmissão. Del Potro já tinha tido uma breve experiência como comentador no US Open há alguns anos, mas na altura o desejo de competir era mais forte. «Naquele momento, eu tinha mais vontade de jogar, de estar dentro do court do que de o ver de fora», admitiu.

«Nos últimos tempos, senti que já não me incomoda ver ténis na televisão, já não me incomoda ir a um torneio sem jogar, desfruto deste lado e gosto de transmitir a minha visão de jogo e oferecer ao público uma análise diferente, focada em aspetos como a linguagem corporal, a tensão ou as mudanças táticas que muitas vezes passam despercebidas».

Considera aida que, o seu legado transcende os títulos conquistados. Embora reconheça que vencer na «era dourada» contra Federer, Nadal e Djokovic «lhes confere mais valor», o Juan Martín sublinha que a sua maior contribuição foi outra. «Creio que pude inspirar muitas pessoas que baixam os braços à primeira complicação ou que se rendem se as coisas não correm bem», afirmou, concluindo que «esse legado vale mais do que um troféu».

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Amizade com Djokovic, conselho a Alcaraz

Ao analisar o circuito atual, elogia Novak Djokovic, com quem mantém uma relação próxima, destacando o seu amor pelo desporto e a sua capacidade de competir ao mais alto nível. «Enquanto Djokovic jogar um torneio, seja um Grand Slam ou um 250, será o favorito e teremos sempre de apostar nele», sustentou, revelando ainda ter uma «relação próxima» com Alcaraz e partilhou um conselho que lhe deu quando aquele estava lesionado. «Cruzámo-nos nos Estados Unidos, ele ainda estava com a tala e o meu conselho foi: 'paciência com o pulso e não lhe toques'.»

«Eu sofri isso na pele e, naquela altura, por não querer parar ou perder o 4.º ou 5.º lugar do ranking, fiz coisas que o Carlitos não tem de fazer hoje. Ele pode parar uns meses e não vai mudar muito no ranking. Por isso, parar estes [quatro] meses foi uma decisão inteligente».

A admiração por Messi e as críticas partilhadas

Apaixonado por futebol, Del Potro não poupou elogios a Lionel Messi, com quem se identifica devido às críticas que ambos enfrentaram ao longo das suas carreiras. Sobre o astro do futebol, foi taxativo: «Só temos de lhe dizer: 'Obrigado'». «É um orgulho para a Argentina», acrescentou, realçando o esforço de Messi durante o Mundial, numa altura em que o seu pai atravessava um delicado problema de saúde.

A comparação entre os dois surgiu naturalmente, pois ambos foram pressionados para alcançar feitos que lhes escapavam. «Na Argentina é assim, pede-se para ganhar a toda a hora, pede-se sempre o que falta. Aconteceu-lhe a ele, a mim também», refletiu Del Potro.

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