Ser campeão não significa que tudo esteja perfeito... (crónica)
O campeão nacional voltou a casa 70 dias após o último encontro no Dragão, frente ao Santa Clara, a fechar a Liga, e venceu o Aston Villa no jogo de apresentação, por 2-1, derradeiro teste à porta aberta antes de defrontar o Torreense na decisão da Supertaça Cândido de Oliveira, no próximo sábado.
Quem ambicionava uma surpresa com a chegada de uma cara nova em segredo — tradição iniciada no reinado de Pinto da Costa e recuperada por André Villas-Boas em 2025 com a aquisição de Luuk de Jong — esperou... sentado. Nada de novidades no menu que antecedeu o duelo diante do vencedor da Liga Europa, conforme já garantira o presidente portista, e dentro de campo, na hora e meia seguinte, também não se viram grandes inovações na forma de jogar deste dragão liderado por Francesco Farioli.
Os azuis e brancos continuam a ser uma máquina oleada na hora de pressionarem o adversário, imagem de marca ao longo da temporada passada, embora ontem se tivesse notado que as pernas ainda estão pesadas e só em falta foi possível anular algumas saídas em posse dos ingleses.
O instinto matador colocado nos lances de bola parada saltou igualmente à vista, a recordar inúmeros momentos positivos de 2025/26. O golo inaugural nasceu de um lançamento longo de linha lateral de Zaidu, a bola foi cortada por Matty Cash para o coração da área onde apareceu William Gomes a dominar de coxa antes de rematar certeiro. Logo aos cinco minutos, as redes dos villans de Unai Emery — desfalcados da esmagadora maioria dos melhores jogadores, casos de Emiliano Martínez, Pau Torres, Lindelof, Konsa, McGinn, Manzambi, Buendía, Garnacho, Watkins... — balançavam.
Com Alberto Costa a meio gás e Martim Fernandes lesionado, Pablo Rosario improvisou a lateral-direito e, na esquerda, Zaidu partiu na dianteira na corrida com Francisco Moura pela titularidade. Ao centro, a muralha polaca com Bednarek e Kiwior, este com algumas imprecisões na primeira parte pouco habituais — divide com Zaidu responsabilidades no golo de Lynch aos 12'.
No meio-campo, Alan Varela, Froholdt e Gabri Veiga repetiram o trio mais vezes utilizado na época transata e na frente esteve o único reforço, André Silva, acompanhado por William Gomes, à direita, e Pepê, à esquerda, relegando Borja Sainz para o banco, agora que Oskar Pietuszewski está lesionado.
A construção ofensiva pausada, iniciada em Bednarek e Kiwior, sempre à procura do médio-defensivo como rampa de lançamento, processo intercalado com a interiorização dos laterais, denota uma tentativa de evolução na continuidade. Mas a escassez de inspiração impediu que o perigo rondasse e seria na sequência de um livre lateral de Gabri Veiga — sem surpresas, portanto... — que surgiria o segundo golo, obra de Pepê, a aproveitar corte incompleto de Maatsen (41').
Em jeito telegráfico, Farioli, concluído o desafio que levou 47.098 espectadores ao Dragão, finalizado com pormenores deliciosos e prometedores de Inbeom Hwang, poderá dizer a AVB: Presidente, preciso de um lateral-esquerdo, um extremo desequilibrador seria bem recebido e outro avançado também. Da minha parte, vou procurar manter a consistência defensiva e melhorar a variabilidade ofensiva da equipa para torná-la menos previsível.