Francesco Farioli falou do jogo que pode dar o título ao FC Porto - Foto: IMAGO
Francesco Farioli falou do jogo que pode dar o título ao FC Porto - Foto: IMAGO

Sem festejos, livre como Rui Borges, respeito por Mourinho e o carro tremido: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto projetou a receção ao Alverca, jogo que pode dar o título aos dragões em caso de vitória

Francesco Farili faz esta sexta-feira (12h45) a antevisão ao FC Porto-Alverca, jogo da 32.ª jornada da Liga Portugal Betclic que está agendado para amanhã, às 20h30. Em caso de vitória no Dragão, recorde-se, os dragões sagram-se campeões nacionais. 

— Uma semana encarada com entusiasmo. Como foi vivida esta semana por parte da equipa?

— A semana foi completa com o 'aproach' correto. Foram sessões exigentes. Prepáramos com muita atenção, dando o crédito ao Alverca, já estão a salvo. Estamos conscientes do que pode significar mas estamos focados. Sem tempo para pensar em festejos, o que aprendemos é que só está fechado quando está fechado.

— Certamente que o Francesco e o clube têm pressa de serem campeões. O que lhe pergunto é: há vários cenários para ser campeão; quer entrar campeão ou quer jogar para ser campeão?

— O cenário que temos absolutamente em mente é o jogo de amanhã. O que acontecer antes não altera o nosso desejo de ir para o jogo com a mesma mentalidade, a mesma abordagem e o mesmo espírito. Espero que os próximos três jogos sejam disputados com uma atitude de topo, mas antes de passarmos aos próximos dois, foquemo-nos no de amanhã, que é definitivamente o centro e o cerne da nossa atenção.

— Dos 30 jogadores que utilizou no campeonato, apenas 18 não sabem o que é ser campeão, nunca foram campeões. Quão difícil foi ao longo da época preparar a equipa física e mentalmente e conseguir que a equipa estivesse na luta até ao fim, ou até muito perto do fim, em três frentes?

— Quando começámos há meses, há 11 meses, não estávamos a olhar tão longe. A nossa abordagem desde o primeiro dia tem sido muito focada no presente. Construímos, creio que passo a passo, a nossa identidade, a nossa forma de agir, a nossa forma de competir e, através desse processo, tivemos a oportunidade de disputar as três competições até há uma semana. Isto surge, obviamente, com muito trabalho, com muito planeamento em termos de metodologia, em termos do tipo de exigências que temos de trazer semanalmente, e diria diariamente, para as sessões de treino. É preciso ter jogadores e um grupo de jogadores capaz de aceitar a carga que vamos colocar nas suas mentes e nos seus corpos. É preciso ter uma organização à volta que possa apoiar o tipo de impacto que se quer ter e que se quer ver no relvado. Depois disso, há tantas outras coisas que envolvem a microgestão. Falámos várias vezes sobre o treino invisível, o descanso, a recuperação, as sessões extra, as reuniões extra, o trabalho que mencionei várias vezes que tem sido feito pelos departamentos de performance e médico. Todas estas coisas, mais, claro, outros tópicos sobre a tomada de decisões fundamentais, sobre quando jogar os jogos, se adiar ou não jogos... e todas estas coisas, no final, vão aproximar-nos ou afastar-nos do nosso objetivo, do nosso alvo. Mas o que fizemos desde o primeiro dia — e viram-no, e não é a primeira vez que o faço, porque fiz o mesmo no Nice e fiz o mesmo na época passada no Ajax — é que temos de tomar algumas decisões, temos de cuidar muito da saúde dos nossos jogadores, saúde em termos de frescura física e mental. Creio que foi o que fizemos, o que o grupo aceitou de forma fantástica, e todas estas pequenas decisões no final são as que nos trouxeram onde estamos hoje, num lugar muito bom, mas como mencionei antes, ainda com três jogos por disputar, a começar pelo de amanhã.

— O Alverca que, curiosamente, um pouco à semelhança do FC Porto também mudou muito o plantel de uma época para a outra e conseguiu, como o mister disse há pouco, o seu objetivo até de forma relativamente tranquila. Nesta fase, pode ser mais perigoso jogar com uma equipa que já está tranquila ou com uma equipa que está desesperada, como por exemplo o Estrela da Amadora?

— Tocou exatamente num dos pontos que mencionei esta manhã ao grupo. É uma equipa que, digamos que no papel, não tem nada por que jogar, mas tenho a certeza de que amanhã virão aqui para tentar ser protagonistas e tentar desempenhar o seu papel aqui no clube. Creio que o que fizeram esta época quererão confirmá-lo no palco mais alto, que é amanhã. Portanto, nessa parte, creio que temos de estar absolutamente prontos para uma equipa que, como disse, mudou muitos jogadores, mas uma equipa que foi construída com qualidade, com jogadores que, na minha opinião, têm pelo menos quatro ou cinco jogadores que poderiam jogar facilmente nas cinco melhores equipas aqui em Portugal. Uma equipa que tem uma identidade muito forte e uma organização muito boa graças ao trabalho do míster Custódio e isso para mim já diz muito sobre o quão preparados temos de estar para jogar amanhã. Creio que esta liga já provou que não há jogos fáceis, que não se pode baixar nem 1% o nível de atenção e de empenho e, com certeza, amanhã não é o dia em que podemos abrandar a nossa intensidade física e mental.

— Como vê as palavras do Rui Borges, que ficou de responder, quando ele disse e hoje reiterou que era um homem livre e que não debitava aquilo que lhe diziam, dando a entender que o míster o fazia?

— Para mim, não há muitos comentários a acrescentar, no sentido de que eu sou igualmente um homem livre, comprometido com pessoas com quem estou muito feliz por estar comprometido. Pessoas com quem estamos totalmente alinhados em cada decisão que tomamos. Claro que temos as nossas discussões internas, como é normal, desafiamo-nos uns aos outros para sermos melhores todos os dias, mas creio que, em termos de alinhamento e espírito, digamos que há duas liberdades que seguem o mesmo caminho e absolutamente a mesma rota. E creio que tem sido assim desde o primeiro dia, é assim hoje e, como sabem, vai ser o mesmo no futuro.

— Há um ano, por esta altura, estava a sentir emoções diferentes das que vive nesta altura. Se lhe perguntassem agora qual seria a resposta à pergunta quem é Francesco Farioli nesta altura?

— Na verdade, para as emoções não há muito tempo para pensar, para antecipar. As emoções é bom vivê-las quando se está no momento. O que podemos fazer é tentar colocar o máximo esforço para tentar viver a emoção que queremos viver. Às vezes colocamos o esforço máximo e não conseguimos o que pensamos que merecemos. Se me pergunta quem sou, creio que sou a mesma pessoa que tenho sido já há bastante tempo. Tento ser sempre eu próprio em tudo o que faço, não ir por atalhos ou por compromissos, e creio que todas as decisões que tomei na minha curta carreira foram sempre guiadas pela mesma motivação. Sobre quem sou, já lhe disse: não vejo muitas diferenças da pessoa que era há um ano.

— Há sítios da cidade que não conhece. O que lhe pergunto é se teve curiosidade em ver, se lhe mostraram, se nos consegue identificar quais são os sítios por onde passará esta festa do FC Porto e o que é que espera dessa comunhão dos adeptos?

— Sim, é normal que queira fazer o seu trabalho, mas creio que já respondi a este tópico há uma semana por uma questão diferente. O meu trabalho como treinador é preparar as coisas no campo. Sobre a logística, acredite que temos uma organização muito boa em vários departamentos diferentes. Por isso, agora o nosso foco e o meu foco é chegar amanhã ao campo com o espírito que a equipa precisa de ter para enfrentar um jogo importante como este é. E, como mencionei na primeira pergunta que fez, não há muito tempo para pensar tão longe. Portanto, foquemo-nos na primeira bola do jogo, na segunda, na terceira e depois logo veremos onde vamos estar.

— Agora que o FC Porto está prestes ou está quase a fechar o campeonato, sente mais motivação ou pressão para o jogo de amanhã por parte dos jogadores?

— Vivemos com isto... a pressão real para nós é ir para o campo e apresentar uma grande exibição que nos possa aproximar ou que nos possa levar aos resultados que queremos obter. Esta é a pressão que estou a colocar em mim próprio, a pressão que nós, como equipa técnica, tentamos transmitir aos jogadores. Esta manhã estivemos na nossa reunião técnica a analisar se um metro acima ou um metro abaixo na linha defensiva, a agressividade e a capacidade de antecipar e ler com a mesma fome certas situações... é aqui que o meu foco vai. Porque, na realidade, pode-se sonhar ou esperar por emoções consequentes ou conquistas, mas a única coisa que realmente importa é como se é capaz de transformar esse desejo em ação, em ação e comportamentos. E isto, já lhe disse, sinto-me realmente grato por este grupo de jogadores, pelas pessoas com quem estou a trabalhar há muitos meses, porque creio que, se fizemos algo de muito bom até agora, é por mantermos a tensão certa e o nível certo de foco em cada detalhe. E isto não vai mudar nos últimos 18 dias da temporada.

— Esta semana José Mourinho esteve em Itália e teve oportunidade de dizer que, caso o FC Porto seja campeão, que é um campeão com mérito e que, independentemente da forma como a equipa joga ou comunica o míster Farioli, é um campeão com mérito. O que é que lhe diz isso?

— Sabe que com o míster Mourinho há um grande respeito. Já mencionei várias vezes o respeito que tenho pelo que ele fez, pelo tipo de inspiração que ele tem sido, e é, para mim e para toda a nova geração de treinadores. Portanto, nessa parte, também ouvi que pediram para fazer uma comparação, se eu poderia ser o próximo Mourinho. Na realidade, entre mim e o mister Mourinho há 26 títulos de diferença. Estou no início da minha carreira, creio que não mereço que se faça qualquer tipo de comparação porque, na realidade, o míster Mourinho merece estar com nomes do nível de Klopp, Guardiola, Ferguson, este tipo de treinadores. Eu sou um jovem estudante do jogo, um treinador que está a tentar trabalhar muito arduamente para começar a sua carreira, para fazer as coisas que temos de fazer e, como lhe disse, o respeito que tenho por ele é enorme, mesmo sendo nós os líderes dos dois maiores clubes em Portugal, as duas equipas que ainda estão na corrida pelo título. Portanto, há muito respeito entre nós.

— O que sentiu com o ambiente à chegada da Amadora no domingo à noite?

— Para mim foi bastante tremido, que estava no carro e, a certa altura, eles estavam quase a levar-me para casa ao colo [risos].

— Pergunto-lhe sobre do recorde pontual que o FC Porto pode alcançar neste campeonato. Foi alcançado em 2021/2022 por Sérgio Conceição com 91 pontos, que será o número de pontos que o FC Porto fará se vencer os próximos três jogos. Isso motiva de alguma maneira, é um objetivo? Já falou com os jogadores sobre isso? E, já agora, tem sido fácil gerir, com tanta juventude no plantel e com muitos jogadores que ainda não se tornaram campeões nacionais, não o têm na carreira, se tem sido fácil gerir toda essa expectativa e o entusiasmo?

— Este é, obviamente, um alvo potencial, mas para lá chegar há vários passos que precisam de ser dados. Portanto, como sempre, e nisto sou realmente repetitivo, foquemo-nos no jogo de amanhã e façamos tudo o possível para manter este caminho possível até ao fim e, claro, esperançosamente alcançá-lo. Mas, mais uma vez, estamos absolutamente em modo Alverca. Enquanto estou a falar, os jogadores e a equipa técnica ainda estão a trabalhar para preparar bem e em todos os detalhes que são necessários o jogo de amanhã, e como lhe disse, não há nada mais importante do que o jogo que vamos enfrentar amanhã ao fim da tarde.

— Nos jogos frente ao Benfica e Sporting, o Alverca foi alternando a sua forma de pressionar: ora mais baixo, ora mais alto. Tendo em conta a velocidade dos centrais do Alverca, e a capacidade dos avançados para explorar a profundidade, espera um Alverca mais em bloco baixo ou a tentar condicionar o FC Porto no seu meio-campo?

— Gosto da sua pergunta, mas depois do jogo, porque não vamos estragar o plano de jogo. Portanto, nessa parte, não controlamos o que eles vão fazer. O que podemos controlar é como vamos responder ao que eles vão jogar. Obviamente temos as nossas ideias, as nossas expectativas. Na verdade, espero provavelmente dois tipos de jogos, no sentido em que haverá momentos em que com certeza eles vão pressionar muito alto, haverá momentos em que provavelmente vão baixar o bloco. E do outro lado vai ser o mesmo para nós. Vamos entrar em campo com o desejo de recuperar o máximo de bolas possível no meio-campo adversário. Depois, como disse, pela fisicalidade do avançado e pela velocidade dos dois alas, chame-lhes o que quiser, que estão a jogar perto dele, há momentos em que por natureza seremos forçados a recuar alguns metros. Creio que o primeiro jogo lá foi uma boa referência sobre diferentes momentos, diferentes cenários tácticos, e creio que amanhã vamos enfrentar isso e talvez também algo novo, porque eles tiveram uma semana para preparar o nosso jogo. Talvez para eles possa ser também um momento para tentar coisas diferentes. Por isso, nessa parte, temos de estar muito atentos de acordo com o que o jogo exigir para sermos capazes de encontrar a solução e a resposta adequada.

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