António José Seguro foi eleito Presidente da República em 2026 - Foto: José Coelho/LUSA
António José Seguro foi eleito Presidente da República em 2026 - Foto: José Coelho/LUSA

Seguro quebra o silêncio sobre carga policial no Rossio: «Não gostei do que vi!»

Presidente da República já reagiu aos confrontos e a intervenção policial na madrugada de domingo e revela conversa com Montenegro, na qual exigiu esclarecimentos

O Presidente da República, António José Seguro, reagiu esta terça-feira, pela primeira vez, às imagens dos confrontos e das intervenções policiais ocorridas na madrugada de domingo em Lisboa, durante as manifestações pelo direito à habitação no Rossio.

À margem de uma visita à Agência Europeia da Segurança Marítima (EMSA), o chefe de Estado foi taxativo na avaliação aos acontecimentos: «Não gostei do que vi nas imagens recentes, designadamente em Lisboa. Não gostei do que vi tal como, estou convencido, a maioria dos portugueses, porque não são imagens normais para uma democracia consolidada.»

Sublinhando que a identidade nacional assenta no entendimento e não no confronto, Seguro reforçou que «a cultura portuguesa é uma cultura de diálogo. Não é uma cultura de violência, nem é uma cultura de confronto», defendendo o caminho negocial como «solução para os problemas e nunca a violência».

O chefe de Estado revelou ainda que tem estado a acompanhar os desenvolvimentos de perto «desde as sete da manhã» de domingo, tendo recolhido e exigido informações detalhadas sobre as ocorrências. O tema esteve, aliás, no centro de uma reunião mantida esta segunda-feira com o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

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Questionado sobre eventuais excessos da Polícia de Segurança Pública (PSP), o Presidente da República recusou emitir juízos precipitados e lembrou as averiguações em curso.

«Quanto à atuação das autoridades, estão a decorrer inquéritos. Os inquéritos devem apurar se houve desvios ao Estado de direito ou não. O Presidente da República deve respeitar esses inquéritos. Deve pedir todas as explicações, deve exigir todas as explicações, foi aquilo que eu fiz, e, naturalmente, deve aguardar pelos resultados. Ninguém julga antes de saber quais são os factos», concluiu António José Seguro.

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