Ricardo Coelho, campeão do Mundo de C1 e de C2 (com Rui Lacerda) nos Mundiais de maratona, descreveu as sensações que se seguiram a uma prova superlativa

«Sonhos», novas gerações e... um apelo: seleção de maratona voltou a Portugal

Canoístas portugueses chegaram ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, esta terça-feira de manhã. Ricardo Coelho, o atleta mais medalhado do Mundial, que decorreu na Argentina, falou num «campeonato de sonho». Fernando Pimenta, que conquistou um bronze em K1, pede mais apoio para os jovens que praticam a modalidade

«Orgulho», «sonho» e «futuro» foram as palavras de ordem na chegada da Seleção Nacional de maratona de canoagem ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, depois do Mundial realizado em Gualeguaychú (Argentina). Portugal fechou a prova como o terceiro país mais medalhado, com Ricardo Coelho em destaque: ninguém arrebatou mais medalhas do que o canoísta de 27 anos.

Campeão de C1 e C2, este último com Rui Lacerda, Ricardo Coelho ainda arrebatou a prata na prova curta de C1 e, aos jornalistas, não escondeu estar ainda a desfrutar de uma sensação inédita.

«Foi um campeonato de sonho. Se calhar, nem nos meus melhores sonhos pensei que pudesse ser possível. Trabalhámos muito para isso. Sabíamos que íamos para disputar todas as provas e foi o que fizemos», afirmou.

O canoísta do Clube Náutico de Ponte de Lima atribuiu os resultados ao «trabalho desenvolvido nos últimos anos» e agradeceu o contributo dos que o acompanham «diariamente na preparação».

Para Rui Lacerda, a conquista do ouro em C2 permitiu cumprir a principal meta traçada para a temporada, com a revalidação do título mundial alcançado em 2025. «Foi o concretizar do objetivo que definimos para esta época, que era revalidar o nosso título da C2», vincou, manifestando vontade de continuar a trabalhar e de «escrever mais algum parágrafo na história do desporto e da canoagem portuguesa».

O selecionador Rui Câncio, por sua vez, considera que os resultados da comitiva lusa nas águas argentinas garantem «um lugar na história da canoagem e do desporto português, mais uma vez». «Fomos das poucas seleções que ainda não levámos atletas de paracanoagem, mas, com 15 atletas, conseguimos bater-nos com Espanha e Hungria, que tinham mais de 40 ou 50 na comitiva. Ficámos em terceiro lugar, é um orgulho muito grande comandar estes jovens, com um misto de veterania e juventude. A Federação e os clubes estão a fazer um grande trabalho», sublinhou o treinador, antes de elogiar o desempenho de Ricardo Coelho: «Foi o atleta mais medalhado do campeonato, com três medalhas. Houve atletas que disputaram mais provas e não conquistaram as medalhas que o Ricarco conquistou.»

Já o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Ricardo Machado, enquadrou os nove pódios num ano em que, segundo o dirigente, a modalidade soma 39 medalhas em campeonatos europeus e mundiais, nas diferentes especialidades.

«A canoagem portuguesa, de ano para ano, de forma surpreendente, continua sempre a superar-se», afirmou, atribuindo grande parte do mérito aos clubes, responsáveis pelo trabalho diário de formação e preparação dos atletas. Sobre Ricardo Coelho, o dirigente destacou os dois ouros e a prata conquistados numa especialidade, a canoa, que considerou «um bocadinho subvalorizada» em Portugal, tanto nos resultados como no número de praticantes.

Portugal, recorde-se, terminou os Mundiais com quatro medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze, o melhor registo nacional de sempre na competição.

Além dos títulos seniores de Ricardo Coelho e Rui Lacerda, Gabriel Fernandes venceu o C1 júnior e conquistou o ouro em C2 do mesmo escalão, com Duarte Cunha. Leonardo Barbosa foi prata em C1 sub-23, enquanto Fernando Pimenta, em K1 sénio, Maria Sousa, em C1 júnior, Martim Conceição, na prova curta de K1 júnior, conquistaram os bronzes portugueses.

Fernando Pimenta exalta «nova geração» e pede mais apoios

Bronze no K1 sénior, Fernando Pimenta defendeu, no regresso a solo nacional, maior apoio aos jovens praticantes de canoagem.

«Sem dúvida que é fantástico vermos esta nova geração a conseguir e a conquistar medalhas. Acho que, pelo menos na maratona, temos o futuro minimamente garantido», afirmou aos jornalistas, à chegada da comitiva portuguesa, salientando, contudo, as dificuldades sentidas na especialidade, que não integra o programa olímpico, e a necessidade de criar condições para os jovens continuarem na modalidade.

«Não é fácil, porque isto, por ser uma disciplina não olímpica, tem muito menos recursos. E nós vimos logo, até nas viagens e nas estadias, que temos menos recursos nesta especialidade», ressalvou.

O canoísta alertou para o risco de abandono numa fase em que muitos atletas entram na universidade e seguem outros caminhos, sem perspetivas de remuneração, mesmo depois de conquistarem títulos mundiais.

«É tentar manter os miúdos o mais motivados possível. Tentar apoiá-los para que eles não desistam», defendeu o atleta olímpico português, de 37 anos, destacando também o sacrifício dos atletas que «conciliam os treinos com outras atividades profissionais».

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