Tadej Pogacar tounou-se no quinto ciclista a vencer a Volta a França por cinco ocasiões     Fotografia Imago
Tadej Pogacar tounou-se no quinto ciclista a vencer a Volta a França por cinco ocasiões Fotografia Imago

Segredos do domínio de Tadej Pogacar revelados em novo documentário

'Anatomy of a G.O.A.T.’, com estreia marcada para este sábado, 7 de novembro, traz à luz algumas histórias, dados de desempenho e rotinas relevantes do corredor esloveno

A superioridade de Tadej Pogacar continua a impressionar o pelotão internacional. Entre números assombrosos de potência muscular, uma capacidade invulgar de recuperação e uma rotina rigorosa, começam a ser desvendados os detalhes que sustentam o rendimento do ciclista esloveno da UAE Emirates.

Um novo documentário de 45 minutos intitulado ‘Anatomy of a G.O.A.T.’, com estreia marcada para este sábado, 7 de novembro, vai dar a conhecer aos fãs de ciclismo de todo o mundo alguns segredos e a trajetória de Tadej Pogacar.

A produção, que será transmitida na HBO Max, no Eurosport e na TNT Sports da Grã-Bretanha, propõe-se a «revelar os segredos científicos por trás de uma das eras mais dominantes do ciclismo de estrada».

Os dados recolhidos pela WHOOP, parceira do corredor e da formação dos Emirados, mostram que o líder regista 38 pulsações por minuto em repouso - menos quatro do que a média de seis colegas de equipa avaliados. O descanso surge igualmente como fator diferenciador: antes do Tour de 2026 dormia cerca de sete horas, mas elevou a fasquia para as oito horas diárias ao longo das três semanas em que assegurou a quinta camisola amarela. Além disso, apresentou uma taxa de regularidade de sono de 84%, superando todos os parceiros de formação ao manter horários fixos de deitar e acordar, independentemente da dureza das etapas, das mudanças de hotel ou dos horários de chegada.

A força nos momentos de decisão em montanha também tem tradução direta em números. Em Besançon, Fred Grappe, responsável de inovação da Groupama-FDJ, analisou 73 subidas do esloveno desde a Vuelta de 2019. No documentário Anatomy of a G.O.A.T., o especialista debruçou-se sobre a ascensão a Plateau de Beille, no Tour de 2024. Tomando como base um peso de 65 quilos, Grappe calculou que Pogacar debitou cerca de 460 watts, valor superior aos 444 watts de Jonas Vingegaard, aos 422 de Remco Evenepoel e aos 380 watts gerados pelo décimo classificado.

Esta facilidade em andamentos extremos é sentida na primeira pessoa pelos rivais. Geraint Thomas recorda uma subida em Liège na qual ambos pedalavam a mais de 400 watts. Enquanto o vencedor do Tour de 2018 se concentrava no esforço, o esloveno meteu conversa, deixando a sensação de que tinha ainda uma ou duas mudanças de reserva logo no início da corrida.

No seio da própria equipa, o nível de exigência impressiona os companheiros. Matteo Trentin, que partilhou três temporadas com Pogacar, lembra tiradas em que os gregários iam revezando o esforço enquanto o líder continuava a pedalar sem quebras, brincando que precisaria de uma pá e de uma vassoura para o apanhar do chão caso tentasse imitá-lo. Por sua vez, Tim Wellens assegura que é mais simples correr integrado no pelotão do que treinar a sós com o esloveno.

No plano técnico, o antigo treinador Íñigo San Millán destaca a estabilidade do corredor, que pedala sentado com o tronco praticamente imóvel quando se isola. Após a entrada de Javier Sola para o comando dos treinos, no inverno de 2023, o trabalho de ginásio ganhou maior preponderância, reforçando a força lombar e abdominal que lhe permite permanecer no selim no preciso momento em que os adversários são forçados a levantar-se.

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