Jesús Owono, guarda-redes do Andorra FC e Guiné Equatorial
Jesús Owono, guarda-redes do Andorra FC e Guiné Equatorial - Foto: IMAGO

Guarda-redes pondera retirar-se após morte trágica de Jesús de Miguel

Ana Maye, coordenadora da federação da Guiné Equatorial e amiga próxima desde a adolescência, revela que Jesús Owono está «muito afetado» com a situação

O guarda-redes Jesús Owono está a equacionar colocar um ponto final na carreira de futebolista após o trágico desfecho do encontro de segunda-feira da LaLiga 2, entre o Tenerife e o Andorra. O guardião esteve envolvido num grave lance no círculo central, já no período de compensação, que resultou na morte trágica de Jesús de Miguel.

A revelação sobre o estado anímico do internacional pela Guiné Equatorial — seleção onde é titular habitual e figura preponderante há mais de cinco anos — foi feita por Ana Maye, coordenadora da federação do seu país e amiga próxima desde a adolescência. «Apesar de todos os nossos esforços para o tranquilizar, ele continua profundamente entristecido. Está muito afetado, sobretudo pelo filho de Jesús de Miguel, de apenas um ano e meio, e pela sua viúva. Não sabe como lidar com tudo isto», explicou à imprensa local.

Perante este cenário devastador, o clube Andorra tem prestado apoio psicológico ao jogador através de profissionais que procuram ajudá-lo a assimilar que se tratou de um acidente em campo, recorrendo inclusive a vídeos de outros atletas que atravessaram episódios traumáticos idênticos para que possa, gradualmente, recuperar a confiança.

No entanto, o impacto da tragédia estendeu-se a todo o seio familiar de Jesús Owono. De acordo com Ana Maye, o irmão do jogador, que atua no País Basco, tem sido alvo de hostilidade: «Os colegas de equipa provocam-no e até alguns pais o insultam, chamando-lhe assassino. É muito duro. A irmã, que estuda na universidade de Valência, também está a sofrer com tudo o que se está a passar. Eles não merecem isto. Ele tem uma fé profunda na Bíblia e gostaria que compreendesse que não tem de carregar este fardo de culpa... Ninguém entra num campo a pensar em matar outro jogador!»

A mãe do guardião deslocou-se do País Basco até Andorra para lhe prestar apoio pessoal direto. Perante a comoção geral, Ana Maye apelou à compreensão pública: «Ela ensinou-lhes que a humanidade é o que mais importa, que é o que move montanhas. Por favor, respeitem a privacidade deles. Têm outros dois filhos pequenos e o marido em casa. Eles também estão a sofrer.»

«Jesús Owono precisa de tempo, ajuda e tranquilidade para superar o que aconteceu. Eles também estão de luto, ainda que de forma diferente. A família do falecido perdeu um ente muito querido e isso é avassalador, terão de viver com isso para o resto dos seus dias, mas a vida da família de Jesús Owono também mudou para sempre e não merece ser destruída desta forma», concluiu.

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