Pamela Anderson recorda diagnóstico de hepatite C: «Deram-me 10 anos de vida»
A atriz Pamela Anderson, que se tornou uma estrela internacional com o seu papel em Baywatch, popular série nos anos 90, recordou o diagnóstico de hepatite C que recebeu no final dessa década, descrevendo-o como uma «sentença de morte» que lhe custou «tudo o que tinha no banco».
No domingo, a atriz foi homenageada com o Prémio de Coragem da amfAR numa gala em Veneza. Foi nesse evento que falou abertamente sobre como o diagnóstico abalou a sua vida. A amfAR é uma organização sem fins lucrativos dedicada a acabar com o VIH/SIDA, sendo a hepatite C uma coinfeção frequente.
Na altura do diagnóstico, a infeção viral, que causa inflamação do fígado e potenciais danos a longo prazo, não tinha cura. Anderson, agora com 59 anos, revelou que o seu médico lhe disse que teria apenas 10 anos de vida. «Tenho a certeza de que isso influenciou e corrompeu as minhas decisões», afirmou. «Não era o medo da morte, mas o medo do que poderia acontecer aos meus filhos pequenos. Virou a minha vida do avesso».
Recorde-se que, em 2002, a atriz revelou publicamente ter contraído o vírus após partilhar uma agulha de tatuagem com o seu então marido, Tommy Lee, baterista dos Motley Crüe. «O Tommy tem a doença e nunca ma revelou durante o nosso casamento», disse Anderson na altura, enquanto travava uma batalha pela custódia dos dois filhos do casal. No entanto, Tommy Lee sempre negou repetidamente ter hepatite C.
No seu discurso de domingo, Anderson confessou ter lutado com sentimentos de «vergonha e culpa». «Isso fica comigo, assombra-me», disse. «E, tal como o abuso sexual que sofri em criança, parecia que estava gravado na minha testa: mercadoria danificada. E eu apresentava-me como tal.»
A situação mudou em 2011, quando foi descoberta uma cura para a infeção. Quatro anos depois, Anderson anunciou estar «livre da hepatite C». «Tive sorte», declarou no seu discurso. «Foi-me oferecida nos seus estágios iniciais e custou-me tudo o que tinha no banco para a pagar. Ainda não era coberta pelo seguro e senti uma culpa tremenda por outros não terem o mesmo acesso».
Apesar de tudo, a atriz afirmou ter «finalmente feito as pazes» com o diagnóstico. A sua carreira tem sido revitalizada nos últimos anos, com papéis em filmes como «The Last Showgirl», «The Naked Gun», «Rosebush Pruning» e «Place to Be», que estreia esta quarta-feira no Festival de Cinema de Veneza.
«A minha verdade manifestou-se através do meu trabalho, encontrando formas de me expressar através das artes. Deu-me a munição de que precisava, uma vida fértil para usar e explorar», concluiu Anderson. «Não sou uma vítima. Sou uma vitoriosa. Sou forte e capaz, mais agora do que alguma vez poderia sonhar. (...) Não sou a donzela em apuros, por mais fácil que seja desempenhar esse papel».