Schjelderup no Club Brugge, jamais!
O Benfica teve no sábado o ponto final que faltava na época 2025/26, com o presidente a explicar-se aos sócios em assembleia-geral. Foram muitas horas de democracia em ação, com Rui Costa a enfrentar as perguntas mais duras e a responder ao pormenor sobre o que falhou e o que não poderá falhar a partir de agora. Mais tarde houve nova AG sobre orçamento, mas é na vertente desportiva que me centrarei.
O futebol senior masculino foi, sem surpresa, o motivo de debate mais aceso, com o presidente a ser interrompido várias vezes por adeptos sempre insatisfeitos com as explicações. Repetindo que assume a responsabilidade pela «péssima época», Rui Costa deixou um forte aviso a Pedro Proença e aos líderes da arbitragem, prometendo agora «tolerância zero». Uma espécie de agarrem-me que eu vou-me a eles... A partir do momento em que isto é dito aos sócios, subirá também a exigência de mais comunicados e intervenções a cada jornada, o que não deixa antever grandes melhorias no ambiente do futebol português, mas pode aumentar a popularidade do presidente na Luz.
Enquanto respondia aos sócios, Rui Costa confirmou que há um central a chegar «nos próximos dias» e que «vem aí mais um ala». Foi o mais claro possível enquanto o mercado decorre, mas nunca chega para o adepto que ficou em terceiro e que não gostou de ver o clube gastar muitos milhões numa equipa que, nas palavras do presidente, «não encaixou». Se por um lado a crítica é a falta de reforços até agora [só Gabriel Índio se apresentou no início dos trabalhos], por outro a exigência subirá a cada milhão gasto. Normal.
O tom subiu quando se falou do último mercado de inverno e da iminente saída de Andreas Schjelderup, que viria a tornar-se o grande ativo do Benfica depois de marcar ao Real Madrid e de subir muito de rendimento na segunda metade da época. O Club Brugge quereria pagar oito milhões de euros, as águias só venderiam nessa altura por 20, «palavra de honra» de Rui Costa. Desde Mário Lino que não se ouvia um «jamais!» tão firme, sendo que agora mais rapidamente teremos aeroporto em Alcochete do que Schjelderup no Club Brugge.