Mário Branco, diretor-geral do Benfica - Foto: Benfica
Mário Branco, diretor-geral do Benfica - Foto: Benfica

Pedido de Marco Silva, mercado e formação: Mário Branco aborda nova época do Benfica

Diretor-geral das águias quebrou o silêncio ao segundo dia dos trabalhos de pré-época

Mário Branco, diretor-geral do Benfica, abordou o planeamento do plantel, o mercado de transferências, a aposta na formação e a ausência da UEFA Champions League. Ao segundo dia de trabalhos da pré-época, o dirigente garantiu que a estrutura está alinhada com Rui Costa e Marco Silva na construção de um plantel competitivo.

«As expectativas para quem trabalha no Benfica são sempre as mais elevadas. Sabemos que o ADN do Benfica obriga-nos a lutar por todas as competições até ao final, ou seja, da melhor forma possível. Acredito que estamos, neste momento, a criar as bases para atingir esse sucesso. Digo-vos, também, que com a mudança da estrutura técnica, ao nível da equipa técnica, o treinador está muito satisfeito com as condições, tanto a nível infraestrutural como a nível humano, que encontrou no Benfica Campus. Neste momento, estamos muito alinhados – nós, o presidente e o treinador –, no sentido de criar as bases para um sucesso que sabemos que terá de ser forçosamente consubstanciado numa época muito melhor do que a anterior. Reconhecemos que os benfiquistas não estão satisfeitos com a forma como terminámos a época passada. O epílogo da época não foi o que esperávamos, mas sabemos e temos a consciência que estamos a criar bases sólidas no sentido de uma época que terá de ser forçosamente – e que tenho a convicção que será –, muito melhor do que a que acabou», abordou, em entrevista aos meios de comunicação do Benfica.

Mário Branco destacou a aposta na formação, deixando a garantia que o «mercado começa no Benfica Campus».

«Temos aqui três jogadores que no ano passado se estrearam na equipa principal, tanto no Campeonato como na Liga dos Campeões: o [Daniel] Banjaqui, o José Neto e o Anísio [Cabral], que neste momento já migraram, embora sejam nascidos em 2008, para o plantel principal», disse, acrescentado que Marco Silva pediu para «analisar» numa primeira fase o que o Benfica tem «dentro de casa».

«A nossa pré-temporada terá de ser bastante dinâmica. Neste momento começamos com uma base que acreditamos que é uma base sólida de muitos jogadores que transitam da época passada e, se repararem, da equipa-base do ano passado perdemos apenas o Nico Otamendi. Todos os outros estão aqui, então nós temos de ter esse dinamismo e fazer as coisas por três fases. Começar agora com essa base e com alguns jovens que nós queremos e que o treinador também quer avaliar. Depois, ir integrando à medida que acharmos pertinente e de forma criteriosa os reforços para colmatar as lacunas que detetámos no plantel. Numa terceira fase, os seis jogadores que estão no Mundial, à medida que foram terminando o serviço das seleções nacionais, vão-se incorporando novamente no plantel. É bom que não se esqueça que os seis jogadores que estão neste momento no Mundial são jogadores que na época passada faziam parte muitas vezes do onze titular, dois defesas – o Dedic e o Tomás [Araújo] – dois médios – Aursnes e o [Richard] Ríos – e dois extremos avançados – o Andreas Schjelderup e o Lukebakio. Nessa perspetiva, independentemente da pseudopressão pública relativamente à pressa de o Benfica começar apenas com um reforço e um reforço jovem [Gabriel Índio]», afirmou Mário Branco.

O Benfica está a menos de um mês de arrancar oficialmente a época. A 23 de julho, na Suíça, os encarnados defrontam o St. Gallen na primeira mão da segunda pré-eliminatória da UEFA Europa League.

«Vamos ter uma pré-época bastante curta, mais uma vez atípica. Já no ano passado, a propósito do Mundial de Clubes e também pela pré-eliminatória e pela Supertaça em Portugal, tivemos de começar cedo. Neste ano acaba por, de alguma forma, ainda que por razões menos positivas, termos de fazer a mesma coisa e, por isso, vamos fazer as coisas sem precipitação. Vamos fazer as coisas de uma forma tranquila, com estabilidade, e tenho a certeza que nós e os adeptos não querem ser campeões do mercado de transferências. Os adeptos querem em maio de 2027 ter as alegrias que merecem ter e aquelas que nós lhes devemos e que lhes merecemos dar», destacou Mário Branco, que abordou a ausência da UEFA Champions League.

«A ausência da Champions não limita. Eventualmente ajusta o investimento, mas sendo Champions ou sendo Liga Europa o critério e o rigor na escolha dos reforços irá sempre ser o mesmo no Benfica. Sempre foi e sempre será. O Presidente já teve o cuidado de informar a nação benfiquista que nós temos capacidade de montar um plantel competitivo, um plantel à imagem do treinador e um plantel que possa colmatar as eventuais lacunas que o treinador encontre. Neste momento estamos muito alinhados e estamos muito confiantes que com esta estabilidade, cumprindo estes pressupostos e com algum dinamismo – acho que a palavra dinamismo vai ser algo muito importante na nossa pré-temporada e no nosso mercado –, vamos conseguir ter um plantel que, na minha opinião sincera e singular, nos vai permitir ter uma época muito superior à época passada», comentou.

Acerca do mercado, Mário Branco garantiu estar «perfeitamente identificado» com Marco Silva.

«Primeiro temos também de olhar para dentro e olhar para dentro não significa apenas os jogadores que vêm da formação. Nós, no ano passado, na janela de verão, fizemos um investimento impactante no plantel e alguns jogadores por algum motivo, ou por menos utilização, ou porque não tiveram a performance desejada, não atingiram o ponto que nós achámos que deveriam atingir. Mas com a mudança da equipa técnica muda também, não tanto o modelo de jogo e os sistemas, mas sim algumas características do próprio modelo. Nessa perspetiva alguns jogadores podem também ver as suas características exponenciadas e potenciadas por essa mesma mudança. O treinador e nós, queremos também olhar para esses jogadores que se calhar não atingiram o nível que nós sabemos que com algumas mudanças e com um setup diferente podem atingir. Por isso, mais uma vez o dinamismo: alguns jogadores formados no Benfica Campus, alguns jogadores que estão no plantel e que não atingiram ainda o clímax do potencial que têm e obviamente, como vos disse, a curto prazo vão entender que duas, três, ou quatro operações muito cirúrgicas para posições em que achamos que existem lacunas no plantel vão acontecer», atirou, olhando para a estreia oficial dos encarnados.

«Acredito que quando chegarmos ao primeiro jogo oficial com o St. Gallen já vamos ter um plantel bastante competitivo e capaz de assumir a responsabilidade e a ambição do Benfica de continuar e de chegar à fase de liga da Liga Europa. Mas a nossa responsabilidade em termos globais é chegar a 31 de agosto, ou a 1 de setembro, que é a data em que o mercado vai fechar, e ter um plantel compacto, um plantel digno da camisola que vestimos e um plantel que nos permita dar aos benfiquistas as alegrias que eles merecem. Não tanto no imediatismo, mas sim pensando na fase final da época em maio, que é quando os títulos importantes acabam por se resolver», completou.

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