Samu fez 'jackpot' ao estar no sítio certo à hora certa: as notas do FC Porto

O avançado espanhol resolveu um jogo feio, com um golo que constará dos «apanhados» de 2026. Samu fez o que lhe competia, agradeceu a oferta e meteu a bola no fundo das redes insulares. E os dragões somaram mais um triunfo, numa noite cinzenta em que, se o futebol foi para esquecer, os três pontos foram para somar...

Diogo Costa (6) - Um sobressalto, na primeira parte, quando se viu abalroado numa bola dividida, em lance que o árbitro considerou faltoso. No segundo tempo, bem protegido por uma defesa que nunca se preocupou em jogar bonito, preferindo a eficácia, teve de se aplicar aos 81 minutos, detendo, com os punhos (?), um remate de Gabriel, que bateu forte um livre lateral. 

Martim Fernandes (5) - Começou à direita da defesa, mas a lesão de Francisco Moura obrigou-o a mudar-se para a esquerda, aos 28 minutos. Em qualquer dos flancos cumpriu defensivamente, sem brilho atacante. Numa noite em que a inspiração foi quase toda soprada para longe pelo anticiclone dos Açores, Martim afinou por esse diapasão.    

Bednarek (6) - Teve uma fífia, aos 11 minutos, que corrigiu com uma falta que o fez ser amarelado (e arriscou-se a mais...). Depois disso entrou num modo essencialmente prático, cortando com eficácia tudo o que lhe apareceu pela frente, acabando por ter um contributo positivo na vitória portista.

Kiwior (6) – Ao contrário do que é hábito, foi um generoso contribuinte para as 22 faltas feitas pela sua equipa ao longo da partida. Tal como o seu compatriota e parceiro de defesa Bednarek, nunca se preocupou com a estética e, com isso, ajudou Diogo Costa a ter uma noite mais descansada. Especialmente na primeira parte ainda teve algumas ações bem conseguidas de distribuição de jogo.  

Francisco Moura (-) - O lateral-esquerdo dos dragões começou a aparentar estar em inferioridade física logo a partir dos 11 minutos e até ser substituído, aos 28, passou, discreto, entre os pingos da chuva, enquanto tentava perceber se dava, ou não, para continuar.  

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Pablo Rosario (6) - Teve duas funções distintas, ao longo da partida: até aos 61 minutos, manteve-se na cabeça da área, mostrando-se eficaz na destruição das iniciativas do Santa Clara, revelando maior apetência, com a bola no pé, para a lateralização do jogo; quando Varela entrou derivou para terrenos um pouco mais adiantados, onde teve, como primeira preocupação, tapar os caminhos dos insulares. Viu um amarelo (77), por questões de lana caprina, que vai tirá-lo do jogo de Guimarães. 

Froholdt (5) – Numa partida mais lutada que jogada, o médio nórdico nunca virou a cara à luta, cumprindo taticamente o que lhe foi pedido. Mas - um cruzamento na primeira parte foi a exceção - a verdade é que em largas fatias da partida passou despercebido.  

Gabri Veiga (5) - Um livre direto que apontou aos 22 minutos, em que obrigou Gabriel Batista a uma defesa competente, foi o seu maior destaque durante os 61 minutos em que esteve em campo. Um pouco à imagem de Froholdt, cumpriu, mas manteve-se discreto e pouco inspirado. 

William Gomes (6) - Foi o principal agitador do FC Porto durante a metade inicial. Várias iniciativas pela direita criaram ‘frisson’ na defesa do Santa Clara e aos 45+3 assinou o principal lance de perigo da sua equipa, correndo com a bola cerca de 60 metros, driblando e ganhando posição, da direita para o meio, para um remate que o guarda-redes açoriano deteve com mérito. No segundo tempo foi-se apagando progressivamente. 

Pepê (5) - Não teve o destaque individual de outras jornadas, talvez porque teve como missão tapar o corredor, sendo-lhe vedados ‘passeios’ por outras zonas onde poderia ter mais espaço para fazer a diferença. Cumpriu taticamente e nunca virou a cara à luta. 

Alberto Costa (5) – Entrou para a direita da defesa aos 28 minutos e nem destoou, nem se evidenciou, face à bitola da sua equipa. Aos 81 minutos teve uma entrada imprudente, viu um cartão um amarelo, e desse livre surgiu a situação mais delicada para Diogo Costa resolver. 

Borja Sainz (6) – Saiu do anonimato aos 88 minutos quando, depois de uma receção de extraordinária qualidade, entrou a esquerda para o meio e rematou forte, obrigando Gabriel Batista a ceder canto. Foi um dos lances mais espetaculares do jogo, a meias com o de William Gomes, aos 45+3. 

Alan Varela (4) – Foi chamado para 'trinco', aos 61 minutos. Viu um amarelo desnecessário aos 78 minutos e teve uma perda de bola comprometedora aos 82.  

- Deniz Gul (-) – Entrou para a direita do ataque aos 79 minutos e essencialmente cumpriu defensivamente. 

A figura - Samu (6)
Muito marcado, encaixado entre os centrais contrários, se quis ter bola teve de recuar para procurá-la, também porque o jogo mastigado da sua equipa tornava previsíveis as ações que visavam servi-lo. Numa dessas circunstâncias, em que baixou para o meio-campo, ganhou um livre frontal, que Gabri Veiga marcou e Gabriel Batista defendeu. No lance do golo, bastou-lhe ter os olhos abertos para se aperceber da tremenda oferta do guarda-redes do Santa Clara e, com a baliza escancarada, não falhou os 7,32x2,44 e faturou. No que mais teve de dar à equipa, fê-lo com entrega, luta e até capacidade de defender nas bolas paradas. Mas, acima de tudo, Samu nunca esquecerá o golo que marcou nos Açores, um daqueles que acontece uma vez na vida.  

As notas do FC Porto: Diogo Costa (6); Martim Fernandes (5), Bednarek (6), Kiwior (6), Francisco Moura (-); Pablo Rosario (6), Froholdt (5), Gabri Veiga (5); William Gomes (6), Samu (6) e Pepê (5).

Suplentes utilizados: Alberto Costa (5), Borja Sainz (6), Alan Varela (4) e Deniz Gul (-).