O Natal já passou, mas há prendas até aos Reis (crónica)

Samu marcou o único golo da partida, numa oferta incrível do guarda-redes do Santa Clara. Dragões vão para a segunda metade da Liga com 7 pontos de vantagem sobre o Sporting

A época das Festas já terminou, mas a forma como o FC Porto festejou a vitória nos Açores diz muito do que esta equipa quer do novo ano de 2026: o título. Não foi nada fácil chegar a esse momento de celebração, porque o Santa Clara fez de tudo para tapar os caminhos da sua baliza, mas uma prenda de Gabriel Batista para Samu entregou os três pontos aos visitantes, que são cada vez mais os Reis deste campeonato. Mesmo que para isso seja preciso sofrer...

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PERIGO SÓ NOS DESCONTOS

Francesco Farioli promoveu apenas uma alteração no onze inicial em relação à última partida, fazendo regressar Gabri Veiga e deixando Rodrigo Mora no banco. Desde cedo, no entanto, percebeu que teria de mudar mais uma peça, pois Francisco Moura esteve muito queixoso até ser substituído, aos 28 minutos, por Alberto.

Durante a primeira parte, o FC Porto foi tendo dificuldades em furar o bloco defensivo açoriano, que se apresentava em 5x4x1 e asfixiava as tentativas portistas, sobretudo pelo corredor central. Os extremos iam muito para dentro e assim mesmo surgiu o primeiro lance de algum perigo, dos pés de William Gomes, com o seu movimento característico a puxar para o pé esquerdo e rematar em arco de fora da área, mas a bola saiu um pouco por cima da baliza.

Intensificou-se então a pressão portista e os azuis e brancos começaram a chegar mais perto da área açoriana, trocando a bola mais rapidamente até lá, ainda que sem assustar muito.

Só quando o FC Porto acelerava é que conseguia contornar um Santa Clara muito compacto a defender. Quando o ritmo era mais lento e previsível, os açorianos esperavam e resolviam. No ataque aventuraram-se pouco, pois só um remate de Vinicius e uma saída de Diogo Costa em que o árbitro assinalou falta acordaram os adeptos da casa. Tudo relativamente calmo até aos descontos da primeira parte, quando os azuis e brancos saíram em contra-ataque e William Gomes correu, correu e correu, sem passar a bola a colegas bem posicionados, tendo rematado contra Gabriel Batista. Estava feito o aviso para o segundo tempo.

UMA OFERTA A ABRIR

Se os treinadores tiverem aproveitado o intervalo para afinar estratégias, dificilmente estariam preparados para a forma como Gabriel Batista ofereceu o golo a Samu, aos 50'. Enorme erro do guarda-redes do Santa Clara, aproveitado pelo avançado espanhol, que continua de pé quente.

Em desvantagem, o Santa Clara não desfez a sua organização e Farioli até mudou antes de Vasco Matos: saíram Gabri Veiga e William Gomes, entraram Alan Varela e Borja Sainz. O médio argentino colou-se aos centrais polacos para aumentar a capacidade defensiva dos dragões, enquanto Pablo Rosario subiu no terreno (e logo ele, que nunca se queixa de andar de um lado para o outro…).

Progressivamente, os açorianos começaram a arriscar, tiveram mais bola e assumiram a busca pelo empate, pressionando cada vez mais alto. A equipa de Farioli, já se sabe, não tem vergonha de defender quando é preciso, até porque é muito boa nisso (são apenas quatro golos sofridos neste campeonato...). O marcador não mexeu e a vantagem dos dragões sobre o 2.º classificado é agora de sete pontos. A primeira metade da Liga vale um recorde (49 pontos em 51 possíveis) e há 17 jogos para confirmar se, como diz Mourinho, isto é anormal.