As ginastas russas abandonaram uma prova na Roménia por não poderem ouvir o hino - Foto: IMAGO
As ginastas russas abandonaram uma prova na Roménia por não poderem ouvir o hino - Foto: IMAGO

Russas boicotam prova na Roménia

Federação romena pode sofrer sanções depois de um autarca não permitir símbolos estatais russos durante o evento onde deveria competir a equipa de ginástica rítmica

A seleção russa de ginástica rítmica anunciou a sua retirada de uma competição internacional na Roménia, agendada para este fim de semana, alegando que as autoridades locais ameaçaram proibir o uso da sua bandeira e do seu hino.

A decisão surge após a Federação Internacional de Ginástica ter levantado, no final de maio, as sanções impostas a atletas russos e bielorrussos, que estavam em vigor desde o início da ofensiva russa na Ucrânia em 2022. Com o fim das restrições, os ginastas de ambos os países recuperaram o direito de competir sob os seus símbolos nacionais.

No entanto, segundo um comunicado da Federação Russa de Ginástica, a delegação foi informada «oralmente» pelas autoridades de Cluj-Napoca, cidade anfitriã de uma etapa da Taça do Mundo entre 26 e 28 de junho, de que «a bandeira russa não seria hasteada (...) e o hino nacional não seria tocado em caso de vitória dos ginastas russos».

Perante o que considera uma «violação flagrante do regulamento das competições por parte dos seus organizadores», a federação russa optou por «renunciar à participação». Ainda assim, o comunicado sublinha que «a seleção russa continua pronta para participar em competições que respeitem as exigências da World Gymnastics».

A polémica intensificou-se com as declarações de Emil Boc, presidente da câmara de Cluj-Napoca. Num vídeo publicado na quarta-feira no Instagram, Boc explicou que aceitou organizar o evento numa altura em que os atletas russos só podiam competir como «neutros», ou seja, sem terem apoiado ativamente a ofensiva na Ucrânia.

«Gostaria de ser claro (...): o hino da Rússia não soará e a bandeira da Rússia não será utilizada para a representação de desportistas desse país», garantiu o autarca, justificando a sua posição como uma forma de manifestar desacordo «com os símbolos políticos de um Estado agressor».

Em resposta, o Comité Olímpico Russo considerou que a declaração constitui uma «violação flagrante da Carta Olímpica e do princípio da neutralidade política do desporto». Num comunicado, o organismo anunciou ter «informado o Comité Olímpico Internacional sobre este incidente».

Antes da ginástica, outras modalidades como o judo e a natação já tinham votado a favor da reintegração plena dos atletas russos e bielorrussos em novembro e abril, respetivamente.

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