«Não estou aqui a dar recados a ninguém, é um dia que nos envergonha»
O Botafogo enfrenta uma tarefa hercúlea na Taça Sul-Americana após ter sido goleado, por 1-6, pelo Cienciano, na primeira mão dos oitavos de final. A partida, disputada na altitude de Cusco, no Peru, deixa a equipa carioca com uma desvantagem de cinco golos para reverter no jogo da segunda mão, no estádio Nilton Santos.
No final do encontro, o treinador Franclim Carvalho não escondeu o seu desalento, classificando o resultado como «um dia que nos envergonha». O técnico justificou as alterações na equipa titular como uma tentativa de contrariar o estilo de jogo do adversário, caracterizado por muitas bolas na área.
«Trocámos os laterais por causa do tipo de jogo do adversário, que é de muita bola na área», explicou: «Depois, não estou aqui a dar recados a ninguém, mas é um dia difícil para todos nós, que nos envergonha. Sabemos da dificuldade de jogar aqui, estávamos avisados do adversário, das bolas na área, falámos sobre isso, tentámos evitar, não conseguimos.»
Franclim Carvalho detalhou o desenrolar do jogo, lamentando a sucessão de golos sofridos. «O adversário fez um golo, depois fez o segundo que o VAR demora a analisar. Depois faz o terceiro, o quarto é de mérito deles. No segundo tempo, voltámos diferentes, fizemos o nosso golo e sofremos o quinto golo em que estamos completamente desposicionados», analisou, acrescentando que a velocidade da bola na altitude é «completamente diferente».
Esta foi a derrota mais pesada do Botafogo em 16 anos. A última vez que o clube sofreu seis golos num só jogo foi em 2010, numa derrota por 0-6 frente ao Vasco da Gama.
Questionado sobre a equipa do Cienciano, o treinador afirmou não estar surpreendido com a sua qualidade, recordando a eliminatória anterior em que os peruanos eliminaram o Lanús. «É uma equipa que tem uma identidade, que tem uma ideia bem definida. Mete muita gente na área, muito cruzamento na área, muita bola longa. E que faz isso bem, ainda mais em casa», comentou.
Apesar do resultado volumoso, Franclim Carvalho sublinhou que o segundo jogo será «completamente diferente», embora reconheça a dificuldade da missão. «Obviamente, a nossa situação neste momento é muito difícil», admitiu.
O Botafogo viaja agora do Peru para Salvador, na Bahia, onde defrontará o Vitória no domingo, a contar para o Brasileirão. O decisivo encontro da segunda mão contra o Cienciano está agendado para a próxima quinta-feira.
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