'Football Leaks': Polícia Judiciária alvo de buscas do Ministério Público
O Ministério Público (MP) está a realizar buscas na Unidade de Prevenção e Apoio Técnico (UPAT) da Polícia Judiciária, em Loures, no âmbito de um inquérito que visa o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro. A investigação surge na sequência de uma queixa-crime por falsidade de depoimento e abuso de poder, relacionada com o julgamento do caso Football Leaks.
A queixa foi apresentada por David Freitas, um coordenador da Judiciária que acusa Cabreiro de ter mentido em tribunal sobre o caso que envolveu Rui Pinto, o fundador do Football Leaks, e o seu advogado, Aníbal Pinto. As buscas, noticiadas pela SIC Notícias, contam com o apoio da GNR.
No centro da acusação está a alegação de que Carlos Cabreiro, então responsável pela unidade de combate ao cibercrime, ordenou uma escuta ambiental ilegal durante a investigação. A diligência para a recolha de som de um encontro entre Aníbal Pinto e representantes do fundo de investimento Doyen, que estaria a ser alvo de chantagem, tinha sido negada pelo Ministério Público.
Segundo a queixa, para contornar a proibição, Cabreiro e outros inspetores terão afirmado em tribunal que «ouviram» a conversa, quando na verdade teriam tido acesso a uma gravação ilegal, cuja existência sempre negaram. David Freitas, que foi transferido da UPAT após a sua queixa se ter tornado pública, sustenta que foi Cabreiro quem deu a ordem para a escuta não autorizada, imputando-lhe assim o crime de abuso de poder.
Este caso envolve também a inspetora Aida Freitas, mulher de David Freitas. Durante o julgamento de Rui Pinto, Aida Freitas foi a única a negar ter ouvido a conversa, afirmando ter assinado o Relatório de Diligência Externa (RDE) «sem o ler». Esta declaração foi desmentida pelos seus colegas, incluindo Carlos Cabreiro, o que resultou na instauração de um processo disciplinar e de uma queixa-crime contra a inspetora, ambos ainda por concluir.
David Freitas alega ter encontrado na UPAT documentos que provam que os seus colegas, incluindo o atual diretor nacional da PJ, mentiram ao tribunal e prejudicaram a sua mulher. Em consequência destas novas informações, o julgamento de Aida Freitas, cuja sentença estava agendada para a semana passada, foi suspenso para averiguações por parte do MP.
Recorde-se que, a 14 de setembro, quando o inquérito foi tornado público, Carlos Cabreiro disse que mantinha «todas as declarações proferidas em tribunal», em declarações ao Jornal de Notícias, negando ter cometido qualquer ilegalidade.