Rui Borges fica: o que se exige agora ao treinador do Sporting
Rui Borges vai continuar no comando do Sporting. A SAD analisou o futuro do treinador — na sequência do empate com o Arouca (2-2), em Alvalade — e decidiu manter o técnico de 45 anos, dando-lhe um voto de confiança para tentar inverter o momento menos positivo avançou ontem A BOLA em primeira mão. A decisão surgiu logo após uma noite muito difícil em Alvalade, marcada pelos assobios e lenços brancos nas bancadas e uma contestação que atingiu o ponto mais alto na era Rui Borges. O empate com o Arouca aumentou ainda mais as dúvidas em torno do treinador: pela terceira vez nas primeiras sete jornadas da Liga, o Sporting deixou escapar uma vantagem que tinha construído no marcador.
Foi neste contexto, após a noite tensa em Alvalade, que a SAD analisou a continuidade do treinador. A hipótese de uma mudança esteve na mesa, mas a decisão final passou pela permanência de Rui Borges, pois, ao que foi possível apurar, a estrutura leonina considera que existem fatores que devem ser enquadrados na avaliação do momento. Um deles, o mais importante, passa pela profunda renovação do plantel, com várias mudanças nas peças e dinâmicas da equipa, obrigando a um período de adaptação para consolidar novas referências.
A SAD entende, assim, que o treinador reúne condições para dar a volta ao atual ciclo negativo e que uma interrupção do projeto nesta fase não seria solução. É uma decisão, de resto, com enquadramento na confiança anteriormente demonstrada pela SAD, pois, convém lembrar, Frederico Varandas anunciou, em maio, a renovação de Rui Borges até junho de 2028, deixando clara, na altura, que a aposta estaria relacionada com uma avaliação global do trabalho desenvolvido e não apenas com o resultado imediato ou determinada sequência de jogos. Essa linha de pensamento prevaleceu agora com mais este sinal do presidente.
TREINADOR SENTE CONFIANÇA DO GRUPO
Do lado do treinador, a convicção permanece intacta. Ao que A BOLA apurou, Rui Borges sente que o grupo de trabalho está totalmente ao seu lado e mantém a firme certeza de que tem todas as condições para reverter o rumo dos acontecimentos. Embora profundamente insatisfeito com os resultados mais recentes, o técnico demonstra confiança na evolução do processo e na margem de progressão dos jogadores durante as próximas semanas.
Apesar do aval positivo da SAD, a exigência será reforçada. Segue-se agora uma (longa) pausa competitiva, para compromissos para as seleções nacionais, e o regresso do campeonato colocará Rui Borges perante uma margem de erro mais curta. A resposta, essa, terá de ser imediata, tendo já no horizonte a deslocação a Braga, marcada para 9 de outubro. Pela frente, o Sporting terá agora semanas decisivas de trabalho na Academia Cristiano Ronaldo, aproveitando a pausa para ajustar os equilíbrios defensivos e... emocionais, mesmo tendo em conta a verdadeira razia a que o treinador será sujeito com a presença de 17 jogadores do plantel principal nas respetivas seleções.
Balanço feito e uma nota final: Rui Borges continua mas agora com uma ferida aberta e com a certeza de que algo terá de mudar a curto prazo. Não só nos resultados como também no comportamento da equipa e no trajeto que vem sendo marcado por vários erros individuais que têm custado muitos pontos numa fase ainda prematura do campeonato. O desfecho ante o Arouca, sublinhe-se, elevou para 17 o número de vezes que a equipa verde e branca permitiu a recuperação do adversário depois de ter estado em vantagem. Uma fragilidade recorrente que fez tremer Rui Borges. Mas não suficiente para o fazer cair.