Rui Borges considerou que expulsão de Debast marcou o jogo - Foto: Sérgio Miguel Santos
Rui Borges considerou que expulsão de Debast marcou o jogo - Foto: Sérgio Miguel Santos
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Da expulsão que mudou tudo à contestação natural dos adeptos: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting não se cansou se repetir que o jogo mudou após vermelho a Debast. Sobre os lenços brancos exibidos na bancada: «Faz parte...»

— Como analisa o jogo, em que com a partida totalmente controlada o Sporting deixa-se empatar?

— É simples: há um jogo até à expulsão. Um bom jogo da nossa parte, bem conseguido. Chegámos aos golos, podíamos ter feito mais, mesmo na primeira parte. Depois entrámos muito bem na segunda, muito bem mesmo, o Arouca nem conseguia sair do meio-campo defensivo deles e a expulsão muda tudo. Obriga-nos a ir para um momento defensivo onde fomos minimamente competentes até ao momento do penálti, que acaba por meter o Arouca no jogo e fá-los acreditar. Nós tínhamos de ser ainda mais agressivos naquilo que era a defesa da baliza, sabíamos que ia haver muitos cruzamentos, acabámos por sofrer golo num cruzamento... É uma equipa que toca bem a bola, que tem muita mobilidade no processo ofensivo e com mais um jogador, era natural que não consigamos ser tão pressionantes como fomos durante o tempo que estivemos com onze em campo, onde fomos e tentámos ser sempre pressionantes. Acabam por ser felizes...

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— Viu lenços brancos. Sente ter condições para continuar à frente do Sporting? Gostava de ter Frederico Varandas aí ao seu lado neste momento para lhe transmitir um voto de confiança?

— O único sentimento que tenho é de tristeza, porque empatei o jogo. De resto, a contestação é natural dos adeptos, é naturalíssimo. Estamos num grande clube onde a exigência é máxima, mesmo quando ganhamos — já disse isso várias vezes —, por isso entendo a contestação. É algo natural no futebol, temos de saber viver sobre isso e com isso nos momentos menos bons.

— Vasco Seabra admitiu que a equipa acabou por ser surpreendida um pouco pelo 4x3x3 do Sporting. O que é que o levou a implementar esta ligeira alteração?

— Não se trata de grandes adaptações, trata-se, sim, de uma ou outra dinâmica, não fugindo daquilo que somos, com jogadores diferentes, características diferentes. Tentámos ter dois homens de corredor, fortes no um para um, verticais, com o Geny e com o Nes [Irankunda]. Tentar prender os dois médios do Arouca nos nossos dois médios ofensivos, digamos, os nossos interiores, e conseguirmos desbloquear a pressão deles num três para dois, num primeiro momento, e depois sim conseguirmos encaixar num espaço mais à frente, ter mais calma nesse sentido. Na primeira parte poderíamos ter tido aqui ou ali um bocadinho mais de calma e tranquilidade quando chegávamos às zonas do último terço. Queríamos acelerar a toda a hora, víamos sempre um colega livre, tentámos sempre... Fomos falhando ali um ou outro passe que não tínhamos essa necessidade, mas a equipa interpretou muito bem aquilo que tínhamos planeado. Uma primeira parte muito boa, um início de segunda parte fantástico, muito boa mesmo, a equipa muito dinâmica, muito ligada, a conseguir criar situações de finalização na baliza do Arouca. E a expulsão muda tudo...

—  Na segunda parte houve um momento em que falou com Gonçalo Inácio, ele estava com alguma debilidade física? E nestes momento de reviravolta acha que que não há uma voz de comando dentro do campo?

— Já disse que falta alguma maturidade, mas não se trata disso. Olhem para o jogo e olhem para o que acontece no jogo. Ficámos com dez, é impossível sermos pressionantes como somos. Por mais que sejamos uma grande equipa, por mais que tivéssemos maturidade, sabíamos que íamos ter de sofrer ali em alguns momentos, e fomos controlando até ao penálti. O penálti mete o Arouca no jogo, porque, sinceramente, acho que se não existisse o penálti não iríamos estar aqui a falar de um empate. Mesmo nós com um bloco mais baixo — o que é natural, porque tínhamos de defender a baliza —, é uma equipa que procura corredores, muitos cruzamentos, e tínhamos de saber defender a área. Acabaram por ser fortes num lance de cruzamento, de ataque à área, e fazer o 2-2. De resto, em relação ao Inácio: estava com algumas dificuldades, estava-lhe a perguntar se tinha de sair ou não e ele disse-me que aguentava.

— É o terceiro erro consecutivo de um central do Sporting. Compreende estas desatenções dos jogadores do eixo central, que têm custado caro e pontos à equipa?

— Não se trata de compreender ou não, são coisas que acontecem no jogo. Tenho que saber lidar com elas: sou treinador, fazê-los crescer individualmente naquilo que é o seu comportamento e naquilo que são as decisões dentro de campo. Mas, jamais vou culpar aqui alguém pelo empate ou não. Em relação àquilo que foi o jogo e em relação ao afundamento: bloco mais baixo, natural. Jogámos contra uma equipa que com bola é muito dinâmica, tem muita mobilidade. Era impossível, como já disse. Sabemos naquilo que somos bons e em alguns momentos menos bons. Temos clara a visão daquilo que somos enquanto equipa. Não conseguimos ser pressionantes com dez como gostamos e como estávamos a ser, não conseguimos, tão simples quanto isso. Por mais que a tática que eu pusesse ali não íamos conseguir ser pressionantes nesse sentido e sabíamos que tínhamos de estar num bloco mais baixo. Faltou-nos alguma saída, é certo, em alguns momentos. Mas é algo que, lá está, é algo que não controlámos e temos de saber crescer também nesse sentido. Perdemos um elemento importante, obrigou-nos a mexer de forma diferente. Tentámos refrescar, ter gente que nos desse saída, que nos desse transporte.

— Já explicou aqui a sua leitura do jogo, acha que isso é suficiente para que os adeptos do Sporting, que ainda há pouco pediram a sua demissão?

— Não mudava nada em relação àquilo que foi a pré-época ou aquilo que foi a escolha de plantel, não mudava absolutamente nada, independentemente dos resultados ou dos três empates que temos até ao momento. Por isso, em relação aos adeptos, natural, já disse isso. Estou preocupado, sim, naquilo que é o nosso trabalho para crescer enquanto equipa do Sporting e conseguir dar uma resposta diferente, porque temos que a dar, porque estamos numa grande instituição, num grande clube onde a exigência, já disse, é máxima, mesmo quando ganhamos. Por isso, não ganhámos, a exigência ainda é maior.

— Não deve o Sporting, e com todo o respeito pelo Arouca, mesmo com 10, ser capaz de defender um pouco mais alto, de segurar esta vantagem, mesmo sofrendo um golo de penálti depois? Mostrou alguma preocupação na conferência de antevisão sobre o estado anímico da equipa, dependendo do resultado de hoje, que era importante ganhar para também ir para a pausa com outra confiança. Como é que fica agora a equipa?

— Não mostrei nenhuma preocupação. Não mostrei preocupação, não digam coisas que eu disse. Eu disse que era importante ganhar para a equipa ir confiante para aquilo que era a pausa, não falei em preocupação nenhuma. Claro que nós temos sempre a obrigação de mais e melhor, seja com o primeiro classificado, seja o último. A nossa exigência é máxima e temos a obrigação sempre de fazer mais, por isso, é perceber as circunstâncias de cada jogo e de forma em que perdem todos os pontos e depois, sim, tirar as relações que pudermos tirar.

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