Técnico do Manchester United diz que não se demite e acaba contrato a menos que o queiram substituir antes; insiste que é 'manager' e não apenas treinador

Ruben Amorim perdeu a paciência. Não vai durar muito

Português deu murro na mesa no Manchester United. Provavelmente cavou a sua sepultura, mas pareceu tê-lo feito conscientemente: a situação, tal como está, é insustentável

Ruben Amorim esperou pela última pergunta da conferência de imprensa após o empate com o Leeds, ontem, para dizer tudo o que lhe ia na alma. Numa rara demonstração de frustração, e de falta de paciência, o treinador do Manchester United deixou recados claros à estrutura do clube.

Provavelmente, cavou a sua sepultura. Pareceu tê-lo feito, em todo o caso, conscientemente, sabendo que a situação, como está, é insustentável.

«Vim para aqui para ser o manager do Manchester United, não para ser o treinador do Manchester United. Isso é claro. Sei que não me chamo Tuchel, Conte, Mourinho, mas sou o manager do Manchester United. E vai ser assim mais 18 meses, ou até a direção decidir mudar. Eu não vou desistir, e vou fazer o meu trabalho até que venha outro substituir-me», atirou Amorim.

As frases do português vêm na sequência de outras, crípticas, ditas anteriormente, nas quais já tinham ficado evidentes divergências sobre a atuação do clube no mercado de transferências deste janeiro. Para além da falta de capacidade de investimento, há diferenças de opinião entre Amorim e o scouting — não só em relação a alvos a contratar, mas sobretudo em relação a jogadores que possam sair para angariar fundos para reforços.

Mas esse está longe de ser o único problema, e Amorim não o escondeu na mesma resposta a seguir ao jogo em Leeds: «Se as pessoas não conseguem lidar com os Gary Nevilles e com as críticas a tudo, temos de mudar o clube.»

Neville tem sido um dos maiores críticos do português e dentro do United há quem comece a considerar que a pressão externa é demasiada, e que Amorim deveria abdicar dos seus princípios — incluindo do 3x4x3 — para diminuir o ruído. Segundo a imprensa local, Christopher Vivell, líder do recrutamento do clube, terá inclusivamente questionado as opções do português, após Marco Silva explicar a forma como o Fulham contrariou o sistema dos diabos vermelhos.

Amorim, como é evidente, não aceita interferências na área técnica, e considera que a possibilidade de chegarem reforços que não encaixam no 3x4x3, ou saírem jogadores fundamentais, será isso mesmo. Por isso reclamou que era manager. Mas a 1 de novembro de 2024, quando substituiu Ten Hag, foi apresentado como treinador principal. E nesta luta de poder, os resultados não ajudam: tem uma vitória nos últimos cinco jogos e, se continuar a fazer ondas, corre o risco de não durar muito...