Ibrahim Maaroufi defrontou Lionel Messi num Barcelona-Inter
Ibrahim Maaroufi defrontou Lionel Messi num Barcelona-Inter do troféu Joan Gamper - Foto: IMAGO

De promessa no Inter ao pesadelo da prisão por terrorismo

Ibrahim Maaroufi chegou aos italianos com 16 anos, sagrou-se campeão, mas decisões precipitadas estragaram a carreira. História mais caricata da vida aconteceu fora do futebol

Chegou a Milão ainda jovem com a ousada ambição de roubar o lugar a Patrick Vieira, sagrou-se campeão italiano sob o comando de Roberto Mancini e partilhou balneário com grandes nomes do futebol mundial. No entanto, o percurso de Ibrahim Maaroufi transformou-se numa autêntica odisseia marcada por dezenas de transferências, decisões precipitadas e um pesadelo judicial ao ser confundido com um terrorista devido a um roubo de identidade. A história do antigo médio foi agora revisitada pela revista francesa So Foot.

O talento de Maaroufi começou a despontar cedo. Iniciou a formação no Anderlecht aos seis anos, inserido numa geração marcante. «A geração de 89, com jogadores como Kompany e Vanden Borré, onde terminávamos épocas a somar 60 pontos em 60 possíveis», recordou. Aos 11 anos rumou ao PSV, onde aos 15 já treinava com a equipa principal, até assinar o primeiro vínculo profissional com o Inter aos 16 anos.

Integrado na pré-época do conjunto milanês no verão de 2006, o jogador cruzou-se com figuras de proa: «Os italianos, franceses e brasileiros não estavam, mas Ibrahimovic estava, já a olhar para o futuro com os seus bordões, quase a pensar nas redes sociais. Quem mais me ajudou foi Dacourt, mas também Adriano: nos treinos ninguém queria ir para a barreira nos livres dele. E depois havia Vieira, que me ensinou muitos aspetos táticos, mas eu queria tirar-lhe o lugar. Olhando para trás, vejo que era louco. Mas se tivesse de escolher um jogador daquele Inter, diria Zanetti: trabalhador, sério, perseverante, nunca perdia a bola.»

Apesar de ter vencido a Serie A e o campeonato de Primavera no primeiro ano, a falta de tempo de jogo na equipa principal precipitou a saída. «Faltou-me paciência para me afirmar e forcei o empréstimo», admitiu o antigo internacional marroquino. Após passar pelo Twente e pelo Vicenza, na Serie B, recusou uma copropriedade e rescindiu contrato para sair a custo zero. A carreira seguiu uma trajetória descendente, com passagens pelo Paganese na Serie C, pela Bélgica, por Marrocos e pelos iranianos do Parseh Tehran.

Contudo, o momento mais dramático da sua vida deu-se longe dos relvados. Na sequência dos atentados islamistas no metro de Bruxelas, em 2016, descobriu-se que um dos bombistas, Khalid El Bakraoui, tinha arrendado um apartamento em Charleroi para acolher o comando responsável pelos ataques de 13 de novembro de 2015 em Paris utilizando a identidade de Maaroufi.

«Foi um choque. Apresentei-me voluntariamente às autoridades, mas dois dias depois, em viagem para os Países Baixos, fui mandado parar na fronteira e detido por suspeitas de terrorismo. Fiquei numa cela até contactarem a polícia belga. O mesmo voltou a acontecer no aeroporto de Bruxelas e acabei igualmente detido em Itália», relatou.

Hoje com 37 anos, pai de três filhos e a viver tranquilamente nos arredores da capital belga, Maaroufi não guarda arrependimentos da sua passagem pelo topo do futebol: «Tenho orgulho de ter jogado pelo Inter como profissional. Muitos sonham pisar o relvado do Meazza um dia, eu consegui fazê-lo com 17 anos e 8 meses. Foi algo fantástico.»

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