Rodrigo Mora prepara-se para bater um livre, ainda na primeira parte (Foto Rogério Ferreira/Kapta+)
Rodrigo Mora prepara-se para bater um livre, ainda na primeira parte (Foto Rogério Ferreira/Kapta+)

Rodrigo Mora foi moldado pelos deuses da bola (as notas do FC Porto)

O que o prodígio fez no lance do primeiro golo só está ao alcance dos predestinados e quando foi preciso guardar a bola trancou-a no cofre que tem nos pés. Moura, Alan Varela e Pepê também num nível elevado
O melhor em campo: Rodrigo Mora (7)
Na conferência de imprensa de antevisão da partida confessou que se sentia um jogador mais completo e é verdade. Mas, felizmente, o maior compromisso com a equipa não lhe retirou, sequer, um pinguinho de talento. Felizmente. É daqueles futebolistas moldados pelos deuses da bola. O Rangers são os protestantes e deverão ter ficado a protestar com a jogada do primeiro golo portista. Não porque tivesse existido qualquer infração, mas porque não se vê muito o que Mora fez: recebeu a bola de costas e com um toque deu cabo do adversário que lhe saía ao caminho, não travou a progressão e o amigo esférico chegou-lhe já dentro da área aos pés para empatar a partida. A partir daí começou mais um pequeno recital. Quando foi preciso guardar a bola, foi ele que a trancou no cofre que tem nos pés.

Diogo Costa (6) — Abrir os braços e questionar os companheiros sobre o que se passou quando se sofre um golo nada resolve, como aconteceu no do Rangers, até porque também se sentou no banco dos réus. Na segunda parte, grande defesa a remate de Raskin.

Alberto (5) — Não deu grande profundidade ao flanco direito e no golo dos escoceses também teve quota parte de culpa, pois não fechou por dentro e deixou Gassama perfeitamente à-vontade para cabecear sem que ninguém o incomodasse.

Bednarek (6) — No golo do Rangers ficou no vais-tu-vou-eu. Não foi ninguém e Gassama abriu o ativo. Mas o polaco é tão frio como o país que o viu nascer e não se deixou afetar. Aquele passe para Moura no segundo tento portista é de compêndio.

Kiwior (6) — Falhou no lançamento do ataque aos 7 e daí nasceu o golo do Rangers. Depois disso voltou à boa bitola habitual.

Francisco Moura (7) — Quando quase ninguém acreditava que aquele grande passe de Bednarek teria uma consequência tão positiva, ele acreditou e foi recompensado com um golo em que teve a fé de que Butland e Tavernier não saberiam o que fazer à bola. Os dois não souberam, soube ele e colocou-a no fundo da baliza do Rangers.

Froholdt (6) — Continua intenso mas sem o mesmo discernimento. Rima e é verdade. Dentro do retângulo de jogo faz círculos, quadrados, linhas retas e interceções. A juntar a isto alguma magia é pedir muito. Mas diga-se que quando chegou dava isto. E era imenso. Agora não dá. Mas não é mau. Longe disso.

Alan Varela (7) — Uma cura de banco, por vezes, faz bem… O argentino não tem sido titular mas reapareceu num plano bem razoável, cumprindo com o habitual quando encaixou nos centrais para tapar os caminhos da baliza mas teve o upgrade de arriscar mais no passe e se incorporar na manobra ofensiva. E como a equipa ganha com este fator…

William Gomes (6) — Participou ativamente no primeiro golo e daí a classificação um bocadinho acima da média. Mas tem demasiada propensão para se colocar na boca do lobo. A partir de determinada altura do encontro, Farioli como que se zangou com os sprints kamikazes inconsequentes e retirou-o de campo.

Samu (6) — O golo são o alimento de qualquer ponta de lança e, portanto, aquele menear de cabeça a desaprovar a exibição, de certa forma, compreende-se. Mas não haverá muitas dúvidas de que está um jogador muito mais completo. A receção de costas para a baliza subiu exponencialmente, bem como a mobilidade na frente atacante. Anda sempre de um lado para o outro, o que dá enorme amplitude à sua equipa e deixa a contrária com os nervos em franja.

Galeria de imagens 21 Fotos

Pepê (7) — Quem diz que fazem o bem nem sempre compensa? Esta é uma discussão filosófica desde a antiguidade mas no caso do brasileiro fazer o bem compensou. O foco está num lance perto da meia-hora: arrancou pela esquerda num corrida que não lhe é muito vista e quando se preparava para rematar à baliza, é varrido por Fernandes, que o atinge num pé. Pensou-se que teria de ser substituído, não foi, aguentou e a partir desse momento arrancou para uma exibição assaz positiva.

Martim Fernandes (6) — Manteve-se no nível exibicional protagonizado com o Gil Vicente, ou seja, bom.

Borja Sainz (5) — Há noites como a do espanhol no Dragão: uma exibição assim-assim…

Deniz Gul (6) — Entrou para o lugar de Samu e a equipa não se ressentiu da troca.

Pablo Rosario (6) — Tem sempre os cinco sentidos em alerta.

Gabri Veiga (— ) — Sem qualquer impacto.