O paradoxo que envolve Rafael Leão no Milan
Rafael Leão é o melhor marcador do Milan na Serie A, com nove golos, mas os números revelam um paradoxo curioso: a equipa rossonera é mais eficaz ofensivamente quando... o internacional português não está em campo. Esta situação alimenta o debate em torno do futuro e do impacto do jogador no clube.
As estatísticas são claras e sustentam esta tese. Nos sete jogos do campeonato em que o luso não participou — seis por indisponibilidade e um por ter ficado no banco —, o Milan marcou um total de 15 golos, alcançando uma média impressionante de 2,14 golos por partida. Nestes encontros, a equipa marcou três golos contra Udinese, Verona e Bolonha, dois contra Lecce e Sassuolo, e um golo frente a Cremonese e os bolonheses.
Por outro lado, nas 22 partidas em que Rafael Leão foi utilizado, a equipa marcou 29 golos, o que se traduz numa média de apenas 1,32 golos por jogo. A análise por minutos em campo reforça a tendência: com Leão, o Milan marca um golo a cada 65 minutos (23 golos em 1492 minutos), enquanto na sua ausência, a frequência sobe para um golo a cada 53 minutos (21 golos em 1118 minutos).
Uma das possíveis explicações para este fenómeno é que, com o atacante português, o ataque se torna mais imprevisível, mas também mais estático, e o jogador não se destaca particularmente no jogo associativo. A teoria de que um jogador como Santiago Giménez, embora menos preciso na finalização, poderia ser mais útil para a equipa, ganha alguma força neste contexto. Além disso, o rendimento recente da dupla ofensiva composta por Leão e Christian Pulisic tem sido questionado, com o Milan a marcar apenas 17 golos nos 13 jogos disputados em 2026, uma média de 1,3 por jogo, considerada baixa para um candidato ao título.
Face a este dilema, muitos adeptos sugerem o regresso a um sistema com tridente ofensivo, com Leão a voltar à sua posição na ala esquerda. No entanto, o treinador Allegri parece ter uma opinião diferente. Após um jogo em Cremona, o técnico abordou a questão, afirmando que essa é uma solução para ser usada durante os jogos e não de início.
«O tridente, neste momento, é uma solução para o decorrer do jogo. Quando há ritmos elevados, é normal que os extremos também tenham de trabalhar muito e se perca um pouco de lucidez», explicou Allegri.
Assim, e salvo surpresas, diz a Imprensa transalpina, não se espera que o treinador utilize esta formação desde o início contra o Torino. Leão terá de lutar por um dos dois lugares no ataque com Nkunku, Fullkrug e Pulisic, continuando a apresentar o seu futebol de qualidades e defeitos, num cenário de «pegar ou largar».