Ricardo Horta: «Não nasci um bracarense, mas já me sinto um»
Aos 31 anos e prestes a iniciar a 11.ª temporada consecutiva no SC Braga, Ricardo Horta olha para o percurso construído no Minho com orgulho. O capitão dos arsenalistas considera que já faz parte da história do clube e admite que a ligação a Braga é hoje muito mais do que profissional. «Não nasci um bracarense nem um braguista, mas já me sinto um. Sinto-me parte desta família que é o Sporting Clube de Braga», afirmou em entrevista à Sport TV.
Os números alcançados ao longo da última década fazem de Ricardo Horta uma das maiores referências da história do Braga, embora o próprio prefira olhar para eles com naturalidade. O internacional português reconhece que os recordes representam um motivo de orgulho, mas garante que continua focado em melhorar temporada após temporada. «É bom ter esses números, é sinal de que tenho desempenhado boas épocas», disse, assumindo ainda que «já estou na história do clube». Apesar disso, sublinha que continua feliz em Braga, onde a família também se sente em casa. «Estou a passar aqui bons anos e espero continuar.»
Depois de uma época marcada pela presença nas meias-finais da Liga Europa, mas também por algumas desilusões nas competições nacionais, Horta acredita que o clube retirou as devidas ilações para atacar 2026/27. O capitão elogiou o trabalho realizado pela SAD neste mercado, defendendo que a prioridade passou por manter a base da equipa e reforçar apenas as posições necessárias. «Em relação ao último ano, deveríamos fazer o que realmente aconteceu: manter um grupo forte e fazer contratações cirúrgicas para posições e características que nos faltavam», explicou, mostrando-se satisfeito com a evolução do plantel.
O avançado deixou também palavras de confiança para Carlos Vicens, considerando que a continuidade do treinador poderá fazer a diferença na nova temporada. Horta recordou que o projeto nunca deveria ser colocado em causa ao fim de poucos meses e elogiou a decisão de António Salvador em manter o técnico espanhol: «Os projetos não podem terminar em cinco ou seis meses. Acho que o presidente esteve bem», afirmou. Sobre a metodologia de trabalho, encontrou até algumas semelhanças com um dos treinadores mais conceituados do futebol mundial: «Nunca trabalhei com o Guardiola, mas, pelo que conheço dele, há muitas semelhanças na forma de treinar», referiu, confessando que aprecia treinadores que dão grande importância ao trabalho diário.
O capitão não esconde, contudo, que a equipa ficou aquém das expectativas na época passada, sobretudo no campeonato. Por isso, estabelece como prioridade melhorar o rendimento interno sem abdicar da ambição europeia. «Temos de fazer uma boa competição europeia, mas também um campeonato muito melhor do que o da época passada», afirmou. Ainda assim, recusou olhar demasiado à frente na Conference League, lembrando que o primeiro objetivo passa por ultrapassar a eliminatória frente à formação sérvia e garantir um lugar na fase principal da competição.
Ao recordar a última temporada, Ricardo Horta assumiu que a lesão que o afastou da meia-final da Liga Europa foi o momento mais triste, por acreditar que o Braga podia voltar a disputar uma final europeia: «Foi a lesão que me deixou mais triste porque sentia que havia uma oportunidade única de o Braga voltar a estar numa final europeia», confessou. Ainda assim, admite que o período mais duro foi a semana de janeiro, marcada pela derrota na Taça da Liga frente ao Vitória SC e pela eliminação da Taça de Portugal diante do Fafe. «Foram duas semanas bastante difíceis, mas a que mais me transtornou foi a de janeiro», confessou.
Ricardo Horta continua a alimentar o sonho de regressar à Seleção Nacional. O avançado acredita que o caminho passa apenas pelo rendimento apresentado em Braga. «Na minha visão, os jogadores selecionáveis são sempre aqueles que estão a ter bons rendimentos no clube e é isso que vou tentar fazer.» Sobre Roberto Martínez, fez questão de agradecer a sinceridade que sempre encontrou no antigo selecionador: «É com gratidão que recordo com o mister Roberto Martínez », enquanto relativamente à chegada de Jorge Jesus mostrou-se otimista. «Quando há uma mudança é porque há algo a melhorar», afirmou.
No final, Horta deixou também uma mensagem ambiciosa para o futuro do SC Braga. O capitão acredita que o clube tem condições para reduzir a distância para os principais rivais e sonha viver uma luta pelo título que ainda não experimentou desde que chegou aos minhotos. «Gostava de sentir esse momento. Acredito que podemos chegar a esse patamar de nos intrometermos na luta pelo título», concluiu.