Revolução no onze e magia vinda do banco mantêm Benfica no topo da Liga Europa (crónica)
Marco Silva rodou e ganhou. Aliás, rodou muito e ganhou. Com dois pequenos sustos pelo meio, sim, mas venceu. O Benfica manteve, assim, a liderança da fase de liga da Liga Europa: quatro jogos, 12 pontos e o melhor ataque da prova. E só não tem também a melhor defesa porque um erro grave e insólito permitiu o golo do Lech Poznan. Fica, porém, o aviso: quinto jogo a sofrer golos nos últimos seis encontros.
Tendo em conta o ranking de clubes da UEFA, o favoritismo do Benfica era claro: 17.º classificado contra o 74.º. Além disso, a equipa polaca ainda não vencera nesta fase de liga. Assim, o favoritismo passava de adjetivo a superlativo: claríssimo. Talvez por essa supremacia teórica, Marco Silva operou uma revolução profunda relativamente ao triunfo frente ao Alverca: Trubin, Banjaqui, Circati, El Karouani, Manu Silva, Sudakov, Echeverri, Rafa Silva e Jhon Durán entraram para os lugares de Samuel Soares, Bah, Lenglet, Dahl, Palhinha, Aursnes, Lukebakio, Prestianni e Pavlidis.
Se se antevia uma partida relativamente tranquila para as águias, essa tranquilidade cimentou-se bem cedo. Logo ao minuto 6, aproveitando duas intervenções incompletas do guarda-redes Mateusz Lis, Rafa Silva abriu o marcador, na sequência de um cruzamento de Schjelderup que ainda desviou num defesa antes de sobrar para o 27 da Luz. O festejo foi no seu tom habitual: sem sorrisos, apenas com ar de enfado.
O encontro entrou, então, numa fase igualmente enfadonha. Tirando duas iniciativas individuais de Echeverri com remates por cima da baliza polaca, não se registaram grandes motivos de interesse. O Benfica geria as operações a seu bel-prazer, mas sem argumentos para entusiasmar os mais de 50 mil adeptos presentes no estádio.
Excluindo um lance em que Schjelderup, num palmo de terreno, ludibriou dois opositores e picou com classe sobre o guarda-redes — com Yegbe a cortar em cima da linha para a trave —, o descanso chegou sem mais sobressaltos. Cenário imposto também pela gritante debilidade técnica do Lech Poznan, incapaz tanto a defender como, sobretudo, a desenhar lances de ataque.
O regresso dos balneários não alterou o guião, pelo menos durante os primeiros 20 minutos. Até ao momento em que Marco Silva mexeu a partir do banco, lançando Prestianni e Aursnes para as saídas de Rafa e Manu. Dois minutos bastaram para um dos recém-entrados rubricar um lance de génio: Gianluca Prestianni desequilibrou numa jogada envolvente e disparou com muito perigo, deixando o primeiro aviso com a camisola 25.
O futebol é um desporto coletivo onde ninguém ganha sozinho, mas há individualidades talhadas para desbloquear impasses. É o caso do jovem prodígio argentino. Três minutos decorridos, faturou na especialidade: partiu da esquerda para dentro e, contrariando a rota previsível para o pé direito, puxou para a canhota e disparou ao ângulo: um golaço.
Com o 2-0, o desfecho parecia selado. Puro engano: de quem assistia nas bancadas e, muito em particular, de Barrenechea. Um daqueles erros não forçados imperdoáveis a este nível. Trubin entregou-lhe a bola à entrada da grande área e o médio argentino, sem olhar, tentou tocar para El Karouani, servindo de bandeja Bengtsson, que reduziu sem oposição. Um susto evidente que fez franzir o sobrolho a Marco Silva: o Benfica sofria golos pelo quinto jogo nos derradeiros seis.
Já com os 90 minutos cumpridos, e após Durán ter ameaçado o golo, o resultado ficou sentenciado. Num ato de redenção, Barrenechea recuperou a bola e desmarcou Sudakov sobre o corredor esquerdo. O ucraniano fletiu para o centro e atirou certeiro de pé direito para o 3-1 final. Três pontos carimbados e liderança isolada preservada na Liga Europa.