Rafa com Murawski (Foto MIGUEL NUNES)
Rafa com Murawski (Foto MIGUEL NUNES)

Revolução no onze e magia vinda do banco mantêm Benfica no topo da Liga Europa (crónica)

Quarta vitória consecutiva das águias num jogo em que Marco Silva rodou em massa. Um pouco de sofrimento num erro defensivo, mas tudo se resolveu com dois golaços

Marco Silva rodou e ganhou. Aliás, rodou muito e ganhou. Com dois pequenos sustos pelo meio, sim, mas venceu. O Benfica manteve, assim, a liderança da fase de liga da Liga Europa: quatro jogos, 12 pontos e o melhor ataque da prova. E só não tem também a melhor defesa porque um erro grave e insólito permitiu o golo do Lech Poznan. Fica, porém, o aviso: quinto jogo a sofrer golos nos últimos seis encontros.

Tendo em conta o ranking de clubes da UEFA, o favoritismo do Benfica era claro: 17.º classificado contra o 74.º. Além disso, a equipa polaca ainda não vencera nesta fase de liga. Assim, o favoritismo passava de adjetivo a superlativo: claríssimo. Talvez por essa supremacia teórica, Marco Silva operou uma revolução profunda relativamente ao triunfo frente ao Alverca: Trubin, Banjaqui, Circati, El Karouani, Manu Silva, Sudakov, Echeverri, Rafa Silva e Jhon Durán entraram para os lugares de Samuel Soares, Bah, Lenglet, Dahl, Palhinha, Aursnes, Lukebakio, Prestianni e Pavlidis.

Se se antevia uma partida relativamente tranquila para as águias, essa tranquilidade cimentou-se bem cedo. Logo ao minuto 6, aproveitando duas intervenções incompletas do guarda-redes Mateusz Lis, Rafa Silva abriu o marcador, na sequência de um cruzamento de Schjelderup que ainda desviou num defesa antes de sobrar para o 27 da Luz. O festejo foi no seu tom habitual: sem sorrisos, apenas com ar de enfado.

O encontro entrou, então, numa fase igualmente enfadonha. Tirando duas iniciativas individuais de Echeverri com remates por cima da baliza polaca, não se registaram grandes motivos de interesse. O Benfica geria as operações a seu bel-prazer, mas sem argumentos para entusiasmar os mais de 50 mil adeptos presentes no estádio.

Excluindo um lance em que Schjelderup, num palmo de terreno, ludibriou dois opositores e picou com classe sobre o guarda-redes — com Yegbe a cortar em cima da linha para a trave —, o descanso chegou sem mais sobressaltos. Cenário imposto também pela gritante debilidade técnica do Lech Poznan, incapaz tanto a defender como, sobretudo, a desenhar lances de ataque.

O regresso dos balneários não alterou o guião, pelo menos durante os primeiros 20 minutos. Até ao momento em que Marco Silva mexeu a partir do banco, lançando Prestianni e Aursnes para as saídas de Rafa e Manu. Dois minutos bastaram para um dos recém-entrados rubricar um lance de génio: Gianluca Prestianni desequilibrou numa jogada envolvente e disparou com muito perigo, deixando o primeiro aviso com a camisola 25.

O futebol é um desporto coletivo onde ninguém ganha sozinho, mas há individualidades talhadas para desbloquear impasses. É o caso do jovem prodígio argentino. Três minutos decorridos, faturou na especialidade: partiu da esquerda para dentro e, contrariando a rota previsível para o pé direito, puxou para a canhota e disparou ao ângulo: um golaço.

Com o 2-0, o desfecho parecia selado. Puro engano: de quem assistia nas bancadas e, muito em particular, de Barrenechea. Um daqueles erros não forçados imperdoáveis a este nível. Trubin entregou-lhe a bola à entrada da grande área e o médio argentino, sem olhar, tentou tocar para El Karouani, servindo de bandeja Bengtsson, que reduziu sem oposição. Um susto evidente que fez franzir o sobrolho a Marco Silva: o Benfica sofria golos pelo quinto jogo nos derradeiros seis.

Já com os 90 minutos cumpridos, e após Durán ter ameaçado o golo, o resultado ficou sentenciado. Num ato de redenção, Barrenechea recuperou a bola e desmarcou Sudakov sobre o corredor esquerdo. O ucraniano fletiu para o centro e atirou certeiro de pé direito para o 3-1 final. Três pontos carimbados e liderança isolada preservada na Liga Europa.

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