Otamendi, central e capitão da equipa do Benfica (foto: Imago)
Otamendi, central e capitão da equipa do Benfica (foto: Imago)

Revolta que pode servir de combustível ao Benfica

Palavras de Rui Costa reforçaram alerta nos encarnados

O momento do Benfica é de revolta. A insatisfação cresce dentro de todo o futebol profissional encarnado — do balneário à Direção — e ficou ainda mais evidente após o discurso de Rui Costa, presidente do clube, na gala de entrega dos Galardões Cosme Damião 2025, terça-feira, no pavilhão n.º 2 do complexo da Luz.

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Durante a cerimónia, o dirigente denunciou o que considera serem injustiças que marcaram a época: desde a Taça de Portugal «tirada» ao Benfica, a incidentes no jogo com o Arouca e «noutros campos», até ao castigo aplicado a José Mourinho — um jogo e 11 dias de suspensão por episódios no clássico com o FC Porto (2-2) — que classificou como «inqualificável». Perante os premiados e adeptos benfiquistas, Rui Costa voltou a prometer «luta até ao último fôlego» e exigiu «respeito» e «igualdade de armas» para lutar com os rivais diretos.

Na Liga, o Benfica está a três pontos de distância do Sporting, segundo classificado, e a sete da liderança do FC Porto. Com oito jornadas por disputar, vencer todos os jogos permitiria à equipa garantir o segundo lugar e o acesso à próxima edição da Liga dos Campeões. A jornada 30 pode ser decisiva: o Benfica visita Alvalade e, em caso de vitória, passa a ter vantagem no confronto direto com o Sporting, depois do 1-1 da primeira volta, no Estádio da Luz.

Embora a conquista do título continue matematicamente possível, o foco encarnado é principalmente o segundo posto, com o orgulho ferido a servir de combustível para as últimas semanas da temporada.

A sanção do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol afastou José Mourinho da antevisão e do banco no jogo com o Arouca (2-1). Nenhum representante do clube falou aos jornalistas após o encontro. O treinador também deverá falhar o banco no próximo duelo, no Estádio da Luz, frente ao V. Guimarães, podendo repetir-se o pacto de silêncio no sábado — ainda sem confirmação oficial.

Mesmo com a vitória em Arouca, o Benfica sentiu-se novamente prejudicado. O capitão e defesa-central António Silva [Nicolás Otamendi falhou a jornada por problemas físicos] viu cartão amarelo num lance contestado, que o deixa suspenso por acumulação de cartões, enquanto o lateral-esquerdo Samuel Dahl foi empurrado pelo árbitro numa jogada polémica. No final, o diretor-geral do futebol, Mário Branco, procurou o árbitro no balneário para expor o desagrado da equipa.

José Mourinho tem trabalhado para proteger o grupo, reforçando o discurso de união e orgulho. O Benfica é a única equipa invicta neste campeonato e, apesar da turbulência, a Direção e o treinador mantêm uma exigência máxima: terminar a época com um último fôlego e garantir uma posição de prestígio no campeonato e que permitirá antecipar e planear a próxima temporada com um nível mais alto de ambição.