Juan Sebastián Verón, presidente do Estudiantes - Foto: Estudiantes/X
Juan Sebastián Verón, presidente do Estudiantes - Foto: Estudiantes/X

Regressou a casa, retirou-se três vezes e revolucionou o clube... como presidente

Adversário do Palmeiras na final da Libertadores tem no camarote presidencial uma lenda do clube, que pode voltar a ganhar o troféu, 17 anos depois

A história de amor entre Juan Sebastián Véron e o Estudiantes tem um número infindável de capítulos. O mais recente foi escrito na última noite com a qualificação épica do clube que preside para a final da Libertadores, às custas do Flamengo, nos penáltis em pleno Maracanã. «Neste tipo de torneio o peso da história joga», frisou no final da partida.

O clube de La Plata vai disputar a final da prova pela primeira vez desde que a conquistou, há 17 anos, com Verón no campo. O então criativo capitaneou a equipa de infância até ao título continental na casa do Cruzeiro (2-1), a 16 de julho de 2009, e concretizou a melhor justificação possível para a decisão que tomara três anos antes.

Verón regressou ao clube para vencer duas ligas e uma libertadores - Foto: IMAGO

Verón surpreendeu ao abandonar o futebol europeu e regressar a casa, no verão de 2006, após duas temporadas no Inter por empréstimo do Chelsea. O criativo de 31 anos, que contava com passagens por Sampdoria, Lazio, Parma, Manchester United, além dos nerazzurri e dos blues, negou ofertas bem mais lucrativas e assumiu a batuta do clube que o revelou para o futebol.

Verón regressou a casa, dez anos depois, e ao nono jogo, fez parte de um dos momentos mais marcantes da história do clube. O Estudiantes humilhou o rival Gimnasia por 7-0 e alcançou a maior goleada de sempre nos dérbis de La Plata,a 15 de outubro de 2006.

O mês de dezembro de 2006 ficou marcado pela conquista do primeiro título de Verón com a camisola do Estudiantes: o Torneio Apertura, aos pés do Boca Juniors. Dois anos e meio depois, a tão aguardada Libertadores chegou, bem como a oportunidade de jogar o Mundial de Clubes. Apenas o rolo compressor do Barcelona travou o clube de La Plata, na final, pela margem mínima (1-2).

O Estudiantes voltou a ser um crónico candidato à conquista de títulos e voltou a vencer o Apertura, em 2010. Verón, eleito o melhor jogador do ano na América do Sul em 2006 e 2010, decidiu retirar-se em junho de 2012 e até assumiu um cargo de dirigente meses depois, mas o amor falou mais alto.

O antigo internacional argentino regressou no ano seguinte para jogar mais uma temporada. Este parecia um final definitivo, até porque Verón foi eleito presidente do Estudiantes em outubro de 2014, cinco meses depois de ter jogado pela última vez.

Mas o relvado voltou a ser demasiado tentador. O então presidente do Estudiantes limpou o pó às chuteiras e jogou cinco partidas da Libertadores em 2017, aos 41 anos. O adeus definitivo, após 281 encontros, voltou a ter um ponto de interrogação a pairar já este ano quando Verón confirmou a um adepto que regressaria uma última vez caso o clube alcançasse a marca de 100 mil sócios, a 26 de julho.

O legado do presidente Verón

O ídolo das bancadas continuou a trabalhar arduamente para o clube mesmo com as chuteiras penduradas (ou pelo menos em suspenso). Verón, um dos principais defensores do modelo com Sociedades Anónimas Desportivas no futebol argentino, avançou com um plano de remodelação do Estádio UNO.

O renovado recinto com capacidade para mais de 32 mil pessoas foi inaugurado em novembro de 2019, um ano antes da saída de Verón da presidência. Dado o histórico, o regresso era inevitável.

O antigo capitão regressou à cadeira de sonho em 2024 e os resultados estão à vista no mais recente relatório e contas do clube: excedente notável, redução de mais de 20% da dívida e receitas de merchandising pouco habituais no futebol argentino.

O modelo europeu implementado não tem apenas resultados fora de campo: o clube venceu três troféus nos últimos dois anos e, finalmente, quebrou a seca de finais da Libertadores. As conquistas em solo argentino não ficaram imunes à polémica.

Estudiantes a celebrar o título de campeão
Estudiantes a celebrar o título de campeão, no final de 2025

A associação argentina de futebol castigou severamente o Estudiantes, após o clube ter virado as costas na guarda de honra feita ao Rosario Central, a 23 de novembro de 2025. O Estudiantes insurgiu-se contra a atribuição de um título inédito à equipa onde pontifica Ángel Di María, por ter sido aquela com mais pontos somados em 2025, entre as várias competições da AFA.

Todos os titulares foram punidos com dois jogos de suspensão, o capitão Santiago Núñez ficou proibido de exercer tal função durante três meses e Verón ficou impedido de exercer qualquer atividade desportiva durante seis.

O Estudiantes acabou por vencer mesmo o Torneio Clausura, a 14 de dezembro de 2025, e o Trofeo de Campeones, uma semana depois.

Verón tem sido um dos principais críticos do futebol argentino e até na manhã seguinte ao triunfo no Maracanã pediu melhorias em «todos os aspetos». «É importante para o futebol argentino. Mas se as tudo melhorasse, poderíamos ver muito mais do que isso. Com um bom planeamento e uma boa equipa, é possível, mas também é necessário ter recursos e uma boa organização nos campeonatos», frisou em declarações à imprensa argentina.

Guerras à parte, a história de amor continua a dar frutos. O duelo contra o Palmeiras, agendado a 28 de dezembro, pode marcar novo capítulo glorioso.

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