Max Verstappen revela danos na coluna devido ao desgaste na Fórmula 1
Os anos dedicados ao desporto motorizado estão a deixar marcas profundas no corpo de Max Verstappen. Em Austin, na antecâmara do Grande Prémio dos Estados Unidos, o tetracampeão mundial de Fórmula 1 revelou que exames médicos recentes identificaram danos na parte inferior da sua coluna vertebral, consequência direta das violentas forças a que os pilotos são sujeitos em pista.
O piloto da Red Bull explicou que as cargas verticais sofridas superam substancialmente as forças laterais sentidas nas curvas, apontando as irregularidades do Circuit of the Americas como um exemplo particularmente severo do impacto físico provocado pelos monolugares.
«No ano passado, por exemplo, sofriam-se cerca de 5 a 6G numa curva. Mas tive alguns impactos, cargas verticais, que foram superiores a 9G na minha coluna, o que posso garantir que não é nada agradável», começou por relatar o neerlandês, de 29 anos. «E, especialmente à medida que se vai ficando mais velho, pensa-se cada vez mais nisso. Não é o que se quer. Com estes carros, em especial na travagem, bate-se no fundo com muito mais força porque, quando as asas fecham e a altura ao solo desce na travagem, é um momento de enorme tensão.»
Verstappen detalhou ainda a complexidade do traçado norte-americano: «Sei que aqui, em alguns pontos, o piso é muito irregular nas travagens. Sobretudo quando existem estas lombas estranhas, não apenas pelo envelhecimento da pista, mas pela própria movimentação do solo por baixo, o que por vezes é muito difícil de prever. Se sairmos ligeiramente da trajetória ideal, não sabemos o que vamos encontrar, até porque quase ninguém conduz ali. É mesmo desagradável e acho que é algo que as pessoas não compreendem verdadeiramente. Posso dizer que, pelos exames que fiz à coluna, a parte inferior não tem muito bom aspeto.»
O desabafo do tetracampeão surge após anos de queixas generalizadas na grelha relativamente às exigências físicas impostas pela era do efeito de solo. Introduzido em 2022, este conceito obrigou as equipas a utilizarem afinações com alturas mínimas ao solo e suspensões extremamente rígidas para selar o fundo do carro ao asfalto. Esta combinação gerou problemas de segurança e queixas recorrentes de dores de costas entre os pilotos, levando a FIA a intervir com diretivas técnicas para travar o fenómeno de oscilação vertical conhecido como porpoising.
Embora os monolugares de efeito de solo tenham dado lugar a novos regulamentos no início desta temporada, Verstappen recusa normalizar o castigo físico imposto aos pilotos como algo inevitável na modalidade.
«Sei que faz parte das corridas. Sei que pode fazer parte do desporto, mas também se trata de danos adicionais causados pelos carros que tivemos nos últimos anos», alertou. «E agora, se continuarmos a achar aceitável pilotar nestas condições, o sofrimento vai ser ainda maior. As pessoas podem dizer: 'Sim, mas há desportos piores onde se podem lesionar partes do corpo'. Sem dúvida, mas é exatamente por isso que não os pratico. Por isso, sim, não é nada agradável.»
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