Ruben Amorim, agora treinador do Milan, durante a passagem por Old Trafford
Ruben Amorim, agora treinador do Milan, durante a passagem por Old Trafford

Old Trafford, Amorim e o Tempo

Felizmente para o Manchester United Michael Carrick regressou ao clube para o salvar da miséria e o devolver à glória...

Então, mas o problema não era a “obsessão” com a preparação física de um plantel com inúmeros jogadores acima do peso e longe das exigências necessárias para quem joga na liga mais competitiva do mundo? Talvez o problema tivesse sido outro.

A “teimosia tática”, certo? A aposta num sistema com três centrais, com dois alas, dois médios centro, dois médios ofensivos e um avançado. Ou a opção por uma organização defensiva híbrida, a qual permitia a equipa defender tanto em 1.5.4.1, como em 1.5.2.3, como em 1.5.3.2 ou até mesmo em 1.4.4.2 clássico.

Quiçá o problema terá sido mesmo a ausência de Kobbie Mainoo no onze inicial. O homem que iria resolver individualmente aquilo que o coletivo nunca se predispôs a fazer. A cura de todos os males. A resposta para todas as preces. A joia da coroa de um reino sem rei nem roque desde que Sir Alex Ferguson decidiu deixar de ser treinador.

Ou então terá sido essa mania insistentemente perniciosa que os bons treinadores tendem a ter quando sabem o que querem, como querem e com quem querem contar ao longo do caminho. A mania da Liderança. Do querer ser líder. Do querer assumir responsabilidades. Do querer exigir responsabilidades. Do querer liberdades proporcionais às responsabilidades. Do tão depressa dar “murros para baixo como para cima”. Do não ser um yes man. Felizmente para o Manchester United Michael Carrick regressou ao clube para o salvar da miséria e o devolver à glória. Abandonou a utopia do sistema com três centrais e colocou a equipa a jogar maioritariamente em 1.4.2.3.1. Fez regressar do ostracismo o semi-Deus Mainoo. Dotou a equipa de uma mentalidade competitiva hercúlea, capaz de ombrear com as melhores equipas de Inglaterra e da Europa.

Só assim se explica o 13.º lugar na Premier League e os 14 pontos de atraso face ao líder do campeonato em 7 jornadas. Ou a 20.ª posição na atual edição da UEFA Champions League e uma exibição portentosa perante o Como, esse crónico candidato ao título europeu orientado por Cesc Fàbregas.

Felizmente para o Manchester United, com Carrick, o clube passou a ter mais paz e estabilidade. Passou a ter uma liderança forte e incontestável. Não se ouviram mais críticas do treinador à Direção do clube ou aos próprios jogadores. Ouviram-se apenas críticas de Lisandro Martinez ao diretor desportivo e de Bruno Fernandes ao treinador…

Diz-se que o tempo coloca-nos a todos no nosso devido lugar. Talvez por ser princípio, meio e fim de tudo o que ainda não foi, mas gostaria de vir a ser. Talvez por ser a métrica menos injusta no que toca à validação de comportamentos, à consolidação de ideias e à assumpção de responsabilidades. Em Old Trafford ainda não aprenderam isso. Ou então recusam-se a aprender…

Próximo artigo

A iniciar sessão com Google...