'Clásico' volta a ter Mourinho: os números e as polémicas que marcaram uma era
José Mourinho volta a estar no centro de um Real Madrid-Barcelona mais de uma década depois da última vez em que disputou o Clásico ao comando dos merengues. No próximo domingo, o treinador português reencontra os catalães, num duelo que o transporta para uma das rivalidades mais intensas e polémicas da sua carreira.
Entre 2010 e 2013, durante a passagem pela capital espanhola, o setubalense defrontou o Barcelona em 17 ocasiões, entre campeonato, Liga dos Campeões, Taça do Rei e Supertaça. O saldo foi de cinco vitórias, seis empates e seis derrotas, num período em que os confrontos entre os dois gigantes espanhóis ultrapassaram frequentemente os limites da rivalidade desportiva.
A estreia do técnico luso no Clásico ficou gravada na memória pelas piores razões. Em novembro de 2010, o Real Madrid foi goleado por 5-0 no Camp Nou, numa noite em que a equipa de Pep Guardiola — com Messi, David Villa e Pedro endiabrados — fez o que quis da turma blanca. O resultado tornou-se uma das imagens mais marcantes da primeira passagem de Mourinho pelo clube e continua a figurar entre as derrotas mais pesadas da sua carreira, a par do desaire por 6-1 da Roma frente ao Bodo/Glimt, em 2021.
Mas a história de Mourinho contra o Barcelona não se resume aos resultados. A rivalidade com Guardiola e a tensão crescente entre os dois clubes transformaram muitos dos encontros em episódios que extravasaram o relvado. O treinador português, por várias vezes, questionou a arbitragem e sugeriu que os catalães eram beneficiados... algo que continua a fazer na atualidade.
Um dos momentos mais polémicos aconteceu em abril de 2011, na meia-final da Liga dos Campeões. Depois da derrota do Real Madrid por 2-0 na primeira mão, Mourinho atacou Guardiola numa conferência de imprensa, questionando os critérios de arbitragem e deixando uma frase que ficou para a história: «Eu teria vergonha de ganhar da maneira como Guardiola ganha». O treinador português acabaria por ser expulso durante o encontro, numa eliminatória que terminou com a passagem do Barcelona à final.
Outro episódio inesquecível ocorreu na Supertaça de Espanha de agosto de 2011. No meio de uma confusão entre jogadores e elementos das equipas técnicas, Mourinho aproximou-se de Tito Vilanova, então adjunto de Guardiola, e meteu-lhe um dedo no olho. O gesto tornou-se um dos símbolos mais controversos daquela rivalidade.
Houve ainda o episódio em que Mourinho esperou pelo árbitro no parque de estacionamento do Camp Nou, em 2012, após a eliminação da Taça do Rei.
Apesar de um balanço global equilibrado em número de vitórias e derrotas, Mourinho terminou a sua passagem pelo Real Madrid com um dado que lhe permite olhar para o regresso com algum otimismo: nos últimos cinco confrontos com o Barcelona enquanto treinador dos merengues, somou três vitórias e dois empates, sem qualquer derrota.
Do outro lado, está o líder destacado da LaLiga, com mais seis pontos que o conjunto madrileno e à procura de aumentar a vantagem para nove pontos, que, apesar de ainda estarmos numa fase inicial da época, seria um duro golpe para as aspirações do esquadrão do Bernabéu.
Mais de 13 anos depois, Mourinho volta a cruzar-se com o rival que marcou uma das etapas mais intensas da sua carreira. O contexto é diferente, mas a dimensão do Clásico permanece intacta. E, conhecendo o historial do português, a atenção não estará apenas no que acontecer dentro das quatro linhas, mas também no que o treinador poderá dizer depois do apito final.
Barcelona e Real Madrid defrontam-se este domingo, 25 de outubro, às 20h00 (hora de Portugal continental).
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