Fotógrafa Adriana Caballero/Instagram
Fotógrafa Adriana Caballero/Instagram

Clube quis controlar roupa de jornalistas e acabou a pedir desculpa

O Sportivo Ameliano, do Paraguai, viu-se envolvido em polémica e recuou nas restrições de vestuário impostas à imprensa

O Sportivo Ameliano viu-se envolvido em polémica no Paraguai após a divulgação de um código de vestimenta direcionado a jornalistas e fotógrafos credenciados para a receção ao Olimpia, no próximo domingo.

Perante a onda de contestação gerada pela medida, o presidente do clube, Héctor Melgarejo, interveio de imediato para anular as restrições e pedir desculpas públicas. É que a resteição parecia direcionada à repórter fotográfica Adriana Caballero, que também costuma ter o clube em agenda. Adriana pratica desporto e trabalha o corpo no ginásio, como partilha nas redes sociais, a par de fotos de trabalho.

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A diretriz, emitida pelo departamento de imprensa para o encontro no estádio Ameliano, exigia que os profissionais adotassem um estilo «sport elegante» para preservar um ambiente «profissional, respeitoso e condizente com a imagem institucional do clube». As normas proibiam o uso de calções aos homens, enquanto às mulheres era vedada a utilização de blusas decotadas, peças que deixassem a barriga à mostra e calças justas que não fossem pretas ou azul-escuro. A presença de crianças da escola de futebol e das respetivas famílias nas bancadas foi o argumento apresentado para fundamentar a imposição.

Código de conduta do Sportivo Ameliano

A controvérsia ganhou força nas redes sociais após a circulação de fotografias de Caballero no exercício das suas funções, usando roupa justa.

A fotojornalista manifestou surpresa pelo alcance do sucedido: «Sim, quando li este comunicado, vou ser muito sincera, chocou-me. Mas disse: bem, está feito, mais cedo ou mais tarde ia acontecer, não é? Não dimensionei que chegaria a este ponto, porque de uma forma ou de outra pode prejudicar os meus colegas.» Adriana Caballero sublinhou ainda que a reclamação dizia respeito ao uso da sua imagem: «Disseram que não era correto fazerem-me uma publicação assim, não é? E é apenas essa a informação que tenho.»

Perante a indignação generalizada da classe jornalística, Héctor Melgarejo desautorizou publicamente a iniciativa, classificou o episódio como «uma loucura» e assegurou que a decisão partiu da responsável de imprensa — apontada pelo jornal paraguaio Crónica como sendo Milena Olmedo — sem qualquer aval da direção.

«Lamento profundamente que isso tenha acontecido. Não partiu do clube, não foi institucional, mas sim algo que saiu da pessoa encarregada de imprensa sem autorização alguma do clube», afirmou Melgarejo à rádio AM108 e a outros meios de imprensa local, acrescentando sobre as restrições: «Todos podem ir como quiserem. No final de contas é o trabalho.»

Entretanto, o Sportivo Ameliano formalizou a retratação através de um comunicado interno enviado à imprensa, assegurando que o código «não reflete o que o clube pensa nem o que quer para quem cobre os seus jogos». A nota salienta que «a imprensa faz parte da família» e que a instituição valoriza a liberdade e o respeito pelos profissionais.

«No meu caso, o meu compromisso demonstra-se nas fotografias que entrego, na minha responsabilidade e no esforço que faço em cada cobertura. Uma pessoa pode vestir-se de forma simples, elegante ou de acordo com o seu próprio estilo e continuar a ser igualmente profissional. Não devíamos confundir a aparência com a capacidade. O que considero importante é que nenhuma mulher tenha de se sentir envergonhada, apontada ou menosprezada pela sua forma de vestir», frisou Caballero.

Caballero salientou ainda que o respeito mútuo deve imperar na definição de qualquer norma: «Não tenho qualquer problema com a existência de regras de vestuário quando são estabelecidas de forma respeitosa.

«Nós também trabalhamos, preparamo-nos, esforçamo-nos e procuramos conquistar o nosso espaço neste meio. Gostava que fôssemos valorizadas, acima de tudo, pela nossa capacidade, pelo nosso profissionalismo e pelo trabalho que fazemos», concluiu a fotógrafa.

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