Leonardo Jardim
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Jardim assume «grande frustração» após falhar Libertadores: «Não vou ensinar jogadores deste nível a bater penáltis»

Treinador do Flamengo fala do que correu mal e comenta escolhas para marcação de penáltis

O Flamengo foi eliminado nas meias-finais da Libertadores após novo empate sem golos diante do Estudiantes, acabando derrotado no desempate por grandes penalidades. O técnico Leonardo Jardim não escondeu a desilusão no final da partida disputada no Maracanã, onde a formação carioca não conseguiu capitalizar a superioridade numérica que teve a partir dos 50 minutos e o domínio na posse de bola.

Depois de dois nulos nos dois jogos da eliminatória, a decisão seguiu para a marca dos onze metros, onde o guarda-redes Muslera travou as tentativas de Jorginho, Paquetá e Bruno Henrique. Pelo lado argentino, apenas Cetré falhou, selando o apuramento do Estudiantes para a final da Libertadores 2026.

«Queria agradecer a este público que esteve presente e entusiasmado com a nossa campanha. É uma grande frustração e deceção. Fizemos as alterações que achámos necessárias perante um adversário a atuar em bloco baixo. O Arrascaeta poderia dar-nos qualidade no jogo entre linhas. Arriscámos com outros jogadores, mantivemos elementos como o Paquetá perto da baliza e apostámos no Bruno Henrique e no Plata. Eles fecharam as linhas e não conseguimos ter a presença na área que pretendíamos», analisou o treinador português em conferência de imprensa.

Apesar do controlo absoluto do jogo, a eficácia ofensiva faltou ao conjunto brasileiro: «O jogo aqui no Maracanã foi dominado por nós. Fala-se muito em estatísticas, tivemos quase 75% de posse de bola, mas faltou-nos presença na área em termos de eficácia. Criámos duas situações de golo, mas não fomos capazes de fazer mais, fruto também da postura do adversário, que fez uma grande campanha e só tinha perdido connosco na fase de grupos. Não conseguimos finalizar e nos penáltis as coisas não correram a nosso favor.»

Questionado sobre as escolhas para o desempate por grandes penalidades, Leonardo Jardim assumiu a responsabilidade e defendeu as opções com a experiência dos atletas selecionados, sublinhando que o momento foi treinado com intensidade e acerto.

«O futebol tem uma regra simples: só falha quem marca. Não escolhi pelo receio, coloquei os jogadores mais consagrados, habituados a bater penáltis no clube e, muitas vezes, na seleção. Durante a semana tivemos treinos em que muitos deles tiveram 100% de eficácia nas séries de três. Não sou eu que vou ensinar atletas deste nível, com centenas de jogos, como devem bater. Cada um assume a decisão e o responsável é sempre o treinador», vincou.

Durante a semana tivemos treinos em que muitos deles tiveram 100% de eficácia nas séries de três. Não sou eu que vou ensinar atletas deste nível, com centenas de jogos, como devem bater

O técnico luso abordou ainda a gestão física de Arrascaeta, que vinha de limitações físicas: «Trabalhou o aspeto físico sem contacto e só depois integrou o grupo. Dificilmente começaria de início devido ao impacto do jogo e ao bloco baixo do adversário. É o nosso melhor elemento para espaços reduzidos e disponibilizou-se para ajudar. Não fez uma exibição de topo, mas tentou contribuir.»

Apesar do desaire e de ver escapar a hipótese inédita de alcançar a segunda Libertadores consecutiva, Leonardo Jardim lembrou o percurso da equipa e apontou ao campeonato brasileiro, onde o Flamengo segue na liderança.

«O impacto é grande. Queríamos estar na final e conquistar uma segunda Libertadores consecutiva, algo que nunca tinha acontecido. Saímos invictos e este grupo já superou grandes problemas esta época, incluindo paragens de mais de um mês de atletas como Erick, Paquetá e Arrascaeta. Restam sete jornadas no Brasileirão, estamos na frente e queremos mostrar qualidade na próxima segunda-feira para lutar pelo troféu», concluiu.

O Flamengo volta a entrar em campo na próxima segunda-feira, às 20 horas, defrontando o Atlético-MG para o Brasileirão.

Após o desfecho da meia-final, o treinador do Flamengo assumiu a responsabilidade pelo resultado e explicou as decisões tomadas ao longo da partida, desconstruindo as opções táticas e a estratégia adotada frente ao Estudiantes.

«Tivemos várias situações e fomos conseguindo dar resposta com aqueles que estiveram de fora. O treinador tem de assumir, porque esse é o nosso papel, e temos de assumir as nossas responsabilidades. Eu nunca fugi das minhas responsabilidades e não é agora que o vou fazer», vincou o técnico.

Na análise aos acontecimentos dentro das quatro linhas, o timoneiro admitiu que as maiores dificuldades surgiram em igualdade numérica: «Acredito que só ganhámos a superioridade do jogo quando passámos a jogar contra 10. Antes disso, foi um jogo extremamente equilibrado. Os outros dois jogos, o da Argentina e o que ganhámos aqui por 1-0, foram extremamente equilibrados e competitivos. Não conseguimos, em termos ofensivos, criar por demérito nosso, porque os nossos jogadores de ataque não tiveram as melhores decisões. Mas também por mérito do adversário, que entrou a pressionar. É uma equipa extremamente agressiva, cortou muitos lances na primeira parte, lances de construção com pequenas faltas. E isso fez com que a nossa produção ofensiva não fosse igual ao que gostamos de fazer. A segunda parte foi totalmente diferente, foi um adversário que se juntou lá atrás. Nós demos volta, volta, volta, mas tivemos pouco impacto dentro daquele bloco do adversário.»

Apesar da contestação, com Eric Faria a criticar duramente o desempenho ao afirmar que «Leonardo Jardim esteve mal na meia-final, o Flamengo foi muito incompetente», o comandante da formação carioca sustentou a aposta inicial em Pedro em detrimento de Bruno Henrique.

«Acreditávamos que teríamos mais bola e o Pedro é um jogador, no jogo posicional, melhor do que o Bruno. O Bruno é um jogador do espaço e da transição. No último jogo com o Estudiantes em casa foi o Pedro que fez o golo da vitória. Todos esses fatores juntos levaram-nos a tomar essa decisão. Se o Pedro estivesse no banco e perdêssemos o jogo, a questão era ao contrário. Temos de justificar com as nossas ideias e características dos jogadores. O Pedro fez um bom jogo aqui contra eles, deu-nos mais bolas. O BH é um jogador de transição, lá [na primeira mão da meia-final] teve dificuldade em segurar a bola na frente, porque o adversário criou em transição. Se fosse agora, decidir-me-ia outra vez pelo Pedro porque acho que é quem acrescentava melhor no jogo em casa com a posse de bola», justificou.

O treinador sublinhou ainda a qualidade do rival e as condicionantes físicas sofridas pela equipa: «O Estudiantes é uma equipa que defende muito bem, com um jogo extremamente agressivo, que nos penaliza muito. E, quando não tínhamos presença nos duelos, equipas assim tiram vantagem do Flamengo. Mas, quatro dias atrás, jogámos contra o Bahia e criámos não sei quantas oportunidades de golo com esses jogadores, com exceção do Plata. Por isso, a justificação que tenho é que podíamos ter sido mais efetivos, mais agressivos, mas o adversário tem o seu mérito, porque, nos quatro jogos que fez connosco, talvez esses tenham sido os quatro jogos em que conseguimos criar menos e ter menos impacto na área adversária.»

Por fim, detalhou a gestão do plantel e as alterações no decorrer do encontro: «Acho que a escolha da equipa foi a escolha daquela equipa; estava mais bem preparado para começar. Um grupo de jogadores que tem estado bem; o Carrascal tem entrado muito bem, o Paquetá tem entrado muito bem. Colocámos o Pedro em detrimento do BH, como sabíamos que íamos ter um pedaço mais de bola. Acho que a constituição inicial estava entre aqueles jogadores que estavam a ter melhor rendimento. Depois das alterações, como já disse, com mais um elemento, eles todos fechados, acabámos por colocar o Arrascaeta, que é o jogador entrelinhas capaz de melhorar o jogo. Depois o Alez Sandro teve aquele problema na coxa, pediu para sair. Tivemos de colocar o Ayrton Lucas. De resto, refrescámos o ataque, principalmente com a ideia de o Bruno Henrique ter mais presença na área do que o Pedro, porque estávamos a ter um jogo exterior muito forte, mas poucas vezes tivemos oportunidades de finalização e presença na área. Tentámos atacar com o BH e com o Pedro, mas o Pedro também sentiu um incómodo; tive de trocar outra vez pelo Freitas e esse impacto do jogo aéreo já não existia. Em termos de substituições, se se podia ter feito alguma coisa diferente, acho que tentámos ao máximo dar ao jogo aquilo que pretendíamos. Sabíamos que os nossos jogadores de transição, para este jogo, principalmente eram jogadores que geralmente dão ganho à equipa, selecionam o espaço, dão mais dinâmica. Com certeza tomámos as decisões em prol do adversário; se tivéssemos conseguido fazer um golo, o jogo mudava.»

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