Farioli não conhece bem o FC Porto
Terceiro jogo, terceira derrota. O FC Porto não consegue mudar o chip do campeonato para a UEFA Champions League e voltou a vacilar, agora novamente no Dragão e diante do PSV. A derrota com o Manchester City, dado o poderio dos ingleses, não criou mossa, e, sejamos justos, o resultado foi o mais natural. Acrescente-se o facto de se terem seguido três vitórias para a Liga, incluindo diante do Benfica.
A derrota em Sevilha, frente ao Betis, já foi mais difícil de aceitar, até porque os dragões estiveram em vantagem, por 2-1, depois de terem começado a perder. Mas o pior mesmo foi o 0-1 com os neerlandeses, até porque foi o segundo desaire consecutivo e o campeão dos Países Baixos está longe de ser um papão.
A exibição foi pobre, o resultado mau e as explicações de Francesco Farioli ainda piores. O italiano bem pode puxar dos galões de campeão ou de líder 100 por cento vitorioso da Liga, já com os principais rivais, Benfica e Sporting, à distância de cinco e seis pontos, respetivamente, mas no FC Porto é preciso mais.
O treinador italiano chegou no ano passado a Portugal e aprendeu depressa — muito mérito para a estrutura do clube, que lhe preparou bem a lição. Seja ao pressionar a arbitragem, a criticar a Imprensa ou a defender com unhas e dentes os valores do clube. Num ápice, tornou-se num treinador à Porto, ganhador, claro, mas também a saber chegar ao coração dos portistas. O nós contra todos deu-lhe enorme lastro, mas na terça-feira sentiu os primeiros sinais de descontentamento.
Depois de na época transata tudo lhe ter sido perdoado na UEFA Europa League, já que a reconquista do campeonato se sobrepunha a tudo, Farioli sabe agora que a tolerância tem limites. E a reação do italiano não foi nada feliz.
Depois de ouvir os primeiros assobios enquanto treinador do FC Porto, foi para a sala de imprensa e começou a enumerar desculpas. Que o PSV «é uma das equipas na Europa que corre mais e que é muito física», que «a Champions é uma prova diferente da Liga Europa» e que esta «era terceira vez» que estava a dizer que a «equipa fez o suficiente para justificar outro resultado»…
O italiano até pode ter razão em alguma argumentação, mas, primeiro, tem de assumir as responsabilidades e não refugiar-se noutros tempos, como quando foi confrontado com a palavra crise. Aí recuou até ao antecessor, Martín Anselmi…
«Há 15 meses estávamos a voltar dos Estados Unidos depois de perder com o Inter Miami e de não vencer uma equipa do Egito». Tem razão Farioli. Esquece-se é que o FC Porto tem no museu duas Taças/Liga dos Campeões, duas Taça UEFA/Liga Europa, uma Supertaça Europeia e duas Taças Intercontinentais, com muitos dos adeptos presentes no Estádio do Dragão a festejarem estas conquistas.
Na arbitragem, Farioli até pode recuar aos tempos da outra senhora, argumentar, se quiser, com o caso Calabote, mas quanto a títulos a história é bem diferente. Pela amostra de quarta-feira o treinador não conhece assim tão bem o FC Porto, mas vai ter de aprender depressa — nem que a estrutura o leve de novo ao museu —, pois para os portistas ganhar apenas o campeonato não chega…