Sporting desceu à Terra na 3.ª jornada da Champions. Foto Miguel Nunes
Sporting desceu à Terra na 3.ª jornada da Champions. Foto Miguel Nunes

Sai um choque de realidade ali para o Lumiar, por favor

A Liga dos Campeões é isto mesmo. Vitórias imprevisíveis, derrotas quando não se espera. Nesta altura, porém, nada é irreversível e muito menos pode colocar em causa processos em curso

A vida de um principiante na alta roda é muito difícil. Às vezes corre bem, veja-se a vitória do Sporting em Lens há duas semanas. Pense-se, por outro lado, no que terão pensado os adeptos do Lens ao serem derrotados pelo Sporting em casa. Exatamente o que os do Sporting pensarão hoje: «Que oportunidade teórica perdida de somar três pontos, frente a um adversário do meu campeonato.»

A afirmação europeia é dura, custa muitos pontos, implica desilusões, superações, muito dinheiro ganho e muito dinheiro perdido. O segredo é ir estando presente e ir ganhando cada vez mais vezes, mas com a noção de que a derrota, numa prova como esta, pode estar ao virar de cada esquina. Algo me diz que aos três minutos de jogo, com 1-0, o Sporting tinha por garantido um pré-carimbo no passaporte para a fase seguinte. É natural, mas perigoso. Os adeptos podem sentir isso, a equipa não.

O facto de o FC Porto ter somado três derrotas nesta fase de liga é muito mais relevante, do ponto de vista da perceção nacional e internacional, do que o Sporting ter perdido com o LASK Linz.

É desta noção de escala que os leões têm de partir, e não da ebriedade de conseguir bater um PSG ou um City de vez em quando.

O Sporting tem tudo para seguir de novo em frente na Champions League, e não pode deixar-se abater pela primeira derrota sofrida na época (embora haja empates que sabem a derrota). Não estava tudo bem ontem, não está tudo mal hoje.

Já que falamos de Champions, o mesmo princípio vale para o FC Porto: falar em crise de uma equipa que segue só com vitórias dentro de casa mas por alguns acasos (e outras coisas não por acaso, claro) soma três derrotas na maior prova de clubes da Europa parece profundamente prematuro para avaliar um treinador que ganha.

Vivemos demasiado a vertigem do momento e temos sérias dificuldades em tentar perceber processos.

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