Ali Sina Mostafavi - Foto: Ali Sina Mostafavi/Facebook
Ali Sina Mostafavi - Foto: Ali Sina Mostafavi/Facebook

Regime iraniano executa alpinista e aumenta o alarme sobre atletas

Ali Sina Mostafavi foi executado no passado dia 14 de outubro

O alpinista Ali-Sina Mostafavi foi executado pelo regime do Irão no passado dia 14 de outubro, num cenário que volta a intensificar o alarme e a preocupação da comunidade internacional quanto à perseguição a figuras do desporto no país.

Mostafavi, que contava no currículo com registos de escalada em alguns dos picos mais elevados do planeta, incluindo o Evereste, havia sido detido em abril. As autoridades acusaram-no de ser um «agente armado do inimigo sionista norte-americano», apontando o alegado envolvimento num tiroteio contra civis na praça Azadi, em Kerman, a 24 de março, além da participação nas manifestações antigovernamentais do início de janeiro de 2026, onde mais de 3 mil pessoas perderam a vida.

Este desfecho trágico junta-se a outros casos recentes de desportistas iranianos que perderam a vida às mãos do regime, tais como a execução do taekwondista Siavash Jamshidi Kheirabadi, no início de outubro, do lutador de artes marciais mistas (MMA) Gholamreza Khani Shakarab, enforcado em maio, e Saleh Mohammadi, em março.

A organização Human Rights for Sport, sediada em Oslo e constituída por antigos atletas iranianos, alertou que a lista de execuções pode aumentar a curto prazo. Pelo menos seis desportistas correm o risco iminente de serem executados após a confirmação das respetivas sentenças pelo Supremo Tribunal do Irão. Entre os condenados encontram-se o nadador Ali Pishevarzadeh, o futebolista Ehsan Hosseinpour, o lutador de MMA Benyamin Naghdi, a cavaleira Taraneh Rahimi, a escaladora Maryam Siri e o pugilista Mohammad Javad Vafaei Sani — este último detido em 2020 devido a protestos ocorridos no ano anterior e cujo pedido de novo julgamento foi rejeitado no ano passado.

«A comunidade desportiva iraniana está sob uma enorme pressão. No caso de um dos condenados à morte, conseguimos chamar a atenção e sensibilizar através de outras organizações, tendo conseguido travar a sua execução. Mas foi apenas temporário e estou muito preocupada com todos eles», frisou Zohreh Abdollahkhani, elemento da Human Rights for Sport, em declarações ao jornal The Guardian.

De acordo com a organização não governamental, as figuras públicas do desporto são alvos deliberados para servir de aviso à restante população, recordando o mediático caso de Navid Afkari Sangari, conceituado lutador executado em setembro de 2020. «Era um modelo a seguir e muito conhecido em toda a comunidade. O que lhe aconteceu também foi uma advertência para toda a população: vejam o que podemos fazer a alguém assim», sublinhou Abdollahkhani.

Os dados recolhidos pela organização apontam ainda para um cenário desolador durante os protestos de janeiro: 217 desportistas iranianos terão sido mortos a tiro e mais de uma centena acabou detida. O tema motivou iniciativas políticas no plano internacional, tendo quatro eurodeputados enviado uma carta à FIFA antes do último Mundial para manifestar preocupação com as sentenças de morte a atletas, sem que tenham obtido resposta direta, segundo revelou a porta-voz da organização.

Instada a comentar o assunto à mesma fonte, a FIFA limitou-se a declarar através de um porta-voz que «está consciente das preocupações suscitadas em relação à situação dos desportistas iranianos e agradece a todas as partes envolvidas a sua contínua colaboração e dedicação para consciencializar sobre estes assuntos cruciais».

Também o Comité Olímpico Internacional (COI) foi alvo de críticas por parte de Abdollahkhani, devido aos obstáculos colocados à apresentação de queixas no seu departamento de direitos humanos. Em resposta, o organismo olímpico assegurou dispor de «equipas de direitos humanos e proteção plenamente operacionais», salvaguardando, contudo, que enquanto organização não governamental carece de competência para alterar leis ou o regime político de uma nação soberana.

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